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31 março 2025

Bispos e Papas (15): Calisto Primeiro

 

Bispo Calisto I [1]

Continuando nossa lista dos bispos e papas romanos, quero destacar aqui o bispo Calisto, que na História Eclesiástica (HE)[2] de Eusébio de Cesareia, aparece como o número 15 da lista. Depois de Zeferino  servir a Igreja por 18 anos, “... foi sucedido no episcopado por Calisto...” (HE, 6, XXI).

Como os outros casos, as informações que temos são de fontes católicas. Conforme esta fonte, por exemplo, Calisto era romano de Trastevere e filho de escravos. Trata-o como como um “administrador pouco habilidoso” que deu grande desfalque ao imperador Cômodo e, por isso, teve que fugir, mas foi capturado em Óstia (cidade próxima de Roma) e condenado a girar a roda de um moinho. Depois foi deportado para as minas da Sardenha. Aqui, encontramos também que “... ele foi preso por ter brigado em uma sinagoga, quando tentou emprestar dinheiro ou receber débitos de alguns judeus’.

Calisto teve o apoio do papa [bispo] Vítor que, para ajudá-lo a desviar da tentação, fixou-lhe um ordenado. Depois, o sucessor do bispo Vitor, Zeferino, foi igualmente generoso com ele e ordenou-o diácono, confiando-lhe a guarda do cemitério cristão na via Ápia Antiga. Calisto sucedeu a Zeferino em Roma, mas seu pontificado atraiu as inimizades de uma ala da comunidade cristã de Roma que acusou o processo de sua escolha de heresia. Como era esperado, Calisto teve muitos opositores, incluindo um antipapa – Hipólito de Roma –. Por conta disto, muitas informações sobre ele são distorcidas. O motivo da discórdia com Hipólito de Roma “... fora a questão trinitária e a absolvição concedida por Calisto aos pecadores de adultério, homicídio e apostasia, absolvição que antes só era dada uma vez na vida e após uma dura penitência pública, enquanto os reincidentes eram excluídos da comunhão eclesial...” (Idem).

Calisto morreu numa revolta popular contra os cristãos e foi lançado a um poço. Mais tarde, deram-lhe sepultura honorífica no Cemitério de Calepódio, na Via Aurélia, junto do lugar do seu martírio.

A Cripta de São Calisto: 

Uma das metas obrigatórias para os peregrinos e turistas que se dirigem à Roma são as catacumbas. Particularmente célebres e frequentadas são as de São Calisto, definidas pelo Papa João XXIII “as mais respeitáveis e as mais célebres de Roma”. Numa área de mais de 120.000 m², com quatro andares sobrepostos, foi calculado que lá existem não menos de 20 quilômetros de corredores... Essa obra colossal fixa para sempre a memória de São Calisto, que cuidou de sua realização, primeiro como diácono do Papa Zeferino, e depois como o próprio Papa. Mas além das dimensões, este lugar é precioso pelo grande número e pela importância dos mártires que ali foram sepultados, e particularmente célebres são a cripta de Santa Cecília e a contígua à dos papas, na qual foram sepultados o Papa Ponciano Antero, Fabiano entre outros... O túmulo dele está colocado bem no meio da Roma antiga, na basílica de Santa Maria in Trastevere, que, construída por determinação do Papa Júlio, na metade do século IV, foi intitulada também de São Calisto. Essa obra colossal fixa para sempre a memória de São Calisto, que cuidou de sua realização, primeiro como diácono do Papa Zeferino, e depois como o próprio Papa. Mas além das dimensões, este lugar é precioso pelo grande número e pela importância dos mártires que ali foram sepultados, e particularmente célebres são a cripta de Santa Cecília e a contígua à dos papas, na qual foram sepultados o Papa Ponciano Antero, Fabiano entre outros... O túmulo dele está colocado bem no meio da Roma antiga, na basílica de Santa Maria in Trastevere, que, construída por determinação do Papa Júlio, na metade do século IV, foi intitulada também de São Calisto (Canção Nova).

Referências bibliográficas:

CANÇÃO NOVA. São Calisto I, Papa criador do cemitério da Via Ápia. Disponível em: https://santo.cancaonova.com/santo/sao-calisto-i-papa-criador-do-cemiterio-da-via-apia/. Acesso em: 27/03/2025.

WIKIPEDIA. Papa Calisto I. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Calisto_I>. Acesso em: 27/03/2025.


Notas:

  •  [1] Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa. Disponível em: <https://santo.cancaonova.com/santo/sao-calisto-i-papa-criador-do-cemiterio-da-via-apia/>. Acesso em: 27/03/2025.
  •  [2CESAREIA, Eusébio. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

28 fevereiro 2025

Qual é a diferença entre Israel e a Palestina?

Por: Ministério Got Questions [1]

Israel no tempo de Salomão [2]

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Ouça o texto aqui:
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A região onde Israel está localizada era chamada de "Palestina" pelo menos desde o século V a.C. Escritos de homens como Aristóteles, Heródoto e Plutarco se referem a essa área como "Palestina". Acredita-se que esse termo tenha origem nos textos bíblicos hebraicos massoréticos[3]. Alguns estudiosos acham que a palavra Palestina significa "terra dos filisteus" – a região definitivamente incluía o local onde os filisteus viviam em Canaã -, mas não há consenso sobre esse significado.

A principal diferença entre Israel e a Palestina é que Israel é uma nação, e a Palestina tem sido historicamente uma região geográfica com fronteiras não oficiais e flutuantes. A nação de Israel deve ser diferenciada da região terrestre da Palestina, definida como uma "área da região mediterrânea oriental, compreendendo partes do Israel moderno e os territórios palestinos da Faixa de Gaza (ao longo da costa do Mar Mediterrâneo) e da Cisjordânia (a oeste do Rio Jordão)" (Fraser, P., Bickerton, I., et al., "Palestine," Encyclopedia Britannica, www.britannica.com/place/Palestine, acessado em 24/10/23). Antes da existência do reino de Israel, a região era chamada de "Canaã". A região delineada como "Canaã" ou, mais tarde, "Palestina" não é necessariamente a mesma que os limites de Israel descritos na Bíblia.

Deus tirou os descendentes de Israel/Jacó do Egito para a terra que havia prometido a seu antepassado Abraão (Gênesis 15:17-21; Josué 1:1-9). Com base nas dimensões da terra encontradas na Aliança Abraâmica, a promessa da terra de Israel ainda não foi cumprida; mesmo no auge do reino davídico, o território ocupado por Israel não correspondia à promessa. Acreditamos que a promessa da terra deve ser cumprida literalmente no futuro.

A palavra Palestina ocorre apenas uma vez na Bíblia, e somente na versão King James, em Joel 3:4. (Palestina é encontrada em Isaías 14:29 e 31 na KJV.) A palavra hebraica Pelesheth refere-se a uma região ao longo da costa sul do Mediterrâneo de Israel. Essa palavra é encontrada em Êxodo 15:14; Salmo 60:8; 83:7; 87:4; e 108:9. Geralmente é traduzida como "Filístia".

O nome da região da Palestina tem variado ao longo da história. Antes de 135 d.C., os romanos chamavam a terra de "Judeia e Galileia". Isso mudou quando o imperador Adriano reprimiu brutalmente o movimento de resistência judaica e ocupou a Judeia. Os romanos começaram a chamar a terra de "Síria Palaestina" em homenagem a dois inimigos históricos de Israel (Síria e Filístia); Adriano construiu um templo para Júpiter no monte do templo de Israel, fez de Jerusalém uma colônia romana e renomeou a cidade como "Aelia Capitalina". Por séculos depois, a área foi chamada de "Palestina", seguindo o exemplo dos romanos, e o termo Palestina entrou em nosso léxico – o nome se tornou tão comum que comentaristas bíblicos respeitados o usaram (por exemplo, McGee, Pentecost, Chafer e Ryrie), e algumas traduções da Bíblia usam o termo. Antes da independência nacional em 1948, os grupos judeus adotaram o rótulo "Palestina" para si mesmos como uma designação regional: a Orquestra Filarmônica de Israel foi originalmente chamada de Orquestra Sinfônica da Palestina, e o nome original do Jornal de Jerusalem era Jornal da Palestina. Ambas as entidades foram fundadas na década de 1930.

Atualmente, os árabes que vivem na antiga Palestina, excluindo os que vivem em Israel, costumam ser chamados de "palestinos", mas a ideia dos palestinos como um grupo distinto de pessoas é relativamente recente. Os habitantes árabes da Palestina só começaram a se referir a si mesmos como "palestinos" no início dos anos 1900. Eles nunca tiveram um estado separado e, em grande parte, se consideravam parte de uma comunidade global maior de árabes ou muçulmanos.

Atualmente, a palavra Palestina ainda é usada para designar uma região terrestre, mas também assumiu conotações políticas. Em novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU votou para elevar o status de observador da Autoridade Palestina nas Nações Unidas de "entidade" para "estado não membro" (consulte www.reuters.com/article/us-palestinians-statehood-idUSBRE8AR0EG20121201, acessado em 24/10/23). A votação deu reconhecimento informal da existência do Estado soberano da Palestina.

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Veja também:

§  A Faixa de Gaza e o juízo de Deus.

§  Os Hebreus e o Estado de Israel.

§  Semitismo, antissemitismo e xenofobia.   

§  Sionismo e sionismo cristão.


Notas / Referências bibliográficas:

[1] Qual é a diferença entre Israel e a Palestina? Texto copiado na íntegra com inserções (Notas) minhas destacando as partes (palavras ou parágrafos) do texto que mais me chamaram à atenção e que têm relação com assuntos já estudados. https://www.gotquestions.org/Portugues/diferenca-Israel-Palestina.html. Acesso em 24/02/2025.    

[2] O Mapa de Israel no seu auge no tempo de Salomão “... quase correspondia aos limites da terra que Deus havia prometido. Gaza não foi tomada aos filisteus nos dias de Salomão, e a terra dos cananeus prometida a Abraão incluía a faixa costeira até Sidom – cidade do filho primogênito de Canaã – 1Cr 1.13, Gn 10.19. As áreas de Moabe, Amom e Edom, a leste do Mar Morto, foram ocupadas pelo Rei Salomão, mas não faziam parte da Terra Prometida. Isso faz parte da Jordânia moderna” (texto traduzido pelo Google Translate, disponível em: https://www.differentspirit.org/articles/boundaries.php. Acesso em 24/02/2025.    

[3]Os massoretas eram os estudiosos que deram ao texto do Antigo Testamento sua forma final, entre 500 e 950 d.C. Receberam este nome porque conservaram por escrito a tradição oral (ou ‘massora’) no que diz respeito a vocalização e acentuação certa do texto, e o número de ocorrências de palavras raras e ortografias pouco comuns. Receberam o texto consoantal [sic] sem vocalização, da parte dos Sopherim, e intercalaram os pontos vocálicos que deram a cada palavra sua pronúncia e forma gramatical exatas” (ARCHER Jr. In: As Escrituras (2): formação do cânon e outras considerações. Acesso em: 24/02/2025.

24 fevereiro 2025

Bispos e Papas (14): Zeferino

 Publicado por: Alcides Amorim  


Bispo Zeferino [1]

Neste post, como parte de nossa lista dos bispos e papas romanos, quero destacar a pessoa do bispo Zeferino, que na História Eclesiástica (HE) [2] de Eusébio de Cesareia, aparece como o número 14 da lista. Ou seja, o 14º bispo, mas considerado o 15º papa para os católicos.

Eusébio fala de um rei Antonino, que governou sete anos e seis meses, sendo sucedido por Macrino, e este, depois de um ano, “... foi sucedido por outro Antonino na soberania de Roma” (HE, 6, XXI). Na sequência, Eusébio diz que “Zeferino, o bispo de Roma, partiu desta vida, depois de se responsabilizar pela igreja por dezoito anos” (idem). Considerando esta lista de imperadores romanos [3], temos: Antonino (Caracalla) que governou entre 188 e 217; Macrino, de 217 a 218 e Antonino Heliogábalo, de 218 a 222. Ligando estas informações com as de Eusébio, entendemos que o bispo Zeferino faleceu no ano 218, tendo exercido seu bispado por 18 anos. Ou seja, por estas informações, Zeferino foi bispo de Roma entre 200 e 218. Pode ser data aproximada de um ano. Neste caso, as informações batem com esta fonte católica (Paulus) [4] e com esta (wikipedia). Desta última, extrai as informações a seguir – texto adaptado –, acerca do bispo Zeferino:

  • Foi o primeiro ‘papa” do século III e décimo quinto da Igreja, sucedendo a Vitor I ... 
  • Era natural de Roma, foi eleito em 199.
  • · Seu pontificado se caracterizou por duras lutas teológicas que levaram, por exemplo à excomunhão de Tertuliano.
Sobre Tertuliano, já falei um pouco aqui:

Outra observação, ainda do exemplo do próprio Tertuliano, é o fato de ele ter-se unido ao movimento montanista, fundado por um sacerdote pagão chamado Montano, que se converteu no ano de 155. Mas com o tempo, Montano começou a profetizar, dizendo ter sido possuído pelo Espírito. Juntaram-se a ele duas mulheres, Priscila e Maximila, profetizando nas igrejas e afirmando que uma ‘nova era’ tinha chegado. Por isto mesmo, embora fossem normais suas profecias, a afirmação da chegada de uma nova era recebeu a objeção da igreja. Outra questão, além das práticas de profetizar dos montanistas, foi sua rigorosidade e moralismo que caracterizavam seus modos de viver. E parece ser justamente este último item que chamou a atenção de Tertuliano. Verifica-se então, com Tertuliano, uma voz destoante do (quase) todo dos mestres da época. Por que Tertuliano julgava a influência grega uma heresia para a igreja e não as ideias montanistas? Onde buscar a base para a refutação de alguns pontos de vista doutrinários e aceitação de outros?  Portanto, o gnosticismo dentre outros movimentos sincretistas ou heréticos, e Márciom e Montano, dentre outros falsos mestres (ou não), significaram grandes desafios para os verdadeiros mestres e responsáveis pela conservação da sã doutrina, ou ‘depósito da fé’, recebido dos apóstolos. Daí, a necessidade de uma reposta que representasse a ‘mensagem única’ e ao mesmo ‘universal’ para a igreja. O cânon, a formulação do Credo Apostólico e a sucessão apostólica, constituíam parte desta resposta [5].

  • O crítico do bispo Zeferino, São Hipólito, o descreveu como um homem simples, sem educação e dominado pelo seu assessor, Calisto, do qual falaremos na sequência.
  • Dentre outras medidas de Zeferino: “... estabeleceu que os fiéis católicos, depois dos 14 anos, comungassem, pelo menos na ocasião da Festa da Páscoa [e] determinou o uso da patena e dos cálices sagrados, até então confeccionados em madeira, que deveriam ser feitos ao menos de vidro...”

O Portal Paulus entende ser impropriamente considerar o bispo/papa “São Zeferino” um mártir e afirma que ele foi sepultado nas catacumbas de são Calisto, num edifício onde foi sepultado depois também são Tarcísio.

Sobre Tertuliano, já falei um pouco aqui:

Nesta fonte do vídeo sugerido a seguir, Altierez dos Santos diz que o papado de Zeferino foi o um dos mais longos: de 198 a 218, portanto, 20 anos de papado. Confirme outras informações aqui [6].

Notas / Referências bibliográficas:

 

 

12 fevereiro 2025

Os Hebreus e o Estado de Israel

Por: Alcides Amorim 


"... Neste trabalho tentei fazer um resumo histórico e bíblico do povo hebreu, sua origem na Mesopotâmia, sua migração e instalação na Palestina, seu desenvolvimento como Nação, incluindo formas de governo, suas diásporas, o movimento sionista, a formação do Estado moderno de Israel e um pouco de sua situação atual.

(...)

Descrevemos neste resumo a história dos hebreus e/ou Israel até o momento, mas sabemos que muita coisa ainda envolverá este povo e sua relação com os demais povos, e com o Seu Deus, como dizem as profecias de seu Livro Sagrado... "

Acesse o trabalho, gravado em PDF, acessando:

= = = Os Hebreus e o Estado de Israel = = =

06 fevereiro 2025

A Faixa de Gaza e o juízo de Deus

 Por: Alcides Amorim 


Faixa de Gaza [1]

O texto que segue é uma reflexão a partir do artigo As Controvérsias sobre a Faixa de Gaza [2] (texto adaptado), publicado pelo Ministério Ensinando de Sião [3], e outros mencionados nas notas.

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A Faixa de Gaza, área situada ao sudoeste de Israel, é uma região que desde os tempos antigos nunca viveu dias de paz. Em 2005, o então primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, aprovou no parlamento seu plano de retirada dos colonos judeus de Gaza, alegando que a região não seria segura o bastante para israelenses. Sharon esperava negociar a região com as lideranças palestinas em troca de paz. No entanto, em 2007, o Hamás assume o controle da Faixa de Gaza e, desde então, o local se tornou um verdadeiro centro de treinamento terrorista. A população de Gaza, apesar das ajudas de Israel, tem sofrido nas mãos do grupo terrorista, que não se preocupa com o bem-estar de seus habitantes nem com o desenvolvimento da região, afixando-se à ideologia irrestrita de “riscar Israel do mapa”. Devido aos últimos ataques do Hamás à população judaica (já considerados os piores do estado moderno), Israel segue em incursão para desmantelar o grupo terrorista e libertar sua população do terror e do medo. Mas uma pergunta permanece: por que esta pequena faixa de terra tem sido para Israel uma terrível “dor de cabeça” nos últimos 3000 anos?

Para responder a esta pergunta, devemos voltar no tempo e analisar a história. Nos tempos de Abraão, a região de Gaza se tornou o reduto dos filisteus. Os filisteus vieram originalmente da ilha de Creta em direção ao Egito em 1176 a.C., mas foram expulsos pelo Faraó Ramses II, sendo banidos para a região de Gaza. O local então ficou conhecido como “Philistiah” ou “terra dos filisteus”. Os filisteus eram pagãos e realizavam sacrifícios humanos ao deus Marnus. Já nos dias da conquista de Canaan por Josué, o próprio Deus delimita o território da tribo de Judá estabelecendo seu limite oeste como o “Mar Grande”, – Mar Mediterrâneo (Js 15.12). Ou seja, a região ocupada pelos filisteus foi dada por Deus ao povo de Israel. Durante os reinados de Saul, Davi e Salomão, os filisteus constantemente atacavam fazendeiros e campos de plantações de Israel, tentando trazer confusão entre o povo.

Mas os filisteus, ou “palestinos”, foram aniquilados pelo rei da Judéia Alexander Jannaeus durante o I século a.C., quando tentaram organizar uma aliança com os Egípcios e os Sírios para derrotar Israel. Já no domínio Romano, após a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., a região de Gaza passou a ser habitada por nômades e beduínos de origem árabe, que eram responsáveis também pelo comércio de escravos. A região continuou dessa forma até o séc. XIX, quando judeus sionistas de vários países começaram a comprar propriedades em Gaza, imigrando para a região.

Uma vez que Deus deu a terra de Israel para o povo judeu como possessão eterna, a decisão de Ariel Sharon de evacuar a região de Gaza foi contra os princípios bíblicos. Uma vez que a intenção declarada do Hamás é “riscar Israel do mapa”, a troca de território por paz provou ser algo ineficaz e irreal. O profeta Ezequiel relata as fronteiras de Israel na qual a região de Gaza é incluída (Ez 47.13-20). O profeta também relata que Deus enviará um grande juízo sobre os habitantes da região os quais se declaram inimigos de Israel:

“Assim diz o Senhor Deus: Visto que os filisteus se houveram vingativamente e com desprezo de alma executaram vingança, para destruírem com perpétua inimizade, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estendo a mão para com os filisteus, e eliminarei os queretitas, e farei perecer o resto da costa do mar.” (Ez 25.15 e 16).

O profeta Sofonias escreve: “Porque Gaza será desamparada, e Asquelom ficará deserta; Asdode, ao meio-dia, será expulsa, e Ecron, desarraigada. Ai dos que habitam no litoral, do povo dos quereítas! (...) ó terra dos filisteus, Eu vos farei destruir, até que não haja um morador sequer! (...) o litoral pertencerá aos restantes da casa de Judá (...)”. (Sf 2.4-7).

Temos então uma grande controvérsia: De onde virá o juízo sobre Gaza? Será que o Eterno usará o poderio militar de Israel para tal ou testemunharemos uma catástrofe natural? Como Israel poderá habitar em paz com uma região praticamente dentro de seus territórios cuja liderança jura aniquilar a população judaica por completo? Há possiblidade humana de paz quando uma das partes jura destruir e outra?

O enigma com relação à Gaza continua. O que fazer? Israel tem o direito e o dever de defender seus cidadãos, provendo segurança para seus habitantes. Por outro lado, uma coisa é certa: apenas o príncipe da PAZ pode trazer a PAZ que é humanamente impossível. Apenas o Messias de ISRAEL pode redimir e transformar vidas oprimidas e escravizadas em cidadãos do reino de Deus. Que Yeshua seja revelado tanto a judeus e principalmente a palestinos que vivem sob o terror do Hamás. Que o Leão de Judá traga juízo sobre todos aqueles que intentam o mal e a destruição de Israel. Que o Eterno também possa levantar profetas no meio do seu povo, para que orientem os dirigentes da nação a tomarem a decisão correta em relação não só a questões religiosas, mas também para questões políticas e territoriais. Que em meio à tribulação, o nome do ETERNO possa ser buscado e encontrado. Que haja paz sobre Israel!

Ó Deus, não te cales; não te emudeças, nem fiques inativo, ó Deus! Os teus inimigos se alvoroçam, e os que te odeiam levantam a cabeça. Tramam astutamente contra o teu povo e conspiram contra os teus protegidos. Dizem: Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais memória do nome de Israel. Pois tramam concordemente e firmam aliança contra ti. (...) Deus meu, faze-os como folhas impelidas por um remoinho, como a palha ao léu do vento. Como o fogo devora um bosque e a chama abrasa os montes, assim, persegue-os com a tua tempestade e amedronta-os com o teu vendaval. Enche-lhes o rosto de ignomínia, para que busquem o teu nome, SENHOR. Sejam envergonhados e confundidos perpetuamente; perturbem-se e pereçam. E reconhecerão que só tu, cujo nome é SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra. (Sl 83.2-5, 13-18).

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Bem, no seu artigo o Prof. Matheus Z. Guimarães destaca os atuais habitantes de Gaza são descendentes dos filisteus, que saíram de Creta, em direção ao Egito e expulsos pelo Faraó Ramsés II, em 1176. O professor deixa uma pergunta: “De onde virá o juízo sobre Gaza? Será que o Eterno usará o poderio militar de Israel para tal ou testemunharemos uma catástrofe natural?” Pelos últimos acontecimentos envolvendo Israel e palestinos, vale a pena mais algumas reflexões. Além dos textos expostos por Guimarães, vejamos mais este, do livro de Zacarias 9.3-10:

3 – E Tiro edificou para si fortalezas, e amontoou prata como o pó, e ouro fino como a lama das ruas.

4 – Eis que o Senhor a despojará e ferirá no mar a sua força, e ela será consumida pelo fogo.

5 – Ascalom o verá e temerá; também Gaza, e terá grande dor; igualmente Ecrom; porque a sua esperança será confundida; e o rei de Gaza perecerá, e Ascalom não será habitada.

6 – E um bastardo habitará em Asdode, e exterminarei a soberba dos filisteus.

7 – E da sua boca tirarei o seu sangue, e dentre os seus dentes as suas abominações; e ele também ficará como um remanescente para o nosso Deus; e será como governador em Judá, e Ecrom como um jebuseu.

8 – E acampar-me-ei ao redor da minha casa, contra o exército, para que ninguém passe, nem volte; para que não passe mais sobre eles o opressor; porque agora vi com os meus olhos.

9 – Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.

10 – E de Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.

No seu texto, publicado aqui [4], em 18 de janeiro de 2009,  Haroldo Luís Ribeiro Tôrres Alves destaca que as mortes de mais de mil palestinos à época, e o desejo dos povos árabes de destruírem Israel por completo – riscar Israel do mapa –, podem ser sinais da proximidade da segunda vinda de Cristo que será Rei sobre toda a terra. Um resumo que ele faz sobre o texto acima diz:

“O texto é claro em dizer que Gaza ‘terá grande dor’, ‘o rei de Gaza perecerá, e Asquelom não será habitada’, profecias descritas em Zacarias 9.5, falando das cidades palestinas mais duramente atingidas no conflito atual e também no versículo 6 ainda diz: ‘exterminarei a soberba dos filisteus (palestinos).’ Deus declara no versículo 8: ‘Acampar-me-ei ao redor da minha casa para defendê-la contra forças militantes’ e imediatamente na sequência do texto, Zacarias 9.9, descreve a vinda do Senhor Jesus, conforme a profecia já cumprida e descrita em Lucas 19.28 a 40. Mas o texto não para aí e em Zacarias 9.10 refere a respeito da vinda do Rei que ‘anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra’, uma clara referência à segunda vinda do Senhor Jesus, do mesmo modo que Isaías 9.6 menciona a primeira vinda e Isaías 9.7 descreve a segunda vinda de Cristo para estabelecer o Seu governo em Jerusalém sobre toda Israel com paz sem fim, juízo e justiça, desde aquele momento e para sempre. A sequência do texto de Zacarias no capítulo 9, bem como nos capítulos seguintes são referentes à segunda vinda do Senhor Jesus e o estabelecimento de seu Reino sobre todas as nações.

Outra parte da pergunta do Prof. Matheus Z. Guimarães diz: “Será que o Eterno usará o poderio militar de Israel para tal ou testemunharemos uma catástrofe natural?”. Considerando as vitórias de Israel sobre seus inimigos até hoje e o que afirmam as profecias, podemos afirmar que ambas as situações ocorrerão. Por ora, porém, para os palestinos, principalmente os membros do Hamás e nações vizinhas inimigas de Israel, antes mas próximo do reino do Messias, disse Deus: “Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém. E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-á contra ela todo o povo da terra” (Zc 12.2-3).

Veja mais sobre o assunto no vídeo a seguir:



Notas:

  • [3] O Ministério Ensinando de Sião “... é uma instituição de ensino bíblico, composta por não-judeus, descendentes de judeus e judeus. Apregoamos o ensino e a obediência aos Escritos judaicos da Torá (Pentateuco), dos Neviim (Profetas), dos Ketuvim (escritos) e da Brit Chadashá (Nova Aliança – Jr 31:31).  Com base em tais Escritos, cremos ser Yeshua haMashiach o Messias de Israel e veículo da redenção do Eterno, sendo primeiramente enviado há 2000 anos como ‘Mashiach Ben Yossef’, mas que em breve voltará trazendo redenção e paz para os da Casa de Israel e para todas as nações como ‘Mashiach Ben David’...”. Mais em: https://ensinandodesiao.com.br/pagina/66406/quem-somos. Acesso em: 06/02/2025.

23 dezembro 2024

Bispos e Papas (13): Vítor

 Por: Alcides Amorim 


Bispo Vítor I [1]


Continuando a lista dos bispos e papas, destacando inicialmente os listados por Eusébio de Cesareia, ele descreve a ordem dos bispos até o número 12 de seu livro História Eclesiástica (HE) [2], que foi Eleutero. Este aparece no final do seu livro 5, capítulo VI: “O décimo segundo desde os apóstolos no episcopado agora é Eleutero, na mesma ordem e na mesma doutrina...”.  Os demais bispos citados por ele, não aparecem na ordem numérica.

O próximo bispo, o número 13 na ordem dos bispos romanos, é Vítor. “No décimo ano do reinado de Cômodo, Eleutero, que tinha mantido o episcopado por treze anos, foi sucedido por Vítor...” (EC, 5, XXII). Na lista de todos os papas da Igreja Católica (p.ex., aqui), o nome Vítor é acrescido do número I (Vítor I) e corresponde ao 14º papa da lista, considerando que o Apóstolo Pedro também foi papa, juntamente com os demais bispos de Roma. Na Lista, há também o Vítor II (1055-1057), que ocupa a 153ª posição. 

As informações que transcrevemos sobre Vítor I são de fontes católicas, por exemplo, nesta [3] e nesta outra [4].

Vítor I:

  • Nasceu na atual Tunísia, norte da África. Portanto, o primeiro “papa” africano
  • Seu pontificado [ou bispado] foi marcado por definições importantes na liturgia da igreja, referentes a (o):

- Idioma: uso do latim na celebração da missa, ao invés do grego; 

- Batismo: uso de qualquer água no rito batismal;

- Páscoa: celebração no domingo, dia da ressurreição de Cristo;

- Domingo: dia mais importante da semana, em lugar do sábado judaico;

  • As definições litúrgicas acima foram institucionalizadas no primeiro Concílio de Niceia (325).
  • Vítor I também combateu heresias como o adocionismo [5], que ”... pregava que Jesus Cristo não era filho de Deus, mas um homem puríssimo e superior aos outros, adotado por Ele como seu filho...” (Nota 4).

Eusébio (5, XXIV) afirma que o bispo Vítor recebeu de Polícrates, líder dos bispos da Ásia, uma carta na qual afirma: “... assim observamos o dia genuíno, sem pôr nem tirar. Pois na Asia grandes luzes já dormem, as quais ressuscitarão no dia da manifestação do Senhor, em que Ele virá do céu com glória e levantará todos os santos... Todos eles [Filipe e João (apóstolos), Policarpo e outros] eles observam o décimo quarto dia da páscoa de acordo com o evangelho, não se desviando em nada, antes, seguindo a regra da fé...”. Eusébio afirma que Vítor tentou excomungar Polícrates e outros por terem tido essa opinião, mas depois reverteu sua decisão após Irineu e outros terem intercedido. Observe que aqui percebemos divergências doutrinárias entre as igrejas da Ásia e as de Roma...

Bem, segundo esta fonte , Vítor I foi papa entre 189 a 199. E no vídeo, a seguir, veja mais sobre o Bispo ou papa Vítor I.


Notas / Referências bibliográficas:

17 dezembro 2024

Ciro, o persa... e outros

Por: Alcides Barbosa de Amorim

O rei Ciro, ao qual nos referimos aqui, também chamado de Ciro II e Ciro, o Grande, foi responsável pela formação do Império Persa e a efetivação de uma política de expansão territorial, consolidando um dos maiores impérios da Antiguidade. E também foi um instrumento de Deus em favor de Israel, chamado inclusive por Deus de “meu pastor” e meu “ungido”.

Ciro, o grande, com o seu cilindro [1]

1.  Ciro e o Império Persa

O planalto do Irã, região montanhosa e desértica, situado à leste do Crescente Fértil [2], entre a Mesopotâmia e a Índia, foi povoado pelos medos e pelos persas. A princípio, os persas eram dominados pelos medos. Essa situação se inverteria por volta de 559 a.C., pois nessa época, sob o comando de Ciro, os persas dominaram os medos e passaram a controlar a região.

Com Ciro, os persas se estenderam por um largo território e conquistaram vários reinos como Babilônia, Egito, Reinos da Lídia, Fenícia, Síria, Palestina e regiões gregas da Ásia Menor. Ciro governou entre 559 e 530 a.C.

Ciro era descendente de Teispes, neto de Ciro I e filho de certo Acaemênio Cambises. Dentre suas virtudes destacamos o fato de que ele respeitava os costumes e religiões dos povos conquistados e defendia os direitos humanos. Por conta disto Ciro gozava de elevada reputação também entre os judeus.

Ciro era da Dinastia Aquemênida e depois dele, segue a lista de reis desta dinastia [3]: Cambises II (530-522 a.C.); Esmérdis (522 a.C.); Dario I, o Grande (522-486 a.C.); Xerxes I (486-465 a.C.); Artaxerxes I (465-424 a.C.) etc., até a conquista do Reino por Alexandre, o Grande (336-323 a.C.). Para nosso propósito, no entanto, queremos destacar apenas a pessoa de Ciro, o Grande, e como ele chegou à Babilônia, em 539 a.C., pondo fim à hegemonia babilônica, como – teologicamente falando – um instrumento de Deus para a realização de sua vontade naquele momento histórico, sobretudo em favor de Israel.

2.  Ciro e a conquista de Babilônia

Em Isaías 44.28 se lê: “Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado”. Ligando os textos bíblicos com a história, sabemos que aqui foi a primeira vez que Ciro é mencionado pelo nome. E o nome Ciro foi profetizado por Isaías cerca de mais de 150 anos antes de ele nascer, pois Isaías profetizou entre 740 e 701 a.C. e Ciro, o persa, reinou entre 559 e 530 a.C.

Deus governa sobre toda a terra usando pessoas como instrumentos para cumprirem seus propósitos. No texto de Isaías 44.24 até 45.25, o instrumento que Deus usou foi Ciro, chamando-o, inclusive de “meu pastor” (44.28) e “ungido” (45.1). Com esse último título (ungido), por exemplo, Ciro é, em determinado sentido, considerado o precursor gentio, ou tipo do Messias: Jesus Cristo. W. Fitch [4] destaca que “... Flavo Josefo (Antiguidades [5], 11:1, seção 2) registra que mostraram a Ciro esta profecia quando ele entrou na Babilônia, resolvendo logo o monarca dar-lhe cumprimento...”. Sabe-se que Isaías faleceu provavelmente em 701 a.C., e em seu trabalho sobre o assunto Gabriel Girotto Lauter afirma que “... isso faz com que muitos tenham dificuldade em crer que se trata de uma profecia genuína, mas defendem que essa porção do livro tenha sido escrita no período em que os fatos aconteceram...[6]”. Mas, como sabemos pelas Escrituras, Deus anuncia o “fim” desde o “princípio” e “... desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam...” (Is 46.10).

Considera-se que a expressão “Que diz a profundeza: ‘seca-te’” (Is 44.27) seja um ardil de que Ciro se serviu para conquistar Babilônia. Nabonido era o rei na época e foi o último governante da Babilônia. “Por artes de engenharia, [Ciro] desviou as águas do Eufrates do seu curso através da cidade, e fez com que os seus soldados entrassem nela pelo leito seco do rio” (Fitch, Nota 4). Isto ocorreu em 539 a.C. Mas, segundo ainda Lauter, “... as tropas de Ciro sitiaram a cidade e seu general entrou nela sem precisar lutar. O povo da Babilônia recebeu Ciro como libertador e não como conquistador...” (Idem, Nota 6). Heródoto, segundo Fitch, informa ainda que “... as portas de Babilônia eram em número de cem. Todas elas se abrirão [abriram] de par em par, revelando tesouros ocultos, escondidos nas caves e lugares secretos da cidade[7]. Bem, podemos resumir o que diz a Bíblia acerca de Ciro, assim, conforme os cinco primeiros versos do capítulo 45 de Isaías:

  • Deus escolheu Ciro como seu agente para cumprir sua divina vontade. E ai dos que se opusessem ao seu governo!
  • Deus o ungiria como rei, iria à sua frente e aplanaria as montanhas.
  • Deus arrebentaria portões de bronze e quebraria trancas de ferro.
  • Deus lhe daria tesouros escondidos e riquezas guardadas em lugares secretos.
  • Ciro cumpriria a vontade do Deus de Israel mesmo não conhecendo-O.

Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros escondidos, e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses. Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças...” (Is 45.1-5).

3.    O decreto de Ciro e o fim do cativeiro

Importante destacar que o Soberano Deus usa reis e outras importantes personalidades como Lhe apraz, seja para castigar ou abençoar o seu povo. Por exemplo, Deus usou também outro rei, este último, porém, com caráter e postura muito diferentes de Ciro, há uns 70 anos antes, por volta de 607 a.C., que foi Nabucodonosor, chamando-o “meu servo” (Jr 27.6), para castigar seu povo, levando-o cativo para a Babilônia. “E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de babilônia setenta anos” (Jr 25.11), disse o Senhor. Mas “... no ano primeiro de Dario [8], filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus” (Dn 9.1), Daniel entendera pela leitura dos escritos de Jeremias (Dn 9.2), que o cativeiro estava chegando ao fim. E se pôs a orar ao seu Deus. A resposta vinda a ele pelo anjo Gabriel (Dn 9.21) fala da “... ordem para restaurar e para edificar Jerusalém...” (v. 25) até do surgimento do “... príncipe, que há de vir...” (v. 26), assunto do qual já falamos aqui.

Sabemos que a ordem de saída trata-se do edito de Ciro, assinado em 538 a.C., que põe fim ao cativeiro babilônico. Isto significa que Ciro tomou esta decisão um ano após ter conquistado o Império Babilônico. Veja 2Cr 36.22,23; Ed 1.2; 5.13; 6.3. Ciro também devolveu os vasos pertencentes ao templo (Ed 1.7) e proveu fundos para a obra de reabilitação de Judá (Ed 3.7).

O texto do decreto de Ciro tal como foi descrito em Esdras 1.1-4, “... poderia sugerir que Ciro cria em Jeová. No entanto, sabemos pelas inscrições do próprio Ciro que ele também atribuiu as suas vitórias ao deus babilônico Marduc. É provável que Ciro sentisse respeito por vários deuses em geral e redigisse os seus decretos a todas as nações. Provavelmente pediu a qualquer dirigente judaico (quem sabe se Daniel) para redigir o decreto de forma que este fosse aceitável para os judeus[9]. Ciro era benquisto por todos os seus governados, mas não alguém que se convertera ao Deus dos judeus. Mesmo assim, Deus o usou pois como Ele diz: “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos” (Jr 27.5); “... o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer" (Dn 4.32). Aliás, a referência de Daniel 4.32, é uma continuação da explicação de Daniel a respeito do sonho que Nabuconosor teve, que dizia respeito à queda da “grande Babilônia”, assim considerada pelo rei. "A sentença sobre Nabucodonosor cumpriu-se imediatamente. Ele foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu, até que os seus cabelos e pelos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras de uma ave” (Dn 4.33). O Império Persa também chegou ao fim, em 330 a.C. através do grande rei Alexandre da Macedônia. Veja: “Agora, pois, vou dar-lhe a conhecer a verdade: Outros três reis aparecerão na Pérsia, e depois virá um quarto rei, que será bem mais rico do que todos os outros. Quando ele tiver conquistado o poder com sua riqueza, instigará todos contra o reino da Grécia. Então surgirá um rei guerreiro, que governará com grande poder e fará o que quiser” (Dn 11.2-3). O rei guerreiro (poderoso) mencionado no verso 3 trata-se de Alexandre, o Grande. Mas o fim deste também já estava previsto: “Depois que ele [Alexandre] surgir, o seu império se desfará e será repartido para os quatro ventos do céu. Não passará para os seus descendentes, e o império não será poderoso como antes, pois será desarraigado e dado a outros” (v. 4). E assim, temos uma sucessão de reinos e governantes até a volta do”... REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16).

4.  Existem “Ciros” nos dias atuais?

Como dissemos acima, Deus usou no passado e ainda usa – no presente –, pessoas para exercerem determinadas tarefas segundo a sua vontade no mundo, sejam elas pessoas honestas, religiosas ou não. Normalmente – podemos afirmar – que Deus interfere na história quando determinados fatos têm relação direta com Israel. Devemos lembrar que segundo a Bíblia, quem não é judeu ou israelita é chamado de “gentio”[10(ou estrangeiro), e embora a graça de Deus abranja toda a humanidade [11], há uma aliança dEle específica com seu povo: Israel. De modo que todos que aceitam crer e servir a Deus, tornando-se parte da Igreja de Cristo, têm que ter em mente que o Deus em quem eles creem como cristãos é antes de tudo o Deus de Israel. Portanto, o Deus dos cristãos é o mesmo Deus dos judeus. Não é concebível ser cristão e antissemita, por exemplo. A propósito, veja este meu artigo sobre o assunto: Semitismo, antissemitismo e xenofobia.

Seguindo este raciocínio, podemos dizer que outros “Ciros” (figurativamente e talvez de menor importância) foram e estão sendo usados hoje através da história, para o bem de Israel e de sua Igreja, assim como outros “Nabucodonosores”, “Faraós” ou “Herodes”..., mas para o castigo e/ou disciplina do seu povo. Interferência na história e negócios dos homens é um dos meios como Deus como “Senhor da História”. A tolerância dos pecados homens tem um tempo determinado por Deus. Assim, podemos dizer que Deus interviu em alguns momentos da história modificando seu rumo e permitiu em outros momentos as ações de governantes – inclusive tiranos – para um julgamento posterior. Diversas passagens bíblicas como Ezequiel 38 e 39, Zacarias 12 e 14, Apocalipse 14 etc., tratam do juízo de Deus no futuro, de nações rebeldes e inimigas de Israel. Disse Deus: “Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra” (Pv 8.15,16 – NVI).

Bem, sobre o holocausto, por exemplo, será que Hitler foi usado ou teve permissão de Deus para praticar aqueles horrores que ele fez aos judeus, matando cerca de seis milhões deles? Ele se gabava, por exemplo, de ter sido escolhido por Deus para castigar os judeus. Aliás, veja aqui, qual foi também a posição cristã católica (mais especificamente, do Papa Pio XII)  e protestante (principalmente de Dietrich Bonhoeffer) sobre as atitudes de Hitler durante a segunda guerra mundial.

Em linhas gerais, como nos Estados Modernos não há reis com poderes absolutos (ou não deveriam ter) e sim democráticos, que dependem da escolha dos seus líderes pelos cidadãos de seus respectivos países, entendo – como um cristão conservador – que para errarmos menos, devemos votar em nossos representantes, seja do Poder Legislativo, mas principalmente do Executivo, que, em linhas gerais, sejam pró-Israel; defensores da cultura judaico-cristã – não se trata de defesa do etnocentrismo ocidental ou do cristianismo apenas –, conservadores que reconhecem os fundamentos do Cristianismo e da Bíblia como alicerce da civilização ocidental; defensores de princípios como honestidade, família tradicional (pai, mãe, filhos), liberdade de comércio, de imprensa e de crença (seja ela qual for); que sejam defensores do Estado laico e não laicismo... Além disso, por princípio, os conservadores são contrários ao Comunismo e defensores do Capitalismo. Como já falamos aquio conservadorismo implica em preservar valores, costumes e tradições da cultura judaico-cristã. Portanto, se alguém é antissemitista, e anticristão, por exemplo, não pode ser considerado um conservador, ao passo que na sociedade, alguém que mesmo não sendo ... cristão, mas aceita os valores cristãos como moral, ética etc., conseguem conviver muito bem com os conservadores...”.

Votando então à questão de que se existem “Ciros” nos dias atuais, podemos afirmar que governantes que consideram os princípios acima sine qua non em sua administração podem ser um Ciro moderno. E acrescento que os que assim o fazem presenciam prosperidade econômica e social em seus países, com as devidas proporções, obviamente, porque na sociedade, aqueles que não aceitam tal postura lutam (e muito) contra suas aplicações das medidas que defendem.

Um exemplo de líder político conservador que até certo ponto, pode se assemelhar a um “Ciro” moderno é Donald Trump nos EUA. Uma matéria do Portal Vox [12], publicada em março de 2018, trazia o título: A história bíblica que a direita cristã usa para defender Trump. A história bíblica é exatamente a de Ciro, o persa. Segundo a matéria, há até uma moeda mostrando Trump e Ciro lado a lado. O apelo e o desejo da direita estadunidense de ver Trump presidente do seu país (agora, novamente eleito), significa que esta (grande) parcela da sociedade norte-americana goza dos mesmos princípios que Trump. Acho que estas pessoas não esperam um Trump santo, mas um líder que defende os princípios descritos acima: judaico-cristãos e base da civilização ocidental. Mas o que mais leva em conta na comparação de Trump com Ciro é o fato de ambos defenderem Israel. A maioria dos que apoiam e votam em Trump, portanto conservadores, é cristã. E estes cristãos entendem que a bênção de Abraão está sobre os que apoiam os filhos de Abraão: “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3).

De 2016 para cá, passei a observar o perfil de outro líder político brasileiro: Jair Bolsonaro. Na época, eu ainda achava que PSDB, por exemplo, era partido de direita. Mas quando percebi que Bolsonaro não era bem quisto nem pela extrema esquerda e nem pelos psdbistas passei a questionar o porquê daquele deputado federa na época ser tão perseguido. Mais adiante, em setembro de 2018, quando levou uma facada acabei descobrindo que quem eu achava ser de direita, na verdade era apenas uma oposição faz-de-conta da extrema-esquerda. Foi nesta época que conheci a expressão de Olavo de Carvalho: “o teatro das tesouras”. A defesa da crença em Deus, de apoio a Israel, da família tradicional etc., foram os temas que mostram a grande diferença entre os verdadeiros conservadores e os demais. Jair Bolsonaro está sempre cercado de apoiadores e conta com grande popularidade dos conservadores, cristãos, em sua maioria. E mesmo inelegível (no momento, pelo menos – dezembro de 2024) [13] e mesmo depois de tanta perseguição que sofreu durante o seu governo (2019-2022), ainda mantém seu slogan: “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. Portanto, embora odiado pela esquerda ele é recompensado pelo apreço da maioria dos cristãos por conta desta sua defesa dos mesmos princípios conservadores, mas que – podemos afirmar – seus princípios servem para todos. O país de Jair Bolsonaro é muito diferente do de Trump, e não teria a mesma relevância. Quando o Presidente dos EUA fala ou toma alguma medida, esta tem repercussão internacional. A mesma atitude de Jair Bolsonaro não teria o mesmo efeito, mas seu país e parte do mundo seriam beneficiados como já foi entre 2019 e 2022, em meio a um turbilhão de críticas de opositores, pandemia, justiça trabalhando contra e assim por diante. Por que ele não foi reeleito em 2022? Bem, este é assunto do qual não podemos falar hoje no Brasil. Outros líderes conservadores, como Javier Milei, na Argentina, Nayib Bukele em El-Salvador, Giorgia Meloni na Itália e outros seguem no mesmo caminho.

Concluindo, o governo de Ciro, o persa, é visto como um governo ideal. Deus usou sua pessoa e outros como seus instrumentos e também abençoa os que têm os princípios conservadores como norteadores de suas administrações. Mas embora, mesmo sendo cidadãos que votamos para escolher nossos representantes, não podemos nos esquecer de que Deus governam as nações. E ao que espiritualmente observo, Deus está permitindo nosso país passar pelo que está passando: Judiciário aliado a um Executivo de extrema-esquerda, portanto contrário aos princípios conservadores. Diz a Palavra de Deus: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas” (Rm 13.1). Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra” (Pv 8.15,16). “Na verdade, as nações são como a gota que sobra do balde; para ele [o Senhor] são como o pó que resta na balança; para ele as ilhas não passam de um grão de areia” (Is 40.15). Que as Nações atuais tenham ou não seus Ciros, o certo é que:

“Já refulge a glória eterna de Jesus, o Rei dos reis

Breve os reinos deste mundo seguirão as Suas leis

Os sinais da Sua vinda mais se mostram cada vez

Vencendo vem Jesus...

(...)

E, por fim entronizado, as nações irá julgar

Todos, grandes e pequenos, o Juiz hão de encarar

E os remidos, triunfantes, lá no Céu irão cantar

Venceu o Rei Jesus!!!”

(in: Cantor Cristão: 112) [14].



Notas / Referências bibliográficas
:

  • [2] O Crescente Fértil “... corresponde a uma região do Oriente Médio, com aproximadamente 500 mil km2 de extensão. Está localizada entre a Jordânia, Líbano, Síria, Egito, Israel, Palestina, Irã, Iraque e parte da Turquia. Abriga grandes rios tal qual o Nilo, Tigre, Eufrates e Jordão. Todos eles tornaram a agricultura o principal meio de subsistência das primeiras grandes civilizações da antiguidade oriental... O ‘Crescente Fértil’ ou ‘Meia Lua Fértil’ recebe esse nome uma vez que a região, se olhada no mapa, possui a forma de uma lua em estágio crescente...”. In: <https://www.todamateria.com.br/crescente-fertil/>. Acesso em: 06/12/2024.
  • [4] FITCH, W. Isaías. Apud: SHEDD, Russel P., Editor. O Novo Comentário da Bíblia, Vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1963 (1ª ed.)., pág. 724.
  • [5] FLÁVIO JOSEFO foi um escritor e historiador judeu do século I d.C. Dentre suas obras está Antiguidades Judaicas (AJ). As Antiguidades dos Judeus detalham a história do povo judeu desde a narrativa da criação (Gênesis no Antigo Testamento) a época da escrita de Josefo (Novo Testamento e depois).
  • [6] LAUTER. Gabriel Girotto. Um estudo das profecias sobre Ciro presentes no livro do profeta Isaías. Disponível em:  <https://revista.batistapioneira.edu.br/index.php/ensaios/article/view/102/141>. Acesso em: 09/12/2024.
  • [7] In: FITCH, Nota 4, pág. 724.
  • [8] Dario I, o Grande (522-486 a.C.), foi o quarto rei da Dinastia Aquemênida. Como o Decreto de Ciro, dando oportunidade para os judeus voltarem para sua terra foi assinado em 538 a.C., entende-se que esta oração de Daniel ocorreu cerca de pelo menos uns trinta anos depois. E muita gente ainda não tinha voltado para Israel nesta época.
  • [9] WRIGHT, J. Stafford. Esdras. Apud: SHEDD, Russel P., Editor. O Novo Comentário da Bíblia, Vol. I. São Paulo: Vida Nova, 1963 (1ª ed.)., pág. 431.
  • [10] Os hebreus, povo escolhido por Deus, através de Abraão, com o tempo teve seu Estado, chamado Reino de Israel. Depois de Salomão, houve uma divisão do reino em Israel, formado por dez tribos do Norte, e Judá, formado por duas tribos do Sul. São as tribos do Sul que foram levadas por Nabucodonosor para a Babilônia. Depois disto, o adjetivo judeu (de Judá) passou também a ser sinônimo de hebreu e israelita. O profeta Daniel fala que depois da 69ª semana (Dn 9.25-26 = 7 semanas + 62 semanas) o Messias (Jesus) seria cortado (morto). Jesus veio para todos: judeus e não-judeus, estes chamados de gentios. De judeus e gentios, Jesus, que “... de ambos os povos [judeus e gentios] fez um...” (Ef 2.14) formou sua Igreja. Portanto, os povos bíblicos são: judeus (povo escolhido), gentios (não-judeus) e igreja (judeus e gentios que receberam Cristo como seu Senhor e Salvador). Veja também a nota seguinte.
  • [11] Jesus “... veio para o que era seu [Israel], e os seus [maioria dos israelitas] não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam [Igreja], deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1.11-12).
  • [13] Enquanto escrevo isto – 14 de dezembro de 2024 –, ouço a notícia da prisão do ex-Chefe do Estado-Maior do Exército do Governo Bolsonaro (2019-2022). Por isso, acho que o caminho para a prisão do líder maior dos conservadores brasileiros, Jair Bolsonaro está aberto e a ditadura do Judiciário já está instalada no Brasil.
  • [14] Louvor "Vencendo Vem Jesus", apresentado pelo local da Igreja Memorial Batista/Brasília. In: <https://www.youtube.com/watch?v=uPn7eHATdS0>. Acesso em: 16/12/2024.