Translate

8 de agosto de 2026

As Duas Cidades: Igreja, Estado e a Ética Cristã na Vida Pública

Por: Alcides Amorim 

Sr Sonia Cerdenia, PDDM (@soniapddm) on X

Dois amores fundaram duas cidades” (Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus).

Buscai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz” (Jr 29.7).

A obra A Cidade de Deus, escrita por Agostinho de Hipona no século V, permanece como uma das mais profundas reflexões cristãs sobre a relação entre fé, sociedade e poder. Sua distinção entre a Cidade de Deus (Civitas Dei) e a cidade terrena (Civitas Terrena) oferece uma chave importante para compreender não apenas a história, mas também a presença e a responsabilidade do cristão na vida pública.

Essas duas cidades não correspondem simplesmente a territórios, governos ou instituições. Elas representam, antes, duas orientações fundamentais do coração humano: dois amores, dois conjuntos de valores e duas maneiras de compreender a existência. De um lado, o amor a Deus, que conduz à justiça e ao serviço; de outro, o amor-próprio desordenado, que pode transformar a busca por reconhecimento, poder e glória em finalidade da própria vida.

É justamente nesse contraste que a reflexão de Agostinho continua atual. A questão não é simplesmente saber quem governa, qual partido vence ou qual modelo político prevalece. A questão mais profunda é: que tipo de amor orienta aqueles que exercem o poder e aqueles que participam da vida pública?

Na verdade, a obra A Cidade de Deus, de Agostinho, permanece como uma das lentes mais profundas para compreender a relação entre a fé cristã, a sociedade e a ação política. No centro do tratado agostiniano encontra-se a distinção entre duas comunidades espirituais e morais. Elas não são definidas por fronteiras geográficas, políticas ou institucionais, mas pelo objeto de seu amor. A Cidade de Deus é formada por aqueles que vivem pelo amor a Deus, até o desprezo de si mesmos, orientados pela justiça divina e pelo verdadeiro bem. A cidade terrena, por sua vez, caracteriza-se pelo amor-próprio levado até o desprezo de Deus, manifestando-se na busca desordenada por glória, poder e exaltação pessoal.

Para Agostinho, a verdadeira grandeza do homem não está no poder, na glória ou no reconhecimento público, mas na justiça que orienta sua vida. Quem busca viver retamente não faz da aprovação humana o objetivo de sua existência. O reconhecimento pode até acontecer como consequência de uma boa conduta, mas não deve se tornar a razão de agir. O que importa, em última análise, não é ser admirado pelo poder que se exerce, mas ser reconhecido pela justiça que se pratica.

Na história presente, essas duas cidades caminham entrelaçadas. Não constituem dois territórios politicamente separados, nem podem ser identificadas simplesmente com instituições humanas. Sua distinção é, antes de tudo, espiritual e moral: uma se orienta pelo amor a Deus; a outra, pelo amor desordenado de si mesma. É justamente nesse cenário de convivência histórica que se deve compreender a Igreja.

A Igreja não deve ser confundida com a totalidade do Reino de Deus em sua consumação escatológica. Ela é a comunidade peregrina daqueles que pertencem a Cristo e aguardam a plena manifestação de seu Reino. Inserida no mundo, mas não reduzida aos seus valores, a Igreja testemunha, pela fé, pela Palavra e pela prática cristã, uma ordem de valores que não nasce dos consensos culturais, mas do senhorio de Cristo.

Ao mesmo tempo, a Igreja visível permanece uma comunidade histórica e, portanto, imperfeita. A própria parábola do trigo e do joio recorda que a separação definitiva não pertence aos homens, mas ao juízo de Deus: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro” (Mt 13.30).

Essa perspectiva é fundamental para compreender também os limites da ação política. O Estado pertence à ordem temporal da vida humana. Em razão da condição caída do homem, instituições, leis e autoridades civis tornam-se necessárias para conter a violência, preservar a ordem e promover uma medida possível de justiça e paz. Agostinho não considera o Estado um instrumento de salvação nem acredita que qualquer estrutura política possa produzir, por si mesma, a perfeição moral da sociedade. Seu papel é temporal e limitado.

A chamada “paz terrena” possui, portanto, valor real, mas não deve ser confundida com a paz definitiva do Reino de Deus. Governos passam, sistemas políticos se transformam e impérios desaparecem. A história de Roma, conhecida tão de perto por Agostinho, tornou-se uma demonstração concreta da fragilidade das realizações humanas. Nenhuma ordem política é eterna.

Conforme observa Bengt Hägglund[1], a tensão entre essas duas cidades não se resolve historicamente pela substituição imediata de uma pela outra, mas permanece até a consumação final. A distinção agostiniana, portanto, permite compreender a história humana como o espaço em que diferentes amores, valores e finalidades coexistem e se confrontam. A cultura, a sociedade e a política tornam-se, assim, campos nos quais se manifestam tanto os efeitos da queda quanto os sinais da graça comum de Deus.

Essa compreensão possui importantes implicações éticas. Quando tratamos da cultura e da ética no contexto dos reinos dos homens, ligados ao Primeiro Adão, e do Reino de Deus, ligado ao Segundo Adão[2], torna-se necessário reconhecer que nenhum sistema político pode reivindicar para si a plenitude do Reino de Cristo.

O cristão participa da vida social e política, mas não deposita nela sua esperança última. Ele respeita as autoridades, cumpre seus deveres civis, participa legitimamente da vida pública e procura promover o bem de sua comunidade. Entretanto, sua cidadania terrena está subordinada à sua cidadania celestial.

Essa verdade é especialmente importante diante da tentação de transformar a política em objeto de fé. Nenhum partido, ideologia, governo ou candidato pode ser identificado com o Reino de Deus. Da mesma forma, nenhum adversário político deve ser transformado em símbolo absoluto do mal. A consciência cristã precisa resistir tanto à idolatria do poder quanto à demonização daqueles que pensam de maneira diferente.

A parábola do trigo e do joio também nos recorda os limites do julgamento humano. A lavoura pertence ao seu verdadeiro Dono, e a ceifa ocorrerá no tempo determinado por Ele. Isso não significa que o cristão deva abandonar o discernimento moral ou permanecer indiferente diante da injustiça. Significa, antes, que seu discernimento deve ser exercido com humildade, reconhecendo que nenhum ser humano ou instituição possui autoridade para ocupar o lugar do Juiz definitivo.

Essa consciência é particularmente relevante para os cristãos que participam da vida pública, inclusive como candidatos, governantes ou agentes políticos. O poder deve ser compreendido como responsabilidade, e não como instrumento de autoexaltação. A autoridade política é legítima enquanto serve ao bem público; torna-se moralmente corrompida quando é transformada em mecanismo de dominação, enriquecimento pessoal, mentira ou instrumentalização da fé.

Para o eleitor cristão, especialmente diante das intensas disputas e polarizações políticas do Brasil contemporâneo, a perspectiva agostiniana funciona como um importante antídoto contra a idolatria política. O cristão pode escolher candidatos, avaliar propostas e participar do processo eleitoral de acordo com sua consciência e seus princípios éticos. Entretanto, deve fazê-lo sem atribuir a qualquer projeto político a capacidade de inaugurar o Reino de Deus.

As escolhas políticas devem, portanto, ser orientadas por critérios de justiça, responsabilidade, defesa da dignidade humana, cuidado com os vulneráveis, promoção da paz e respeito à ordem social. Mesmo quando uma decisão política produz resultados positivos, eles serão sempre parciais e provisórios. A política terrena pode e deve ser utilizada para o bem comum, mas jamais deve ser amada como um fim último.

A distinção entre as duas cidades não conduz, portanto, à fuga da sociedade, mas a uma participação mais lúcida nela. O cristão não abandona a cidade terrena; vive nela como peregrino, consciente de que sua esperança definitiva está além dela. Sua responsabilidade pública nasce justamente dessa consciência: ele participa sem idolatrar, exerce autoridade sem se exaltar, defende princípios sem transformar adversários em inimigos absolutos e trabalha pelo bem temporal sem perder de vista o bem eterno.

Em suma, a consciência de pertencer à Cidade de Deus liberta o cristão tanto do desespero quanto do fanatismo político. Os governos passam, os impérios caem e as estruturas humanas se transformam. A própria Roma que Agostinho conheceu em sua grandeza experimentou a fragilidade do poder terreno. O Reino de Cristo, porém, não depende da permanência de qualquer estrutura política.

Ao participar da vida pública, o cristão permanece, ao mesmo tempo, cidadão de sua cidade terrena e peregrino em direção à pátria celestial. Respeita as leis, busca a paz da sociedade onde Deus o colocou, exerce com responsabilidade seus deveres civis, vigia contra as seduções do poder e mantém sua esperança final naquele Reino cujo Rei não passa e cujo domínio não terá fim.

Veja também:

§  A democracia é uma forma cristã de governo?

§  Nossa cidadania está nos céus.

 

Notas / Referências bibliográficas:

  • [1HÄGGLUND. In: AMORIM, Alcides Barbosa de. Fé, cultura e razão: fundamentos éticos da cosmovisão protestante. Pindamonhangaba/SP: Clube de Autores, 2026, p. 295-296.

  • [2AMORIM, Alcides Barbosa de. Fé, cultura e razão: fundamentos éticos da cosmovisão protestante. Pindamonhangaba/SP: Clube de Autores, 2026, cap. 12.

31 de julho de 2026

O espantalho

 Por: Alcides Amorim 


Ainda menino, por volta dos dez anos de idade, costumava ajudar meu pai na pequena lavoura de arroz, no estado do Paraná. Uma de minhas tarefas era espantar os passarinhos que, em bandos, desciam sobre a terra recém-semeada para comer os grãos antes que germinassem. Munido de um estilingue, algumas pedras e muita disposição, passava boa parte do tempo correndo de um lado para outro, gritando e batendo palmas para afastá-los. No meio da lavoura havia também um espantalho. Vestia roupas velhas, usava um chapéu de palha e permanecia imóvel, como um sentinela. Sua missão era a mesma que a minha. Mas os passarinhos logo descobriram que ele era incapaz de lhes causar qualquer ameaça. Em pouco tempo, já pousavam tranquilamente sobre seus braços, indiferentes à sua presença. Minhas ações – enquanto eu estava presente na lavoura - que os espantavam.

Recentemente, deparei-me com uma simulação digitalizada, uma imagem sintética – mas esta falava! – que recriava a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro sob uma estética peculiar já que o mesmo não podia comparecer nem falar. Confesso que a imagem não me fez rir. Ela me fez pensar.

A analogia com a infância saltou-me aos olhos, mas por uma lógica estritamente inversa. Na política brasileira atual, o "espantalho" não foi esvaziado pelo tempo; ele foi transformado em um alvo fixo por aqueles que temem o que ele representa. Fora do embate eleitoral direto, cassado e silenciado pelas engrenagens do sistema, Bolsonaro foi forçado a ficar imóvel como aquele sentinela da lavoura de arroz. No entanto, ao contrário do boneco de palha da minha infância, a simples simulação de sua imagem ainda é capaz de causar calafrios e reações desmedidas em uma vasta ala do cenário nacional. Quem são, afinal, estes "muitos" que ainda se espantam com a mera projeção de sua figura?

Os primeiros a se assustarem são os ocupantes dos altos gabinetes de Brasília e os burocratas institucionais. Para esse establishment, a figura de Bolsonaro nunca foi apenas a de um indivíduo, mas o canalizador de uma força popular conservadora que eles não conseguem compreender nem controlar. Cada inquérito, cada barreira jurídica e cada tentativa de apagamento político funcionam como pedradas de um estilingue institucional contra o sentinela. O pânico deles reside no fato de que, mesmo amarrado ao poste da inelegibilidade, a sombra do espantalho continua projetando a vontade de milhões de brasileiros que recusam o pensamento único.

O espanto estende-se também à velha imprensa e à elite cultural, que assistem, perplexas, à eficácia da imagem sobre o argumento. Para esses setores, o debate deveria ser controlado por narrativas acadêmicas e discursos herméticos. Mas a imagem sintética e popular de Bolsonaro atua como um curto-circuito nesse monopólio. Ela dialoga diretamente com o homem comum, com o produtor rural e com o trabalhador que enxergam naquela silhueta uma defesa de seus valores mais profundos: a família, a liberdade e a pátria. Os "donos do debate" se apavoram porque percebem que nenhuma teoria sociológica sofisticada consegue anular a conexão visceral gerada por um simples aceno ou por um meme que circula no WhatsApp ou YouTube.

Essa perseguição obsessiva ganha contornos de engenharia social em tempos de inteligência artificial. Estamos debatendo pessoas reais ou espantalhos cuidadosamente inflados para justificar o arbítrio? O sistema constrói uma caricatura monstruosa do líder conservador para, sob o pretexto de combater um "perigo iminente", avançar sobre as liberdades individuais de qualquer cidadão comum. Cria-se o espantalho do extremismo para que a sociedade aceite, anestesiada, a censura e o silenciamento de vozes dissonantes.

O paradoxo da lavoura ou do espantalho contemporâneos é revelador. Enquanto os poderosos gastam energia, tempo e recursos públicos tentando desestabilizar e rasgar o manto daquele que decidiram isolar, a semente da direita conservadora continua germinando no solo brasileiro. A política atual fabrica o medo em torno de um homem silenciado porque sabe que, no fundo, o verdadeiro perigo para o sistema não é o boneco ou a imagem - que fala em seu nome – em si. O verdadeiro temor da elite é o despertar da imensa plantação que aprendeu a olhar para o horizonte sem medo dos predadores da liberdade.

E por falar em liberdade – mas nem tanto, diante do cerceamento que testemunhamos disfarçado de legalidade –, fico por aqui. A tentativa obsessiva de silenciar uma liderança e, por tabela, os milhões que nela se enxergam, apenas evidencia o quanto as nossas liberdades fundamentais estão sob constante ameaça daqueles que deveriam protegê-las. Recordo-me, neste momento, da advertência do filósofo e pensador político conservador Edmund Burke: "O povo nunca entrega suas liberdades, exceto sob alguma ilusão". No Brasil atual, a ilusão vendida é a de que, derrubando o espantalho, a colheita estará segura; a dura realidade, porém, é que o verdadeiro alvo das foices institucionais sempre foi a nossa própria capacidade de plantar e colher em liberdade.

28 de julho de 2026

De que forma o relativismo cultural influencia a sociedade?

O que diz a Bíblia?

O relativismo cultural é o princípio de que as crenças e práticas de uma pessoa devem ser compreendidas e avaliadas dentro de seu próprio contexto cultural, em vez de serem julgadas pelos padrões de outra cultura. A Bíblia não aborda diretamente o relativismo cultural, pois esse conceito surgiu muito depois da escrita das Escrituras. No entanto, ela fornece princípios para a compreensão das diferenças culturais, mantendo padrões morais absolutos. A Palavra de Deus reconhece a diversidade entre os povos (Atos 17:26-27), ao mesmo tempo que afirma verdades universais e absolutos morais (Êxodo 20:1-17; Romanos 2:14-15). A Bíblia ensina que, embora os costumes possam variar, os padrões de justiça de Deus permanecem constantes (Malaquias 3:6). Ela também mostra como Deus agiu em diversos contextos culturais para revelar a Sua verdade (Atos 17:22-31), embora tenha chamado as pessoas a um padrão mais elevado com base em Seu caráter e em Seus mandamentos (Levítico 18:1-5; 1 Pedro 1:14-16).

Do Antigo Testamento

·     Gênesis 18:25: “Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio e tratar justo e ímpio da mesma maneira! Longe de ti! Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” Abraão apela para um padrão universal de justiça, sugerindo absolutos morais que transcendem a cultura.

·     Levítico 18:3-4: “Não farão como fazem na terra do Egito, onde viveram, nem como fazem na terra de Canaã, para onde os estou levando; não andarão nos seus estatutos. Guardarão as minhas leis, observarão os meus estatutos e andarão neles. Eu sou o Senhor, seu Deus.” Deus chama o seu povo a seguir os seus padrões, em vez dos das culturas vizinhas.

·     Deuteronômio 12:28: “Tenham o cuidado de obedecer a todas estas palavras que eu lhes ordeno, para que tudo lhes corra bem, a vocês e aos seus filhos depois de vocês, para sempre, porque vocês estarão fazendo o que é bom e reto aos olhos do Senhor, o seu Deus.” Este versículo enfatiza a obediência aos mandamentos de Deus como padrão para uma vida correta, independentemente das normas culturais.

·     Jeremias 10:2-3: “Assim diz o Senhor:Não aprendam os costumes das nações, nem se assustem com os sinais do céu, ainda que as nações se assustem com eles, pois os costumes dos povos são inúteis…’” Isso nos adverte contra a adoção cega de práticas culturais que contradizem os caminhos de Deus.

Do Novo Testamento

·     Atos 17:26-27: “De um só homem Deus fez todas as nações, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos onde deveriam viver. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós.” Paulo reconhece a diversidade cultural, ao mesmo tempo que afirma uma origem e um propósito comuns para toda a humanidade.

·     Romanos 12:2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Este versículo encoraja os crentes a avaliarem os padrões culturais comparando-os aos padrões de Deus.

·     1 Coríntios 9:19-23: Paulo descreve como se tornar "tudo para todos" a fim de ganhá-los para Cristo, demonstrando adaptabilidade cultural e, ao mesmo tempo, mantendo a verdade do evangelho.

·     Colossenses 2:8: “Cuidado para que ninguém os engane com filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.” Aqui estão advertências contra filosofias, incluindo o relativismo cultural, que podem contradizer os ensinamentos de Cristo.

·     1 Pedro 1:14-16: “Como filhos obedientes, não se conformem com os maus desejos que vocês tinham quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito:Sejam santos, porque eu sou santo’”. Pedro chama os crentes a um padrão de santidade que transcende as normas culturais.

Implicações para hoje

O relativismo cultural influencia significativamente a forma como a sociedade moderna aborda questões éticas e interações interculturais. Para os cristãos, ele apresenta tanto desafios quanto oportunidades. Por um lado, promove o respeito pelas diferenças culturais e pode gerar empatia e compreensão em um mundo cada vez mais globalizado. Isso está em consonância com os princípios bíblicos de amar o próximo (Marcos 12:31) e ser sensível à consciência alheia (1 Coríntios 8:9-13). Contudo, levado às últimas consequências, o relativismo cultural pode minar o conceito de verdade absoluta e moralidade. Pode gerar ambiguidade moral e relutância em abordar práticas nocivas que podem ser culturalmente aceitáveis ​​em algumas sociedades. Os cristãos precisam navegar por essa tensão, respeitando a diversidade cultural e, ao mesmo tempo, defendendo os padrões bíblicos de verdade e moralidade. Para os crentes individualmente, o relativismo cultural apresenta o desafio de discernir entre preferências culturais e mandamentos bíblicos. Na sociedade em geral, o relativismo cultural influencia debates sobre direitos humanos, direito internacional e políticas sociais. Embora o relativismo cultural ofereça perspectivas valiosas para a compreensão de sociedades diversas, os cristãos são chamados a um padrão mais elevado: a conformidade com Cristo, não com a cultura (Romanos 8:29).

Entender

·     O relativismo cultural avalia a moralidade através de contextos culturais individuais, em vez de normas externas.

·     O relativismo cultural incentiva o conhecimento de outras culturas, mas pode minar o conceito de verdade absoluta e moralidade.

·     Os cristãos devem se esforçar para discernir a diferença entre preferências culturais e mandamentos bíblicos.

Refletir

·     De que forma a compreensão do relativismo cultural influencia o seu relacionamento com pessoas de diferentes origens, mantendo ao mesmo tempo os seus valores cristãos?

·     De que forma a tensão entre o relativismo cultural e a moralidade bíblica desafia sua resposta, mantendo, ao mesmo tempo, a fidelidade aos padrões de Deus?

·     Como você pode lidar pessoalmente com práticas culturais que conflitam com os ensinamentos bíblicos, demonstrando ainda amor e respeito pelos outros?

Coloque em prática

·     Enquanto os costumes locais não violarem os padrões bíblicos, o respeito cultural pode ser uma ferramenta eficaz. Isso não significa que o relativismo cultural seja uma fonte ética válida. A humanidade é falível, assim como nossas culturas. O consenso geral não dita o que é certo e errado. Deus ordenou aos israelitas que aniquilassem nações inteiras que valorizavam sua própria cultura acima da lei de Deus. Deus é a fonte da moralidade (Deuteronômio 12:28), e Sua Palavra é o padrão pelo qual você deve viver.

Fonte:

COMPELLINGTRUTH.org. De que forma o relativismo cultural influencia a sociedade? (texto e imagem adaptados). Disponível em: https://www.compellingtruth.org/Espanol/relativismo-cultural.html. Acesso em: 28/07/2026.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Veja mais:

AMORIM, Alcides Barbosa de. "Fé, cultura e razão: fundamentos éticos da cosmovisão protestante". Pindamonhangaba/SP. Clube de Autores: 2026. Livro à venda em: https://clubedeautores.com.br/livro/fe-cultura-e-razao.  Veja o Sumário a seguir:

 

30 de junho de 2026

Bispos e Papas (20): Cornélio

 Por: Alcides Amorim 

Bispo Cornélio e Cipriano de Cartago [1]

Depois do bispo Fabiano, martirizado em 250, o próximo bispo de nossa lista (bispos e papas romanos), é Cornélio, que exerceu seu episcopado entre 251 e 253. Na lista dos papas católicos ele é 21º, considerando que Pedro, o apóstolo tenha sido o primeiro papa.   Eusébio de Cesareia, em História Eclesiástica (HE, 6, XXXIX) [2], diz que durante a violenta perseguição do imperador Décio aos cristãos, o bispo Fabiano foi martirizado “... e foi sucedido por Cornélio como bispo de Roma”. E no livro 7, II, ele afirma que “... Cornélio exerceu o episcopado em torno de três anos...” sendo sucedido por Lúcio.

Acho importante destacar aqui o contexto histórico da época do pontificado de Cornélio e sua relação com a perseguição sob o imperador Décio e o Novacionismo.

No ano 249, Décio cingiu-se com a púrpura imperial. Embora os historiadores cristãos tenham caracterizado como personagem cruel, Décio era simplesmente um romano de feitio antigo e um homem disposto a restaurar a velha glória de Roma. Por diversas razões, essa glória parecia estar perdendo o seu brilho. Os bárbaros além das fronteiras se mostravam cada vez mais inquietos e mais atrevidos em suas incursões dentro dos domínios do Império. A economia do império estava em crise. E as velhas tradições caíam cada vez mais em desuso.
Para um romano tradicional, era claro que uma das razões pelas quais tudo isto sucedia, era que o povo havia abandonado o culto de seus deuses. Quando todos adoravam os deuses, as coisas pareciam caminhar muito melhor e a glória e o poder de Roma eram cada vez maiores. Em consequência, era possível pensar que o que estava sucedendo era que, desde que Roma estava retirando o seu culto, os deuses por sua vez estavam retirando seu favor ao velho Império. Nesse caso, uma das medidas que se impunha no intento de restaurar a velha glória de Roma era a restauração dos velhos cultos. Se todos os súditos do Império voltassem a adorar os deuses, possivelmente os deuses voltariam a favorecer o Império.
Esta foi a principal razão da política religiosa de Décio. Não se tratava já dos velhos rumores acerca das práticas nefandas dos cristãos, nem da necessidade de castigar sua obstinação, mas se tratava, antes, de uma campanha religiosa que buscava a restauração dos velhos cultos. Em última análise, o que estava em jogo era a sobrevivência da velha Roma dos Césares, com suas glórias e seus deuses. Tudo o que se opunha a isto era falta de patriotismo e alta traição [3].

Em 250 [4], o imperador romano Décio emitiu um edito exigindo que todos os cidadãos do Império realizassem sacrifícios aos deuses tradicionais. O objetivo político do imperador era restaurar a unidade religiosa romana, forçando os cristãos a abdicarem de sua fé sob pena de severa punição.

Como consequência dessa intensa perseguição, muitos cristãos cederam à pressão e sacrificaram aos deuses para salvar suas vidas ou subornaram autoridades para obter certificados de que o haviam feito. Esses cristãos que renegaram a fé sob coerção ficaram conhecidos historicamente como lapsi (os "caídos").

Quando a perseguição diminuiu e a Igreja voltou a ter relativa paz, surgiu um grande dilema: o que fazer com os lapsi que desejavam retornar à comunhão e ao seio da Igreja? Essa questão gerou um acalorado debate entre os líderes cristãos da época.

Enquanto o clero debatia o perdão, o presbítero romano Novaciano assumiu uma postura extremista e rigorosa. Ele defendia que os apóstatas haviam cometido um pecado imperdoável perante os homens e que a Igreja não tinha o poder nem a autoridade para readmitir os lapsi de volta.

Em 251 d.C., Cornélio foi eleito e consagrado Bispo de Roma, adotando uma posição pastoral muito mais próxima à misericórdia. Ele liderou um sínodo que excomungou Novaciano e reafirmou que a Igreja possuía autoridade divina para perdoar e reconciliar os cristãos arrependidos, estabelecendo penitências adequadas.

A eleição de Cornélio e suas diretrizes misericordiosas levaram Novaciano a ordenar-se bispo rival, criando o primeiro cisma da história da Igreja. Assim, o episcopado de Cornélio ficou marcado pelo combate ao novacionismo e pela afirmação da Igreja como uma instituição universal, aberta a pecadores arrependidos.

Importante também ver a importância de Cipriano de Cartago para o episcopado de Cornélio em relação a solução da crise dos lapsi. Juntos, formularam uma via pastoral intermediária, estabelecendo que os pecadores arrependidos poderiam retornar à comunhão eclesial após cumprirem penitências proporcionais à gravidade de suas faltas.

O laço entre os dois líderes fortaleceu-se ainda mais por meio de cartas de encorajamento mútuo durante a nova onda de repressão sob o imperador Treboniano Galo. Quando Cornélio foi preso e enviado ao exílio, onde viria a falecer em 253 d.C., Cipriano o enalteceu publicamente, celebrando sua firmeza e declarando-o mártir da fé. Essa cooperação histórica não apenas superou as heresias da época, mas também consolidou os conceitos de colegialidade episcopal e de solidariedade entre as grandes sedes apostólicas.

O Bispo Cornélio foi martirizado? A resposta a esta pergunta, dada pelo Chatgpt [5] diz que a tradição cristã afirma que Cornélio, bispo de Roma (251–253), morreu durante a perseguição do imperador Galo, razão pela qual passou a ser venerado como mártir. Entretanto, há uma pequena nuance histórica.
Os testemunhos mais antigos indicam que Cornélio foi exilado para Centumcellae (atual Civitavecchia), onde faleceu em 253. Durante muito tempo, acreditou-se que ele tivesse sido executado. Hoje, muitos historiadores entendem que sua morte pode ter ocorrido em consequência dos sofrimentos do exílio, e não necessariamente por decapitação ou outro método de execução. Ainda assim, a Igreja antiga o reconheceu como mártir, porque sua morte foi considerada consequência direta da perseguição que sofreu por causa da fé.
Seu grande correspondente e amigo, Cipriano de Cartago, escreveu diversas cartas em sua defesa durante a controvérsia envolvendo os lapsi (os cristãos que haviam renegado a fé durante a perseguição). Cipriano elogia repetidamente a firmeza de Cornélio e o apresenta como um pastor fiel que sofreu por Cristo.
Há um detalhe interessante: diferentemente de Cipriano, cujo martírio por decapitação em 258 está amplamente documentado, o modo exato da morte de Cornélio permanece menos claro. Isso explica por que alguns livros antigos o descrevem como "executado", enquanto estudos históricos mais recentes preferem dizer que ele morreu no exílio, sendo venerado como mártir em razão da perseguição...
Esse episódio é especialmente significativo para quem estuda a história da Igreja, pois Cornélio e Cipriano tornaram-se símbolos da unidade e da disciplina eclesiástica, enfrentando juntos o cisma de Novaciano e defendendo que a Igreja podia conceder reconciliação aos pecadores verdadeiramente arrependidos, sem abrir mão da santidade nem da autoridade pastoral.


Notas:

  •  [1Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa, feita através do chatgpt, em: 30/06/2026.
  •  [2]  CESAREIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
  •  [3GONZÁLEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. I: A era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 138-140. 
  •  [4Texto fundamentada em fontes filtradas por I. A. do Google (Modo IA), em 28/06/2026.
  •  [5O bispo Cornélio foi martirizado? In: chatgpt.com. Acesso em: 30/06/2026.

11 de junho de 2026

Nossa cidadania está nos céus

 Por: Gotquestions  

Um cidadão é uma pessoa que pertence legalmente a um país e tem os direitos e a proteção desse país. Os cidadãos adotam a cultura e as práticas da nação ou reino ao qual pertencem. Todo ser humano nasce no reino deste mundo, no qual Satanás governa (2 Coríntios 4.4). Consequentemente, crescemos adotando a cultura, as práticas e os valores que ele instiga (Gênesis 3.1; 1João 2.16).

O reino de Satanás escraviza seus cidadãos (Romanos 6.16). Com corações e mentes obscurecidos, seguimos cegamente nosso líder nos pecados que nos levam cada vez mais à escravidão. Permanecemos cativos nesse reino do pecado, rumo à destruição, até que Jesus nos liberte (Efésios 2.1-4). Filipenses 3.18-19 destaca as diferenças entre aqueles que desejam ter comunhão com Jesus Cristo e aqueles que se concentram em objetivos terrenos: "Pois muitos andam entre nós, dos quais repetidas vezes eu lhes dizia e agora digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só pensam nas coisas terrenas." Aqueles que não conhecem a Cristo vivem apenas para este mundo e para o prazer que podem encontrar para si mesmos. Eles são "cidadãos" deste mundo e vivem de acordo com suas regras e sistema de valores.

Quando nascemos de novo pela fé em Jesus Cristo (João 3.3), nascemos no Reino dos Céus (Mateus 3.2; 7.21; Romanos 14.17). Falando sobre aqueles que tiveram esse renascimento espiritual, Filipenses 3.20 diz: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". Jesus passou grande parte de Seu ministério terreno explicando o Reino dos Céus (Mateus 4.17). Ele o comparou a muitas coisas, inclusive a um campo de trigo no qual as ervas daninhas cresciam junto com o trigo. As plantas pareciam idênticas no início, mas foram separadas na colheita. A verdade é que, muitas vezes, os cidadãos do céu e os deste mundo parecem idênticos, e ninguém além de Deus sabe a diferença (Romanos 8.19). Muitas pessoas podem parecer cidadãos do céu, quando, na verdade, nunca houve renascimento em seus corações (Mateus 7.21).

Quando Deus nos concede a cidadania no Reino dos Céus, nos tornamos "novas criaturas" (2Coríntios 5.17). Ele envia Seu Espírito Santo para habitar em nosso espírito, e nosso corpo se torna Seu templo (1Coríntios 3.16; 6.19-20). O Espírito Santo começa a transformar nossos desejos pecaminosos e mundanos naqueles que glorificam a Deus (Romanos 12.1-2). Seu objetivo é nos tornar o mais parecido possível com Jesus nesta vida (Romanos 8.29). Recebemos o poder e o privilégio de sair do sistema de valores falho do mundo e viver para a eternidade (1João 2.15-17). Ser adotado na família de Deus significa que nos tornamos cidadãos de um reino eterno onde nosso Pai é o Rei. Nosso foco se volta para as coisas eternas e para o acúmulo de tesouros no céu (Mateus 6.19-20). Consideramo-nos embaixadores nesta Terra até que nosso Pai nos mande buscar e voltemos para casa (Efésios 2.18-19; 6.20).

Vivemos por um curto período de tempo nesses corpos físicos, antecipando o futuro brilhante em nosso verdadeiro lar. Enquanto estamos aqui, compartilhamos a experiência de Abraão, vivendo "como em terra alheia... Porque Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor" (Hebreus 11.9-10).


Fonte:

  • GOT Questions. O que significa o fato de nossa cidadania estar no céu?. Disponível em:  <https://www.gotquestions.org/Portugues/cidadania-no-ceu.html>. Acesso em: 10/06/2026 - Texto adaptado.

31 de maio de 2026

Qual é a tradução mais precisa da Bíblia?

 

Sobre o Estudo da Bíblia Sagrada, em duas partes, já vimos:

·      As Escrituras (1): a verdade revelada e inspirada por Deus, onde a partir de interpretações de textos que as próprias Escrituras falam de si mesmas, em relação, principalmente como revelação de Deus ao homem; sua inspiração, inerrância e infalibilidade.

·     As Escrituras (2): formação do cânon e outras considerações, onde refletimos sobre como a Bíblia veio a surgir como tal, transformando no cânon cristão, suas divisões internas – intertestamentárias – e alguns enfoques sobre os livros apócrifos ou deuterocanônicos.

Na continuação deste artigo queremos enfatizar as várias versões atuais da Bíblia, descritas pelo Ministério Gotquestions.

Escolher a tradução mais precisa da Bíblia não é simples. É como perguntar: “Qual é a melhor marca de caminhão?” Depende do que você pretende fazer com ela e dos critérios que está usando para avaliá-la. Cada tradução segue certos princípios que afetam o resultado final.

Algumas traduções tentam ser “literais”, buscando reproduzir o texto bíblico o mais próximo possível das palavras e estrutura originais. Outras são chamadas de “dinâmicas” ou “equivalência de sentido”, e procuram transmitir o significado geral do texto de forma mais clara e natural, mesmo que não façam correspondência palavra por palavra.

Uma tradução pode ser melhor para estudo aprofundado, enquanto outra pode ser mais adequada para leitura pública ou devocional. Alguém que esteja lendo num nível mais simples pode preferir uma tradução diferente daquela escolhida por um estudante universitário ou pastor.

1.    Desafios na Tradução

A tradução não é uma ciência exata. Em geral, não existe uma correspondência perfeita entre palavras de idiomas diferentes. Além disso, cada língua possui expressões idiomáticas e figuras de linguagem difíceis de traduzir, sem contar fatores históricos e culturais que podem alterar o sentido das palavras.

Por exemplo, em português, temos expressões como “pisar na bola”, que não significam literalmente “botar o pé numa bola”, mas sim cometer um erro ou falhar. Se alguém traduzisse essa expressão literalmente para outro idioma, poderia gerar confusão. Da mesma forma, a Bíblia contém muitas figuras de linguagem, metáforas e expressões próprias da cultura hebraica ou grega, que precisam ser interpretadas corretamente para fazer sentido ao leitor moderno.

Isso mostra que, muitas vezes, a tradução mais literal não é necessariamente a mais precisa em termos de comunicar o sentido pretendido pelo texto original. Quanto mais uma tradução busca expressar o significado original em linguagem contemporânea, mais interpretações subjetivas podem surgir. Por outro lado, uma tradução excessivamente literal pode se tornar difícil de ler e entender.

2.    Traduções da Bíblia em Português

Assim como ocorre em outros idiomas, as traduções da Bíblia em português variam em grau de literalidade e clareza. Vamos ver algumas das principais traduções protestantes em português e suas características:

a)   Almeida Revista e Corrigida (ARC)

Tradicional, muito utilizada por igrejas históricas e pentecostais. É uma tradução bastante literal, embora use linguagem mais antiga, o que pode ser um desafio para leitores modernos.

b)   Almeida Revista e Atualizada (ARA)

Uma revisão da ARC, com linguagem mais atual e leitura mais fluida, mas ainda fiel ao texto original. Bastante usada para estudo bíblico.

c)    Nova Almeida Atualizada (NAA)

Publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, mantém o estilo da Almeida mas com atualização de termos e maior precisão textual, buscando equilíbrio entre literalidade e clareza.

d)   Nova Versão Internacional (NVI)

Traduzida diretamente dos textos originais. Adota o método da equivalência dinâmica, ou seja, busca transmitir o sentido das frases em linguagem natural. Muito popular em igrejas evangélicas.

e)   Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)

Extremamente acessível, voltada para leitores de todas as idades e níveis de escolaridade. Usa linguagem simples e clara. Ideal para leitura devocional ou evangelismo, mas menos indicada para estudo exegético profundo.

f)     Bíblia Viva (BV)

Tradução com forte tendência interpretativa e linguagem popular. Fica próxima de uma paráfrase. Boa para leitura devocional, mas deve ser usada com cautela para estudo.

g)   Nova Versão Transformadora (NVT)

Uma das traduções mais recentes. Busca linguagem contemporânea e agradável, com boa precisão. Está se popularizando bastante entre leitores jovens e igrejas contemporâneas.

3.    Para Estudo ou Leitura?

Para leitura rápida ou devocional, uma tradução mais dinâmica, como a NVI, NTLH ou NVT, pode ser útil. Para estudo mais profundo, é preferível uma versão mais literal, como a ARA ou a NAA.

Uma excelente prática é ler um mesmo texto em diferentes traduções. Se notar divergências significativas, isso é um indicativo de que há questões de tradução ou interpretação que merecem estudo mais detalhado.

Vale também consultar bons comentários bíblicos, que não apenas digam o que o texto “quer dizer”, mas expliquem as diferentes interpretações possíveis e as razões pelas quais certos estudiosos escolhem uma leitura específica.

4.    Sobre Traduções Feitas por Indivíduos

Existem paráfrases feitas por indivíduos, como a Bíblia Viva, que refletem mais a interpretação pessoal do tradutor. Devem ser lidas com discernimento e não recomendadas como Bíblia principal para estudo. Para segurança doutrinária e fidelidade textual, é melhor priorizar traduções feitas por equipes de estudiosos capacitados, revisadas por comitês editoriais.

Conclusão
Em última análise, a escolha da “tradução mais precisa” é uma decisão pessoal e, até certo ponto, subjetiva. Toda tradução feita com boa fé por estudiosos competentes é digna de confiança, mas nenhuma é perfeita. Além disso, o idioma português está sempre evoluindo, o que faz com que traduções precisem ser atualizadas periodicamente.

Se possível, experimente ler a Bíblia em diferentes versões ao longo do tempo. Isso amplia a compreensão do texto e ajuda a perceber nuances que, às vezes, passam despercebidas em apenas uma tradução.


Fonte:

Ministério GotQuestions. Qual é a tradução mais precisa da Bíblia? Disponível em:  https://www.gotquestions.org/Portugues/traducao-mais-precisa-da-Biblia.html. Acesso em: 26/05/2026 (Texto adaptado).