Translate

Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Filipe. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Filipe. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

28 de abril de 2020

Filipe de Betsaida, Apóstolo de Cristo


Filipe (Apóstolo)[1]
No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me.
E Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José
” (Jo 1.43-45)[2].
Continuando a tarefa de estudos sobre diversas testemunhas de Cristo, que marcaram a história da Igreja, já fiz menção de dois deles, mais ou menos em ordem cronológica de suas mortes, que são o Diácono e Evangelista Estêvão, morto por volta de 34 a 37, e Tiago, filho de Zebedeu, entre 41 e 54 (provavelmente em 44), e agora, queremos destacar abaixo sobre a pessoa de Filipe.
Filipe, um dos apóstolos de Cristo, foi chamado por Jesus, para ocupar o colégio apostólico, um dia após André e Simão e foi usado como instrumento para a escolha também de Natanael.
Filipe morava em Betsaida (casa da pesca, em hebraico), a “... Betsaida da Galileia” (Jo 12.21), uma das seis divisões políticas da Palestina, na época. Ele aparece em 5º lugar nas listas dos apóstolos de Mt 10.2-4, Mc 3.16-19 e Lc 6.13-16. Outras referências sobre Filipe no Novo Testamento, encontramos quando ele questionou a Jesus sobre onde poderia se comprar tanto pão, na ocasião em que foram alimentados quase cinco mil homens (Jo 6.5,7), quando pede a Jesus para ver o Pai (Jo 14.8) e entre os demais apóstolos, após a ressurreição de Jesus (At 1.13).
Obviamente, Filipe continuou fazendo a obra de Cristo como apóstolo depois de Atos 1.13, mas não encontramos mais referências sobre ele no Novo Testamento. Inclusive, há confusão na tradição deste Filipe com o outro Filipe, evangelista, mencionado em Atos, escolhido dentre os sete diáconos (At 1.5). Alguns pensam que a Ásia foi o cenário de seus primeiros labores, e que no final de sua vida ele esteve em Hierápolis, na Frígia, onde sofreu um martírio cruel por enforcamento.
Bem, MILLER informa, sobre a morte de Filipe, apenas que ele sofreu um “martírio cruel”, enquanto outras fontes acrescentam “morte por enforcamento” e ainda outras[3], que Filipe morreu “crucificado e apedrejado” no ano 80.
Referências bibliográficas:
DOUGLAS, J. D. (Editor Organizador). O Novo Dicionário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1979 (3ª ed.).
MILLER, Andrew. A História da Igreja, Vol. I. São Paulo: Depósito de Literatura Cristã, 2011.


Notas:


[1] Filipe (Apóstolo). Imagem meramente ilustrativa, extraída de: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_(ap%C3%B3stolo)>. Acesso em: 27/04/2020.
[2] Todas as referências bíblicas utilizadas neste texto são da versão ACF (Almeida e Corrigida Fiel). Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/acf>. Acesso em: 27/04/2020.
[3] (Cf. Nota 1).

27 de maio de 2022

A monarquia francesa

Já destacamos no artigo a centralização nas monarquias europeias, que a partir da Baixa Idade Média, a partir do século XI, em algumas regiões da Europa, as monarquias feudais iriam servir de base para a formação de governos centralizados, como a França, a Inglaterra e a Espanha. Neste artigo, vamos ver como isto se deu na França.

Voltando na história francesa, uns séculos antes da Baixa Idade Média, vimos que em 843, o Império Carolíngio foi dividido em três reinos, que, por sua vez, já estavam subdivididos em feudos governados por duques, marqueses e condes. Os reis eram suseranos, que dependiam dos nobres locais para a obtenção de soldados e rendimentos. E em 987 (séc. X), com a subida ao trono de Hugo Capeto, um desses reinos, o da França, passou a ser governado pela dinastia dos capetíngios. sendo Filipe Augusto , um descendente desta dinastia, considerado o primeiro rei a iniciar o processo de consolidação da Monarquia francesa.

Durante o reinado de Felipe Augusto (1180–1223), as cidades começaram a ser libertadas do domínio dos senhores feudais, o que favoreceu a consolidação da burguesia. Apoiado por ela, Filipe impôs sua autoridade aos nobres. Durante seu governo, Paris passou a ser a capital do Reino da França.

Posteriormente, durante o governo de Luís IX (1226–1270). Ele criou uma moeda única, cuja aceitação se tornou obrigatória em todo o território do reino. Contribuiu, assim, para o comércio, facilitando a circulação das mercadorias.

A Batalha de Bouvines, 27 de julho de 1214, pintada por Horace Vernet em 1827. A vitória francesa sobre a Inglaterra e o Sacro Império Romano-Germânico marcou o início do declínio Imperial [1].

Durante o reinado de Filipe IV (1285–1314), mais conhecido como Filipe, o Belo, os mercadores e banqueiros estrangeiros chegaram a ser expulsos da França para evitar a saída de dinheiro, o que fortaleceu ainda mais a burguesia francesa e o próprio rei.

Seu governo entrou em conflito com a Igreja, porque queria cobrar impostos do clero. Com a morte do papa Bonifácio VIII, foi escolhido para substituí-lo o francês Clemente V. Em 1309, Filipe, o Belo, pressionou-o para que transferisse o papado de Roma para a cidade francesa de Avignon (sudeste da França). Assim, a Igreja ficou sob o controle do rei francês. A sede da Igreja só voltaria para Roma em 1377.

A Monarquia francesa consolidou-se nos séculos XIV e XV, durante a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra. Aliás, esse conflito seria importante também para a Inglaterra consolidar seu poder central, como veremos logo adiante.

Veja também:


Veja ainda o vídeo a seguir:


Nota / Referências bibliográficas:

[1] Imagem disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_da_Fran%C3%A7a>. Acesso em: 26/05/2022.

30 de novembro de 2025

Bispos e Papas (19): Fabiano

Bispo Fabiano [1]

O próximo bispo de nossa lista (bispos e papas romanos), que queremos destacar aqui é o Bispo Fabiano ou Fabião. Na lista de Eusébio de Cesareia, em História Eclesiástica (HE, 6, XXIX) [2] encontramos: “Gordiano  sucedeu Maximino  na soberania de Roma, quando Ponciano, que havia ocupado o episcopado por seis anos, foi sucedido por Antero na igreja de Roma, o qual é também sucedido por Fabiano depois de se empenhar no serviço por cerca de um mês. Diz-se que Fabiano chegara a Roma com alguns outros do país e, ali permanecendo de modo notabilíssimo, pela graça divina e celestial, foi apresentado como um dos candidatos para o ofício... Relatam, ainda, que uma pomba de súbito, desceu do alto, pousou sobre sua cabeça, exibindo uma cena como aquela sobre nosso Salvador. Com isso todo o corpo exclamou com toda veemência e a uma só voz, como que movido pelo Espírito de Deus, que ele era digno; e, sem demora tomaram-no e o colocaram no episcopal.”

Na nossa lista, Ponciano foi o 17º bispo, Antero, o 18º. Portanto, o Bispo Fabiano, que sucedeu a Antero, corresponde ao 19º que ocupou o episcopado em Roma, entre 236 a 250, um longo período papal (14 anos) segundo a Igreja Católica.

Além das informações de Eusebio (acima), outras, especificadas aqui [3], por exemplo, afirmam sobre o Bispo ou Papa Fabiano:

§  Era um fazendeiro e homem simples do campo, mas um excelente administrador;

§  Dividiu a cidade de Roma em sete distritos eclesiásticos, cada um sob a responsabilidade de um diácono com auxílio de um subdiácono e assistentes, visando atender à crescente comunidade cristã: cuidados sociais, assistência aos pobres, a gestão das catacumbas (cemitérios cristãos).

§  Cada distrito tinha seu clero, responsável por abrigar doentes, conservar ou construir capelas para cultos e manter contato próximo com o presbítero encarregado pelo papa para o serviço litúrgico. Essa reforma marcou a criação de uma organização muito unida e adaptada ao crescimento do cristianismo na cidade...

Segundo o site católico Paulinas [4], Fabiano, um quase desconhecido antes da eleição, foi muito apreciado também por suas intervenções doutrinais, especialmente nas controvérsias da Igreja da África. O site diz que Fabiano, durante o seu pontificado de catorze anos, houve paz e desenvolvimento interno e externo da Igreja. Mas que também enfrentou problemas com o imperador Décio, que ao enfrentar problemas no seu governo, desencadeou uma ferrenha perseguição contra toda a Igreja. “Ocorreu um grande êxodo de cristãos de Roma, que se deslocaram para o Oriente à procura das comunidades religiosas dos desertos, um pouco mais protegidas das perseguições. Este foi o início para a vida eremita, com os 'anacoretas', mais conhecidos como os padres do deserto. Entretanto, o papa Fabiano permaneceu no seu posto e não renegou a fé, sendo decapitado no dia 20 de janeiro de 250” (Idem).

Eusébio (HE, 6, XXXIX), cita: “Agora pois, a Felipe [5], que havia imperado por sete anos, sucede Décio [6], que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado”.

Antes do reinado de Décio, a perseguição aos cristãos no império era esporádica e localizada, mas por volta do início de janeiro de 250 ele emitiu um édito ordenando que todos os cidadãos realizassem um sacrifício religioso na presença de comissários. Um grande número de cristãos desafiou o governo, o que resultou na morte dos bispos de Roma, Jerusalém [Alexandre] e Antioquia [Babilas], e na prisão de muitos outros.

A repressão fortaleceu, em vez de enfraquecer, o movimento cristão, pois a opinião pública condenou a violência do governo e aplaudiu a resistência passiva dos mártires. Décio forneceu o modelo para uma perseguição mais rigorosa aos cristãos, que começou em 303, durante o reinado de Diocleciano. No início de 251, poucos meses antes da morte de Décio, a perseguição aos cristãos cessou [7].

Eusébio (HE, 6, XXXIX), cita: “Agora pois, a Felipe, que havia imperado por sete anos, sucede Décio, que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado”.

Portanto, no mesmo ano, 250, além do martírio de Fabiano, houve também os martírios de Alexandre, bispo de Jerusalém, e de Babilas, bispo de Antioquia.


Notas / Referências bibliográficas:

  • [1] Bispo ou Papa Fabiano. Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Fabiano. Acesso em: 05/11/2025.
  • [2] CESAREIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
  • [5] Felipe (244-249) e sucessor de Giordano III (238-244). “O reinado de Filipe testemunhou o verdadeiro início da crise do século III, marcada por uma série de invasões bárbaras através do Danúbio e por uma guerra civil interna liderada por generais dissidentes. O sucesso inicial de Décio, enviado por Filipe para enfrentar a invasão gótica de 248, levou o exército de Décio a proclamá-lo imperador” (In: https://www.britannica.com/biography/Philip-Roman-emperor).
  • [6] Décio (249-251) foi imperador romano e sucessor de Felipe.

  • [7] Décio: Imperador romano. Disponível em: < https://www.britannica.com/biography/Decius>. Acesso em: 06/11/2025.

27 de junho de 2020

Pedro, o apóstolo impulsivo


Pedro, “tu me amas”?[1]

E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros... Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras” (Jo 21.15,18).
Pedro (gr. Pétros ou Pedra) aparece em primeiro lugar na lista dos doze apóstolos (Mt 10.2-4; Mc 3.16-19 e Lc 6.13-16), posição recebida do próprio Senhor. Ele também é chamado na Bíblia de Cefas (aramaico Kefa, que significa “rocha”) e Simão (Jo 1.42). Era irmão do apóstolo André (Mc 1.16) e ambos, filhos de Jonas (Jo 1.42) e moravam em Betsaida, mesma cidade de Filipe, também apóstolo (Jo 1.44). provavelmente seu pai, Jonas, também fosse um pescador como eles (Jo 1.42).
Com base em Marcos 1.30, Pedro era casado, pois o texto fala sobre a “sogra de Simão” e, possivelmente, sua esposa o acompanhava em viagens ministeriais na Igreja Primitiva. Paulo, em 1Co 9.5, diz: “Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?”.
1.  A personalidade do apóstolo Pedro
O apóstolo Pedro foi um típico homem simples, direto e de caráter impulsivo. Mas também possuía aptidão natural para exercer liderança, talvez por ser caloroso, vigoroso e normalmente comunicativo. Em algumas ocasiões, sobretudo no episódio que envolveu a traição de Jesus no Getsêmani, Pedro se mostrou emotivo, sanguíneo e autoconfiante.
Destaquei acima as expressões “impulsivo” e “sanguíneo”, em relação a Pedro, pois lembrei-me do comentário de Tim LaHaye (referência abaixo) acerca da “teoria dos quatro temperamentos”. Em um deles, o sanguíneo, Pedro se encaixa bem:

Pedro é, provavelmente, o personagem mais querido do Novo Testamento. A razão é muito simples. Como é totalmente extrovertido, seus defeitos são visíveis todos. Ele tropeça de modo impetuoso pelas páginas dos Evangelhos, deixando à mostra a carne crua do sanguíneo. Em um momento é amável e alegre; no outro, assusta com suas atitudes...

O sanguíneo é caloroso, amável e simpático. Atrai as pessoas como se fosse um ímã. Tem bom papo, é otimista e despreocupado. É generoso, compassivo, adapta-se ao ambiente e ajusta-se aos sentimentos alheios. Porém, como os outros temperamentos, em seus defeitos. Em geral tem pouca força de vontade; emocionalmente é instável e explosivo, irrequieto e egoísta...

Ele falava mais do que os outros discípulos e conversava com maior frequência com o Senhor. Nenhum discípulo, a não ser Judas Iscariotes, teve reprovação mais severa, e nenhum outro discípulo ousou como ele, repreender o Senhor. Por outro lado, nenhum discípulo testemunhou, como Pedro, tanto respeito e amor por Cristo e nenhum outro recebeu o louvor tão pessoal do Salvador...
Quando André levou a Jesus seu irmão sanguíneo, Simão, este parecia bem longe de se tornar um futuro líder espiritual. Pelo contrário, era apenas um pescador barulhento, profano e genioso, cujo traço mais evidente era a impulsividade. Quando agia, fazia-o ‘de imediato’, como dizem as Escrituras. Quando um diálogo ia cessando, era ele quem o continuava. Falava pelos cotovelos! Era chamado ‘o que fala pelos discípulos’. As palavras: ‘Então disse Pedro’, são introdutórias de mais expressões do que a soma total das falas de todos os outros discípulos (LAHAYE: 2008. Pág. 37..., 38..., 39..., 40...).

Algumas passagens bíblicas mostram um pouco da personalidade de Pedro:

·      Ele normalmente tomava a iniciativa como líder do grupo:
Ø E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola” (Mt 15.15).
Ø Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” (Mt 18.21).
Ø E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo” (Mc 8.29).
Ø E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14.28-31)...
·      Ele aparece entre os três discípulos mais íntimos de Jesus: Ele, Tiago e João:
Ø E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago” (Mc 5.37)
Ø Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte (...) E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias” (Mt 17.1,4).
Ø E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro. E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se” (Mc 14.32,33).
·      Ele foi o primeiro a confessar que Jesus era o Cristo (Filho do Deus vivo):
Ø Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” (Mt 16.15-17). O próprio Jesus atribuiu a resposta de Pedro como uma revelação de Deus que foi dada a ele: “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).
·      Recebeu a incumbência de organizar a última ceia em Jerusalém com João:
Ø E [Jesus] mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos” (Lc 22.8).
·      O Pedro que negou a Jesus três vezes... mas se arrependeu:
Ø Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás (...) E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.34,75).
2.  Pedro: de seu primeiro sermão à sua morte:
O apóstolo Pedro receber uma visita especial de Cristo após sua ressurreição (Lc 24.34; 1Co 15.4,5) e, renovado, tornou-se o primeiro a pregar na Igreja, ocasião em mais de três mil convertidos (At 2.14,41).
Podemos citar algumas referências ainda relativas ao apóstolo Pedro no Novo Testamento, como:
·      Foi ele quem disse as conhecidas palavras: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (Atos 3:6).
·      Dentre outros milagres também se destaca a ressurreição de Dorcas (At 9.36-41); a revelação das mentiras de Ananias e Safira (Atos 5:1-11);
Na época da forte perseguição em Jerusalém após a morte de Estêvão, o apóstolo Pedro também estendeu sua atuação ministerial a outros lugares, como em Samaria em decorrência da grande evangelização de Filipe (um dos evangelistas) ali, nas cidades costeiras de Lidia, Jope e Sarona. É possível que nesse período Tiago, irmão do Senhor então tenha assumido a liderança em Jerusalém.
O apóstolo Pedro também foi o responsável por anunciar as boas novas à família de Cornélio em Cesaréia (At 10.1-45). Na Carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo informa que Pedro também esteve em Antioquia (Gl 2.11). Na verdade é nesse relato que encontramos a referência sobre o conflito entre os apóstolos Paulo e Pedro, quando Pedro agiu dissimuladamente se associando aos cristãos gentios e depois se afastando deles ao temer a pressão do “grupo da circuncisão” que aceitava os gentios na Igreja desde que estes se submetessem ao cerimonial da Lei de Moisés. O comportamento do apóstolo Pedro acabou influenciando até mesmo Barnabé. Então Paulo o repreendeu publicamente pelo comportamento, considerado por ele, como hipocrisia. No entanto, essa situação foi completamente resolvida, e o próprio apóstolo Pedro mais tarde se referiu a Paulo como “nosso amado irmão” (2 Pedro 3:15).
Na Epístola aos Coríntios, também somos informados da divisão que havia em tal igreja. Um dos grupos divididos ali alegava seguir o apóstolo Pedro, enquanto outros diziam ser de Paulo, Apolo e Cristo. Isso indica que provavelmente em algum momento ele esteve pessoalmente visitando aquela igreja.
Como afirma MILLER, no capítulo 10 de Atos os gentios são trazidos à igreja. E agora Pedro, tendo terminado sua missão por essas bandas, retorna a Jerusalém. Após o relato de sua libertação do poder de Herodes no capítulo 12, não temos mais relatos sobre a história do apóstolo da circuncisão em Atos. Como Herodes Agripa, o rei idumeu, tem papel tão proeminente nessa história, pode ser interessante tomar nota sobre ele. Ele professava grande zelo pela lei de Moisés e mantinha um certo respeito para com sua observância externa. Desse modo, ele ficou do lado dos judeus contra os discípulos de Cristo, sob um fingido zelo religioso. Esta era sua política. Era uma figura do rei adversário.
Foi por volta de 44 d.C. que Herodes buscou se insinuar com seus súditos judeus, perseguindo os inofensivos cristãos. Não que houvesse qualquer amor entre Herodes e os judeus, posto que se odiavam de coração; mas aqui eles se uniram, pois ambos odiavam o testemunho celestial. Herodes matou Tago Maior com a espada e lançou Pedro na prisão. Era sua intenção perversa mantê-lo lá até depois da Páscoa, e então, quando uma grande quantidade de judeus de todas as partes estivessem em Jerusalém, fariam um espetáculo público de sua execução. Mas Deus preservou e libertou Seu servo em resposta às orações dos santos.
Após 50 d.C. não temos tantas informações detalhadas sobre o apóstolo Pedro. Considerando suas duas epístolas, sabemos que ele permaneceu ativo na pregação da Palavra de Deus e no pastoreio do rebanho do Senhor até a hora de sua morte (1Pe 5.1,2).
Existe um grande debate se o apóstolo Pedro chegou a fixar residência em Roma ou não. O que é certo é que a igreja em Roma não foi fundada por ele; até porque seria muito improvável que Paulo escrevesse uma epístola àqueles irmãos sem mencioná-lo. Na verdade, não há qualquer base bíblica de que ele tenha sido o primeiro bispo de Roma; nem há indícios de que ele tenha sido líder da igreja na cidade por um período de tempo considerável.
A tradição que afirma tal coisa é bastante questionável.
Apesar disto, é muito provável que ele tenha estado em Roma em algum momento próximo ao final de sua vida, e que tenha escrito suas duas epístolas desta cidade. Em 1 Pedro 5:13 o apóstolo escreve dizendo estar na “Babilônia”. Essa informação tem sido entendida pela maioria dos estudiosos como uma referência à cidade de Roma. A presença de Marcos na ocasião também favorece essa interpretação.
Existe uma tradição muito antiga e uniforme dentro do cristianismo de que o apóstolo Pedro tenha sido martirizado – aos “70 anos de idade”, como afirma Miller –, em Roma, por volta de 68 d.C., assim como aconteceu também com o apóstolo Paulo. Tertualiano (200 d.C.) defendeu tal informação, e Orígenes afirmou que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, uma informação também presente em alguns livros apócrifos.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Ainda sobre o apóstolo Pedro, veja também:
·      Pedro e o poder papal, por Bereanos.
·      O papado: breves considerações histórico-teológicas, Por Alcides B. de Amorim .
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Veja também, a seguir, o vídeo de Marlon Engel, disponível em seu portal Estudo na Garagem, sob o título: Apóstolos de Jesus, Episódio 02: Simão Pedro.


Referências bibliográficas:
  • CONEGERO, Daniel. A História do Apóstolo Pedro. Disponível em: <https://estiloadoracao.com/historia-do-apostolo-pedro/>. Acesso em: 24/06/2020.
  • LAHAYE, Tim. Temperamentos transformados. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.
  • MILLER, Andrew. A História da Igreja, Vol. 1. São Paulo: Depósito de Literatura Cristã: 2011.
Nota:

 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Para visualizar e/ou imprimir este artigo, gravado em PDF, acesse:
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

19 de fevereiro de 2020

Cristianismo e História (1): de sua origem ao fim do primeiro século





Procuramos destacar, no POST[1] a seguir, os primeiros anos do Cristianismo no contexto político, social e religioso do Império Romano, do início da perseguição aos cristãos e da vida e organização da Igreja Cristã até a morte do último apóstolo, isto é, cronologicamente, abrangendo os imperadores que governaram Roma, de Otávio Augusto (27 a.C. a 14 d.C.) até os primeiros anos de Trajano (98 a 117).
1.  A plenitude dos tempos

... mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. (Gálatas 4. 4-5)[2].

      O historiador e teólogo Justo González faz referência em seu primeiro volume, A era dos mártires, aos dois volumes escritos pelo médico Lucas, isto é, o Evangelho que leva o seu nome, e o livro de Atos. No primeiro volume, ele destaca a figura do imperador Otávio ou César Augusto como base para se situar a época do nascimento de Jesus Cristo, em Belém da Judeia, uma das províncias romanas, afirmando que “... naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto[3], convocando toda a população do império para recensear-se. Lucas 2:1 (GONZÁLEZ: 1995, p. 11). E no segundo volume, Gonzalez lembra que neste livro, que não é necessariamente “Atos dos Apóstolos”, mas “... os atos do Espírito Santo através dos apóstolos” (Ibidem: p. 12), não há uma conclusão, uma vez que os atos do Espírito continuam até hoje. Portanto,
Lucas escreve então dois livros, o primeiro sobre os atos de Jesus Cristo e o segundo sobre os atos do Espírito. O segundo livro, entretanto, quase parece haver ficado incompleto. No final de Atos, Paulo está ainda pregando em Roma, e o livro não nos diz o que aconteceu com ele ou com o resto da igreja. Isto tinha de ser assim, porque a história que Lucas está narrando, necessariamente, não há de ter um final até que o Senhor venha. (GONZÁLEZ, Op. Cit., p. 12 e 13).
E enquanto o Senhor não venha, pessoas simples e santas, mas também pecadoras, usadas pelo Espírito Santo, pregaram e estão pregando o Cristianismo que tem chegado até nós.
Mas na verdade, a “plenitude dos tempos”, destacado por Paulo em Gálatas (4.4), significa que Deus, no tempo certo, “enviou seu Filho”. E este tempo foi pleno ou oportuno por causa da contribuição dos povos: romanos, gregos e judeus[4].
·      Romanos: influência política e administrativa
Sabemos que os romanos não conseguiram dominar nem “romanizar” a todos os moradores que estavam em suas fronteiras. Além disso, havia muitas regiões fora de seu domínio. Mas, o mundo romano no início do Cristianismo incluía todas as terras que seriam alcançadas pelos cristãos, principalmente nos três primeiros séculos da nossa era. Veja o mapa a seguir:
Mapa de Roma, no auge do Império[5]
Observe que nesta época o Império Romano abrangia o Norte da África, o Oeste da Ásia, incluindo o Mediterrâneo e a Mesopotâmia, e quase toda a atual Europa. E as contribuições dos romanos, segundo NICHOLS (Op. Cit., pp. 6 e 7), estavam relacionadas, sobretudo, entre outros fatores, à “Pax Romana”, fase de relativa paz que vigorou neste período, isto é, aproximadamente nos dois primeiros séculos da era cristã, e que favoreceu a disseminação do Cristianismo, e o intercâmbio entre os vários povos do império – os cristãos, entre eles –, principalmente por causa da existência de uma rede de estradas (por terra) e de uma marinha forte (por mar).
O Mediterrâneo tinha sido transformado na época em um lago romano, daí a expressão Mare Nostrum, ou seja, “nosso mar” (mar dos romanos). E a ligação entre Roma, a capital, e as diversas províncias era garantida pela existência de uma extensa rede de estradas. Daí provém o famoso ditado: “Todos os caminhos levam a Roma”. Portanto, este contexto político romano foi muito útil para a propagação do Cristianismo que estava nascendo.
·      Gregos: influência filosófica e língua universal
Enquanto política e administrativamente a preparação para o Cristianismo deveu-se à contribuição dos romanos, culturalmente, deveu-se (e ainda deve) aos gregos.
Por muitos séculos antes da era cristã os gregos eram detentores da vida intelectual mais vigorosa, mais desenvolvida no mundo. Problemas sobre os quais os homens sempre cogitavam: a origem e significado do mundo, a existência de Deus e do homem, o bem e o mal, enfim, tudo quanto se relacionava com as pesquisas filosóficas foi objeto de meditação dos gregos como de nenhum outro povo (NICHOLS: 1985, p. 7).
A cultura grega, ao ser difundida pelos povos vizinhos, incluindo a Palestina, berço do Cristianismo, ao entrar em contato com as culturas destes povos, redundou no chamado helenismo, como ficou conhecida a junção da cultura grega com a dos povos orientais, como egípcios, mesopotâmicos e persas, sobretudo após a conquista destas regiões pelo macedônico Alexandre, o Grande.
A língua popular dos gregos, o koiné, tornou-se o dialeto “comum” de toda região situada às margens do Mediterrâneo e contribuiu também para que a mensagem cristã fosse pregada nesta língua, inclusive a escrita dos textos que comporiam o chamado Novo Testamento.
No século primeiro eram muitos os judeus, na Palestina, que já não usavam o antigo idioma hebreu. Mas, enquanto que na Palestina e em toda a região do oriente desse país falava-se o aramaico, os judeus que se achavam dispersos por todo o resto do Império Romano falavam o grego. Depois das conquistas de Alexandre, o grego veio a ser a língua franca da bacia oriental do Mediterrâneo. Judeus, egípcios, chipriotas, e até romanos, utilizavam o grego para comunicar-se entre si. Em algumas regiões – especialmente no Egito – os judeus perderam o uso da língua hebraica, e foi necessário traduzir suas Escrituras ao grego. (GONZÁLEZ: 1995, p. 20).
·      Judeus: monoteísmo, esperança messiânica e Antigo Testamento
Os hebreus ou judeus foram escolhidos por Deus para ser “luz” perante as nações, ou seja, uma bênção para todos os povos. E desde a escolha de Abraão, seu primeiro patriarca, eles foram ensinados a acreditar na existência e favor do único Deus que criou os céus e a Terra. “Não podemos ver como outro povo, a não ser o judeu, podia se dispor a receber, no seu início, a religião que Cristo trouxe, e estendê-la a toda a parte” (NICHOLS: 1985, p. 9). O Judaísmo, a religião monoteísta dos judeus, serviu de base para a preparação dos primeiros discípulos de Cristo. Portanto, os primeiros cristãos foram preparados no Judaísmo e esta religião tornou-se a primeira contribuição dos judeus para o Cristianismo.
Além do seu monoteísmo, uma segunda contribuição dos judeus para o Cristianismo, pode-se citar a esperança messiânica. A esperança na chegada de um Messias para redimir o seu povo, era a mais preciosa de suas possessões, apesar da concepção materialista de muitos acerca daquela promessa. Com isto, eles “... prepararam o caminho para o Cristianismo porque se constituíam uma raça que aguardava o que o Cristianismo oferecia: um salvador divino” (Ibidem: p. 10). E, por isto mesmo, os primeiros discípulos de Jesus eram judeus.
Uma terceira contribuição dos judeus para o Cristianismo foi o Antigo Testamento, primeira parte da Bíblia cristã, que compõe o livro sagrado dos judeus – o Tanakh[6] – que  serviu de legado para o início do Cristianismo. Este,
... antes de produzir seus próprios livros, encontrou, prontos para o seu uso, os antigos manuscritos que lhe foram do maior auxilio. Jesus fez uso constante do V. Testamento para nutrir a Sua própria vida e basear os Seus ensinos e, consoante Seu exemplo, as Escrituras judaicas eram lidas regularmente nas reuniões de culto dos primitivos cristãos. Todos os cristãos, judeus ou não, retiraram delas instrução e inspiração incalculáveis (Ibidem: p. 10).
Estas contribuições se tornaram favoráveis ao Cristianismo, sobretudo com o trabalho dos da Diáspora – dispersão –, que por meio de seu trabalho de proselitismo, ao propagar o monoteísmo por toda parte em que se encontravam, servia de base para pregação, além de servir como lei moral sobre a conduta humana que os diferenciava dos demais povos, fato que abriu o caminho para os cristãos que surgem na sequência.
2.  A Igreja apostólica: da escolha à morte dos apóstolos

 

De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar. (At 2.41-47).

 

Jesus de Nazaré ou Jesus Cristo, como ficou conhecido na história o Nosso Salvador, nasceu numa aldeia romana chamada Palestina, durante o governo do primeiro imperador Otávio, também chamado de César Augusto, que governou Roma entre 27 a.C. e 14 d.C. Foi este imperador, que segundo o evangelista Lucas, emitiu um decreto para que todos se alistassem em sua cidade natal (Lc 2.1-7). E, ainda segundo Lucas, este decreto que levou José e Maria a se alistarem em Belém da Judeia, aconteceu quando Cirênio ou Quirino governava a Síria (Lc 2.2), numa data entre 4 ou 6 a.C.[7].
Logo no início de sua missão, Jesus escolhe alguns homens para serem seus seguidores ou discípulos. Destes, ele consagra doze que passam a ser chamados apóstolos, os quais lhe acompanham até sua crucificação, morte e ressurreição, exceto um deles, Judas Iscariotes, que o traiu e se suicidou em seguida.
No Evangelho de Mateus 10.2-4, estão registrados os nomes dos doze apóstolos: Simão, por sobrenome Pedro;  André, irmão de Pedro;  Tiago, filho de Zebedeu; João, irmão de Tiago;  FilipeBartolomeuTomé; Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o Zelote; Judas Iscariotes, o traidor.
Depois da morte e ressurreição de Jesus foi escolhido o substituto de Judas Iscariotes, chamado Matias (At 1.26). Na Bíblia, encontramos outro apóstolo fora desta lista, que é o apóstolo Paulo (At 9.13-16). Depois disto, na Bíblia, nenhum outro discípulo é conhecido pelo título de apóstolo…
Os doze apóstolos foram escolhidos por Jesus para ser participantes da missão de anunciar o Reino de Deus entre todas as nações e tornaram-se a base ou fundamento do Cristianismo, juntamente com a Cabeça ou “Pedra Angular” – Jesus Cristo (Ef 2.20 e Mt 16.18). Foram bem preparados por Jesus de modo que após sua volta aos céus, eles tornaram-se os responsáveis pela Igreja, com a assistência do Espírito Santo (At 1.8). O vocábulo igreja, em português, significa uma assembleia pública de cidadãos, neste caso, de cidadãos chamados para anunciar o Reino de Deus, “... as virtudes daquele que vos [os] chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
A perseguição aos cristãos tem início logo após o surgimento das primeiras comunidades cristãs e vão aumentando à medida que o número de cristãos vai crescendo. No volume A Era dos mártires de sua coleção, González destaca a questão da perseguição como sendo uma série de fatores que se iniciam com a relação entre os primeiros cristãos e as comunidades judaicas, continua com os conflitos promovidos pelo Estado romano, sobretudo por Nero[8], prossegue no segundo e terceiro séculos e segue até o Edito de Milão, já no início do século IV. Por enquanto, queremos destacar, apenas as primeiras situações de conflitos sofridas pelos cristãos até final do primeiro século, ou seja, até aproximadamente o governo do imperador romano Trajano.
A relação entre os primeiros cristãos, incluindo Jesus e seus discípulos, e o Judaísmo, era a de que, inicialmente, os cristãos não representavam uma nova religião, mas apenas uma seita herética dentro do judaísmo, seita esta que acreditava em Jesus como o Messias. Com o tempo, porém, “o sentimento nacionalista e patriótico” dos judeus coopera para um maior distanciamento entre os dois grupos (cristãos e judeus não cristãos), levando a uma dimensão que chegou a envolver a esfera do Estado romano.
Mas como nos primeiros anos, a maioria dos cristãos era judia, a perseguição sofrida fazia parte de um todo (povo judeu), isto é, significava alcançar a todos os judeus: cristãos e não cristãos. É o caso de uma situação ocorrida na época do imperador Cláudio em que os judeus foram expulsos de Roma (At 18.2). E González aponta o fato de que o historiador romano, Suetônio, descreve que esta expulsão ocorreu por causa da questão acerca de um certo “Cresto”, que pode ter sido uma grafia errada do próprio Cristo. “Portanto, o que sucedeu em Roma parece ter sido que, como em tantos outros lugares, a pregação cristã causou tantas desordens entre os judeus, que o imperador decidiu expulsar todos eles.” (GONZÁLEZ: Op. Cit., p. 51).
Mas os judeus também passaram a perseguir os cristãos por causa desta nova “seita”, inclusive alguns, como Saulo, que se converte – à mesma – após permitir a morte de Estêvão (At 22.20), o primeiro mártir do Cristianismo. Em Atos, encontramos também o relato da primeira morte de um dos apóstolos, Tiago Maior, irmão de João, fato ocorrido por ordem de Herodes Agripa, no ano 44.
Dos judeus para o Estado romano, neste, a perseguição sob Nero teve grande importância “... por ter sido a primeira de uma série, de crueldade sempre crescente.” (GONZÁLEZ: 1995, p. 52). E após o incêndio de Roma, em 64, a perseguição foi ainda mais intensa, pois Nero achou por bem pôr a culpa pela tragédia nos cristãos.
Tácito, historiador citado por González, embora também inimigo dos cristãos, destaca que Nero usava os cristãos para servir de diversão para o público, outros foram crucificados, outros inda foram usados como tochas para iluminar seus jardins... “Tudo isto fez com que despertasse a misericórdia do povo, mesmo contra essas pessoas que mereciam (sic) castigo exemplar, pois via-se que eles não eram destruídos para o bem público, mas para satisfazer a crueldade de uma pessoa” (Apud GONZÁLEZ, Op. Cit., p. 56). Observe que na opinião de Tácito, se fossem para o “bem público” as perseguições aos cristãos eram justificadas, mas ao contrário do imperador, para o povo romano os cristãos eram dignos de misericórdia. Entre os mártires do governo de Nero, González aponta também as (possíveis) presenças de Pedro e Paulo.
Cristãos sendo usados como tochas humanas, na perseguição sob Nero, por Henryk Siemiradzki, Museu Nacional, Cracóvia, Polônia, 1876.[9]
O Império Romano seguiu perseguindo os cristãos, merecendo destaque especial, depois disto, a perseguição da época de Domiciano, imperador que sucedera Tito, aquele que quando general de Vespasiano, no ano 70 destruiu a cidade de Jerusalém. Domiciano, ao perceber que a nova fé cristã representava uma ameaça ao Estado romano, mesmo porque o número dos cristãos “... continuava aumentando silenciosamente” (Ibidem, p. 58), passou a prossegui-los. O apóstolo João, autor do Apocalipse, deportado para a ilha de Patmos nesta época, por causa da perseguição que chegou à Ásia Menor, “... mostra uma atitude muito mais negativa contra Roma do que com o resto do Novo Testamento. (...) o vidente de Patmos descreve Roma em termos nada elogiosos, como ‘a grande rameira... ébria do sangue dos santos, e do sangue dos mártires em Jesus (Apocalipse 17.1,6)’” (Ibidem, p. 60).
No quadro abaixo, as possíveis datas da morte dos apóstolos[10]. Uns foram martirizados e outros tiveram morte natural – talvez apenas João se enquadra nesta última condição. No caso de Judas Iscariotes, que consta na lista dos apóstolos acima – do qual já falamos que foi morto antes de Jesus –, eu o tirei desta lista e adicionei o de Paulo em lugar do mesmo:
Apóstolo
Morte e Local[11]
Pedro (Simão Pedro)
Ano 67, em Roma, Itália[12]
André (irmão de Pedro)
Ano 60, em Patras, Grécia[13].
Tiago Maior (filho de Zebedeu)
Ano 44, em Jerusalém[14].
João (irmão de Tiago)
Ano 103, em Éfeso, Ásia Menor[15].
Filipe
Ano 80, Hierápolis, Frígia[16].
Bartolomeu
Ano 51, talvez na Rússia[17].
Tomé
Ano 72, próximo a Madras (Índia)[18].
Mateus (o publicano)
Ano 72, hierápolis ou Etiópia[19].
Tiago Menor (filho de Alfeu) 
Ano 62, Jerusalém[20].
Tadeu (Judas Tadeu)
Data indefinida, na Pérsia[21].
Simão (o Zelote)
Morreu com 120 anos (?)[22].
Paulo (Saulo de Tarso)
Ano 67, em Roma[23].
Citamos as datas e locais acima, como acontecimentos possíveis, mas o mais prudente, no entanto, é reconhecer, como nos informa González que “... desde datas muito antigas começaram a aparecer tradições que afirmam que tal apóstolo havia sofrido martírio de uma forma ou de outra. Muitas destas tradições são indubitavelmente o resultado do desejo por parte de cada igreja em cada cidade de poder afirmar sua origem apostólica” (GONZÁLEZ, Op. Cit., p. 40). São estas buscas por uma “origem diretamente apostólica” que dão origens às lendas e imaginações, principalmente em igrejas orientais, e serão parte também de algumas heresias que surgirão posteriormente, exigindo uma busca por uma unidade eclesiástica e uma igreja dita “universal e apostólica”, como veremos em outro momento.
3.  Vida da Igreja: cultos, escritos e governo
Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co. 14.26)
Ao que parece, todos os apóstolos morreram ainda no primeiro século. E por esta época, apenas os principais dogmas e forma de liturgia da Igreja estavam definidos. A Igreja Cristã, que segundo o Novo Testamento pode ser conceituada através de uma série de ilustrações (Corpo de Cisto, Coluna e Firmeza da Verdade, Família de Deus, Povo de Deus etc.), não recebeu de Jesus nenhum modelo de organização ou plano de governo, nenhum credo e forma de culto proscritos, apenas algumas orientações acerca do batismo com água e a Ceia do Senhor. Jesus prometeu vitalidade aos seus discípulos e “...deixou a Igreja livre para escolher as formas de organização, de culto, afirmações de crença, métodos de trabalho etc. O propósito de Cristo era que a vida da Sua Igreja, isto é, a vida do Salvador latente em Seus seguidores, se expressasse pelos modos que lhes parecessem mais apropriados para a consecução do grande objetivo em vista“ (NICHOLS: 1985, p. 18).
Sobre os cultos da Igreja Cristã no primeiro século, Nichols (Op. Cit., pp. 22-23) destaca que neste período, além das reuniões nas casas – pois ainda os cristãos não possuíam templos – havia dois principais tipos de cultos. Um deles era uma espécie de reunião ou culto de oração, do qual participavam também outras pessoas – não cristãs e/ou não batizadas. Além das orações, havia também testemunhos, ensinamentos, cânticos de Salmos, surgem os primeiros hinos cristãos, leituras e explicações das Escrituras do Velho Testamento.
O outro tipo de culto era a Festa do Amor ou Fraternidade, uma refeição comum, muito alegre, da qual participavam apenas os cristãos batizados. Durante as refeições, celebrava-se a Ceia do Senhor com parte do pão servido na Festa e também vinho. Este culto era realizado no primeiro dia da semana para comemorar a ressurreição de Cristo. Daí, este dia – o primeiro da semana – ser chamado domingo ou Dia do Senhor, desde o primeiro século.
Em relação aos seus escritos, os cristãos, em princípio, como já dissemos, faziam uso do Antigo Testamento. Com o tempo, os 27 livros que formaram o chamado Novo Testamento foram sendo escritos ainda no primeiro século. Depois de pronto, como afirma Oscar Cullmann “... o Novo Testamento não somente foi a regra de fé dos cristãos, não somente inspirou e ainda inspira vidas heroicas, célebres ou desconhecidas, como também determinou civilizações inteiras em sua ética, individual e social, em sua literatura e sua arte“ (CULMANN: 1984, p. 5). Abaixo, as possíveis datas[24] da escrita dos mesmos:
Livro
Data
Livro
Data
Mateus
c. de 50
1ª Timóteo
c. de 64
Marcos
c. de 68
2ª Timóteo
c. de 67
Lucas
c. de 60
Tito
c. de 65
João
85 a 90
Filemom
c. de 60
Atos
c. de 60
Hebreus
c. de 68
Romanos
56
Tiago
45 a 50
1ª Coríntios
c. de 56
1ªPedro
c. de 65
2ª Coríntios
c. de 57
2ª Pedro
c. de 66
Gálatas
49 a 52
1ª João
c. de 85
Efésios
c. de 60
2ª João
c. de 85
Filipenses
c. de 60
3ª João
c. de 85
Colossenses
c. de 60
Judas
c. de 68
1ª Tessalonicenses
c. de 51
Apocalipse
c. de 95
2ª Tessalonicenses
c. de 51

Embora escritos no primeiro século, o cânone, processo de escolha dos livros considerados sagrados, só aconteceu em meio a um número muito grande de textos considerados apócrifos, assunto para outro momento. Por ora, é importante destacar que “a elaboração do cânone do Novo Testamento foi, portanto, o fruto de um processo que, até a fixação final, estendeu-se sobre vários séculos. Mas o fato decisivo é a aparição da ideia do cânone. Este momento importante situa-se nas proximidades dos anos 140-150” (CULMANN: Op. Cit., p. 115). Ou seja, a ideia de cânone surgiu em meados do século segundo, mas acerca de livros já escritos no século anterior. Apenas a morte de João, como vimos, ocorreu no início do segundo século.
Sobre o governo da igreja no século em destaque, embora houvesse já a afirmação de uma “... Única Igreja Universal, (...) nenhuma organização de caráter geral exercia controle sobre as inúmeras igrejas espalhadas por toda a parte” (NICHOLS: 1985, pp. 23 e 24). Mas, de maneira geral, podemos destacar:
·      O ministério da pregação e do ensino, formado pelos apóstolos (quando ainda vivos), profetas, mestres ou doutores. Estes demonstravam habilidades especiais e espirituais, como resultados dos dons do Espírito Santo para o exercícios de tais ofícios. Nichols faz menção também a algumas mulheres que faziam parte deste ministério de pregação e ensino. Posso mencionar, aqui, o exemplo de Priscila (At 18.26).
·      O ministério dos negócios da igreja, formado por anciãos, presbíteros ou bispos, que eram superintendentes. Abaixo, vinham os diáconos, que cuidavam da beneficência, um serviço especial de assistência às pessoas, principalmente as questões materiais.
Esses oficiais eram “escolhidos pelo povo” que via neles os dons e a vocação do Espírito Santo para tal tarefa. Mas parecem que havia outros modelos de governo e consequentemente outras formas de escolhas de oficiais para estes mesmos trabalhos, como modelos congregacionais e/ou centralizados nas mãos de um só indivíduo.
No segundo século, há a preocupação de associar os bispos como sendo resultado de sucessão do apostolado e a afirmação de uma igreja essencialmente apostólica e universal, assunto do qual nos ocuparemos em outro momento.
4.  Cronologia / principais fatos
Usamos como base para uma breve cronologia dos principais acontecimentos da igreja no primeiro século, a referência aos governos dos imperadores romanos, uma vez que a igreja vivia no contexto de dominação daquele grande império, o Império Romano.
Imperador
Acontecimentos:
Otávio Augusto
(27 a.C – 14 d.C.)
  • Início da Pax Romana.
  • Nascimento de Jesus.
  • Ressurreição de Jesus.
Tibério (14-37)
  • Escolha dos primeiros discípulos e apóstolos.
  • Morte: Jesus e Diácono Estevão (?), primeiro mártir cristão.
Calígula (37-41)

Cláudio (41-54)
  • Expulsão dos judeus (incluindo os cristãos) de Roma.
  • Escritos: Evangelho de Mateus e Epístolas aos Gálatas, 1ª e 2ª Tessalonicenses e Tiago.
  • Mortes: Tiago Maior e Bartolomeu.
Nero (54-68)
  • Mortes: André, Tiago Menor, Pedro e Paulo.
Galba, Oto e Vitélio (68-69)

Vespasiano
(69-79)
  • Mortes: Mateus e Tomé.
Tito (79-81)
  • Morte: Filipe.
Domiciano
(81-96)
  • Exílio do apóstolo João na ilha de Patmos.
  • Escritos: 1ª, 2ª e 3ª João, Evangelho de João e Apocalipse.
Nerva (96-98)

Trajano (98-117)
  • Morte: Apóstolo João.

Conclusão
Procuramos resumir os principais fatos que marcaram a origem do Cristianismo no contexto politico (romano), cultural (grego) e religioso (judeu), a temporalidade e historicidades da pessoa do Salvador, Jesus Cristo, a escolha e trabalho dos apóstolos, a perseguição dos primeiros cristãos, a vida da igreja, seu credo, formas de culto e governo.
Destacamos para efeito de fé e história, a importância do Cristianismo e sua base, o colegiado apostólico e a fé dos primeiros cristãos que iniciaram a propagação do Reino de Deus, começando por Jerusalém, seguiram-se pela Palestina e cuja mensagem alcançou todo o Império Romano e chegou até os dias de hoje.
Muitas mudanças e ataques sofreram o Cristianismo no decorrer dos tempos, mas o trabalho dos primeiros cristãos, ou da Igreja Primitiva, como é chamada a igreja daqueles dias, serve ainda como base fundamental e exemplo para a Igreja e os cristãos hoje. 
Referencias bibliográficas
CULLMANN, A formação do Novo Testamento. São Leopoldo (RS): Sinodal, 1984.
DOUGLAS, J. D. (Org.). O novo dicionário da Bíblia. Vol. I, II e III. São Paulo: Vida Nova, 1979.
GONZALEZ, Justo L. E até os confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo, Vol. 1, A era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995.
NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana: 1985.
SCOFIELD, Dr. C. I. A Bíblia Sagrada – Edição Revista e Atualizada no Brasil: São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1987.


Notas:

  • [1] Neste e nos demais artigos, as principais fontes consultadas são as obras de Justo L GOZÁLEZ, Robert Hastings NICHOLS, Bengt HÄGGLUND, Oscar CULLMANN e outras, citadas como referências bibliográficas no final deste trabalho.
  • [2]  Esta e outras referências bíblicas são extraídas da versão on-line da Bíblia Sagrada, ARC, Almeida, Revista e Corrigida, 1995.
  • [3] César Augusto governava o Império Romano quando Jesus nasceu. Seu verdadeiro nome era Otávio, porém, no ano 27 a.C., o senado romano conferiu-lhe o título honorífico de "Augusto", pelo qual é conhecido até hoje.” (GOZALEZ: 1995, p. 10).
  • [4]  Adaptado de NICHOLS: 1985, Op. Cit., pp. 5 a 11.   
  • [5] Imagem disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Muralha_de_Adriano#/media/File:RomanEmpi re_117-pt.svg>. Acesso em 27/01/2015.
  • [6] Aprendi, desde que comecei a estudar Teologia, que o nosso Antigo Testamento corresponde ao Torah ou Torá dos hebreus. Mas Torah corresponde apenas à Lei ou os cinco primeiros livros do nosso Antigo Testamento. Na verdade, o livro sagrado hebraico é o Tanakh ou Tanach “... um acrônimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica. O conteúdo do Tanakh é equivalente ao Antigo Testamento cristão, porém com outra divisão. De acordo com a tradição judaica, o Tanakh consiste de vinte e quatro livros.” (Texto disponível em: <http://bibliotecaortodoxadobrasil.blogspot.com.br/search/label/Tanach>). Acesso em 29/01/2016.
  • [7] Frederick Fyvie BRUCE destaca que Quirino foi legado imperial da Síria-Cilícia, entre 6 e 9 d.C., e que no seu governo foi feito um recenseamento, que o autor relaciona, com base em Flávio Josefo (Antiguidades XViii. 1.1), com o referido em Atos 5.37. Embora Lucas também escreveu o livro de Atos, seu Segundo Tratado (o Evangelho que leva seu nome foi o primeiro), no seu evangelho, ele cita “Quirino, governador da Síria”. Mas Bruce afirma também sobre a existência de outros recenseamentos sob seus auspícios. Com isto, “... o recenseamento referido em Lucas 2.1 e segs., entretanto, deve ter ocorrido pelo menos nove anos antes.” (BRUCE, F.F. O Novo Dicionário da Bíblia, Vol. III. São Paulo: Vida Nova, 1979. p. 1360). Considerando, então, estas importantes informações, podemos concluir, portanto que Jesus nasceu entre estas datas que mencionei acima. Esta informação está também em consonância com o texto A vida de Jesus Cristo, em O Novo Dicionário da Bíblia. Vol. I, onde J. N. Geldenhuys fala do Jesus Histórico que viveu “... entre o tempo da vida de nosso Senhor sobre a terra (c. de 6/4 A.C. – 30 D.C)”, p. 820.
  • [8] No governo de Nero, também, segundo o Dr. Scofield, surge a maior parte dos escritos no Novo Testamento, conforme quadro abaixo.
  • [9] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Persegui%C3%A7%C3%A3o_aos_crist%C3%A3os#Persegui.C3.A7.C3.A3o_sob_o_Imp.C3.A9rio_Romano>. Acesso em 23/11/2016.
  • [10] Conforme informações de datas constantes em: O Novo Dicionário da Bíblia (Op. Cit., Vol. I, II e III).
  • [11] As datas das mortes dos apóstolos citadas na tabela são aproximadas, bem como seus locais, considerando as possíveis presenças dos mesmos nestas regiões.
  • [12] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Pedro>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [13] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Andr%C3%A9>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [14] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Santiago_Maior>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [15] Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o,_o_Evangelista>. Acesso em: 19/11/2016 
  • [16] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_(ap%C3%B3stolo)>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [17] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Bartolomeu>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [18] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Tom%C3%A9>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [19] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mateus_(evangelista)>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [20] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Santiago_Menor>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [21] Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Judas_Tadeu>. Acesso em: 19/11/2016. Nesta fonte cita apenas como data da morte de Judas Tadeu, o “século I d.C.”.
  • [22]Segundo o cronista cristão Hegésipo, Simão [o Zelote] encontrou o martírio nos tempos do imperador Trajano, quando contava com, aproximadamente, 120 anos de idade.” Disponível em: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sim%C3%A3o,_o_Zelote>. Acesso em: 19/11/2016.
  • [23] González faz referência à perseguição de Nero a partir de 64 (como já dissemos acima) e aponta o ano 69, como a data da morte de Nero. Desta forma, podemos ficar com o que disse Eusébio de Cesareia, “... que escreveu no século IV d.C., [ele] afirma que Paulo foi decapitado durante o reino do imperador romano Nero (...). Este evento tem sido datado ou no ano de 64 d.C., quando Roma foi devastada por um incêndio, ou alguns anos depois, em 67 d.C.”. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_de_Tarso#Pris.C3.A3o_e_morte>. Acesso em 19/11/2016.
  • [24] As datas acima expostas foram extraídas de A Bíblia Sagrada, com referências e anotações de Dr. C. I. SCOFIELD. Com exceção da Epístola aos Romanos, todas as datas dos demais livros são acompanhadas com “c. de” (cerca de), isto é, datas prováveis ou aproximadas.