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31 março 2025

Bispos e Papas (15): Calisto Primeiro

 

Bispo Calisto I [1]

Continuando nossa lista dos bispos e papas romanos, quero destacar aqui o bispo Calisto, que na História Eclesiástica (HE)[2] de Eusébio de Cesareia, aparece como o número 15 da lista. Depois de Zeferino  servir a Igreja por 18 anos, “... foi sucedido no episcopado por Calisto...” (HE, 6, XXI).

Como os outros casos, as informações que temos são de fontes católicas. Conforme esta fonte, por exemplo, Calisto era romano de Trastevere e filho de escravos. Trata-o como como um “administrador pouco habilidoso” que deu grande desfalque ao imperador Cômodo e, por isso, teve que fugir, mas foi capturado em Óstia (cidade próxima de Roma) e condenado a girar a roda de um moinho. Depois foi deportado para as minas da Sardenha. Aqui, encontramos também que “... ele foi preso por ter brigado em uma sinagoga, quando tentou emprestar dinheiro ou receber débitos de alguns judeus’.

Calisto teve o apoio do papa [bispo] Vítor que, para ajudá-lo a desviar da tentação, fixou-lhe um ordenado. Depois, o sucessor do bispo Vitor, Zeferino, foi igualmente generoso com ele e ordenou-o diácono, confiando-lhe a guarda do cemitério cristão na via Ápia Antiga. Calisto sucedeu a Zeferino em Roma, mas seu pontificado atraiu as inimizades de uma ala da comunidade cristã de Roma que acusou o processo de sua escolha de heresia. Como era esperado, Calisto teve muitos opositores, incluindo um antipapa – Hipólito de Roma –. Por conta disto, muitas informações sobre ele são distorcidas. O motivo da discórdia com Hipólito de Roma “... fora a questão trinitária e a absolvição concedida por Calisto aos pecadores de adultério, homicídio e apostasia, absolvição que antes só era dada uma vez na vida e após uma dura penitência pública, enquanto os reincidentes eram excluídos da comunhão eclesial...” (Idem).

Calisto morreu numa revolta popular contra os cristãos e foi lançado a um poço. Mais tarde, deram-lhe sepultura honorífica no Cemitério de Calepódio, na Via Aurélia, junto do lugar do seu martírio.

A Cripta de São Calisto: 

Uma das metas obrigatórias para os peregrinos e turistas que se dirigem à Roma são as catacumbas. Particularmente célebres e frequentadas são as de São Calisto, definidas pelo Papa João XXIII “as mais respeitáveis e as mais célebres de Roma”. Numa área de mais de 120.000 m², com quatro andares sobrepostos, foi calculado que lá existem não menos de 20 quilômetros de corredores... Essa obra colossal fixa para sempre a memória de São Calisto, que cuidou de sua realização, primeiro como diácono do Papa Zeferino, e depois como o próprio Papa. Mas além das dimensões, este lugar é precioso pelo grande número e pela importância dos mártires que ali foram sepultados, e particularmente célebres são a cripta de Santa Cecília e a contígua à dos papas, na qual foram sepultados o Papa Ponciano Antero, Fabiano entre outros... O túmulo dele está colocado bem no meio da Roma antiga, na basílica de Santa Maria in Trastevere, que, construída por determinação do Papa Júlio, na metade do século IV, foi intitulada também de São Calisto. Essa obra colossal fixa para sempre a memória de São Calisto, que cuidou de sua realização, primeiro como diácono do Papa Zeferino, e depois como o próprio Papa. Mas além das dimensões, este lugar é precioso pelo grande número e pela importância dos mártires que ali foram sepultados, e particularmente célebres são a cripta de Santa Cecília e a contígua à dos papas, na qual foram sepultados o Papa Ponciano Antero, Fabiano entre outros... O túmulo dele está colocado bem no meio da Roma antiga, na basílica de Santa Maria in Trastevere, que, construída por determinação do Papa Júlio, na metade do século IV, foi intitulada também de São Calisto (Canção Nova).

Referências bibliográficas:

CANÇÃO NOVA. São Calisto I, Papa criador do cemitério da Via Ápia. Disponível em: https://santo.cancaonova.com/santo/sao-calisto-i-papa-criador-do-cemiterio-da-via-apia/. Acesso em: 27/03/2025.

WIKIPEDIA. Papa Calisto I. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Calisto_I>. Acesso em: 27/03/2025.


Notas:

  •  [1] Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa. Disponível em: <https://santo.cancaonova.com/santo/sao-calisto-i-papa-criador-do-cemiterio-da-via-apia/>. Acesso em: 27/03/2025.
  •  [2CESAREIA, Eusébio. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

13 janeiro 2025

Nova República (2): Tancredo Neves, o presidente que não assumiu o poder

 

Tancredo Neves enfermo, ao lado de seus médicos [1]

Como vimos aqui, a eleição indireta de Tancredo Neves representou o auge da transição entre o Regime Militar e a Nova República. A emenda de Dante de Oliveira em 1984, que restabelecia eleição direta para presidente, proposta ao Congresso, não foi votada, por falta de quórum, mas o movimento das “Diretas Já!” ganhou ainda mais força com manifestações por todo o Brasil. Surgiram então algumas alianças para disputar o poder.

1. A Vitória de Tancredo

O PDS, partido onde se concentraram os ex-integrantes da Arena, divide-se, entre três candidatos: Aureliano Chaves, Mário Andreazza e Paulo Maluf. O primeiro, percebendo a pouca chance que tinha, retira a candidatura. Paulo Maluf vence com facilidade a convenção, habilitando-se à sucessão presidencial. Tal vitória, porém, leva a uma fragmentação do PDS, dando origem ao Partido da Frente Liberal (PFL). Formado por grupos derrotados na convenção que elegeu Maluf, tal partido se aproxima da candidatura oposicionista de Tancredo Neves, do PMDB. A aliança implica ceder a vice-presidência a um membro do PFL, no caso José Sarney, ex-arenista.

Em 15 de janeiro de 1985, a oposição chega ao poder com a vitória de Tancredo e de seu vice Sarney. Mas Tancredo Neves morre antes de tomar posse. Depois de muito impasse e da decepção política que envolve a escolha, prevaleceu a determinação legal que garantia a posse do vice-presidente José Sarney ao poder, interinamente, em 15 de março de 1985, e em 21 de abril de 1985, de forma definitiva. E governa o Brasil até 1990.

2. Questionamentos [2] acerca da morte de Tancredo

A versão oficial sobre a morte de Tancredo é que ela teria sido provocada por diverticulite - doença inflamatória no intestino grosso –, e veio a falecer com 75 anos antes de tomar posse, em São Paulo, em 21 de abril de 1985. Mas muitos acreditam que ele teria sido assassinado por meio de envenenamento ou mesmo baleado.

A hipótese de envenenamento de Tancredo tem relação com outra morte, a do seu mordomo João Rosa, em circunstâncias parecidas, isto é, ele teria sentido os mesmos sintomas e dores de Tancredo. O mordomo João, que morreu um dia depois do Presidente, também foi diagnosticado como sendo diverticulite a causa de sua morte.

A outra hipótese, a de um possível assassinato, diz-se que no dia anterior à sua posse, Tancredo estava numa missa em Brasília, para celebrar a vitória, sentiu-se mal e foi internado no Hospital de Base de Brasília, um local sem as condições necessárias para realizar as cirurgias às quais Tancredo foi submetido. A UTI do hospital estava em reforma. Mas por algum motivo desconhecido os médicos impediram Tancredo de ir para São Paulo, onde poderia ser melhor tratado.

A própria data do seu falecimento também é discutida. Há quem acredite que o anúncio da sua morte foi propositalmente feito no Dia de Tiradentes (21 de abril), mas que Tancredo Neves já teria morrido dias antes.

Conspirações ou não, o certo é que a morte de Tancredo é tema de muitas suspeitas e discussões. Veja também o vídeo [3], a seguir, acerca do da polêmica morte de Tancredo Neves.



Fontes:

  • [1Foto: Os bastidores da foto mais polêmica de Tancredo Neves. In: <https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/almanaque/presidente-morto-vivo-os-bastidores-da-foto-mais-polemica-de-tancredo-neves.phtml>. Acesso em: 08/01/2025.

  • [2] Texto:

a) A misteriosa morte de Tancredo Neves, um trabalho do aluno Fabrício Ma, do 8º Ano... Disponível em: https://colband.net.br/2013/05/25/a-misteriosa-morte-de-tancredo-neves/. Acesso em: 08/01/2025.

b) A morte de Tancredo. Disponível em: https://averdadenomundo.blogspot.com/2011/06/morte-de-tancredo-neves.html.  Acesso em: 08/01/2025.

c) Tancredo Neves. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/tancredo-neves/. Acesso em: 08/01/2025. 

06 janeiro 2025

Nova República: (1) do fim do Regime Militar às “Diretas Já!”

 Por: Alcides Amorim

O dia em que a ditadura acabou (Gazeta do Povo, 14/01/2015)


Em meio à repressão e censura do Regime Militar, movimentos de protesto exigindo eleições livres e diretas, fim do regime, melhorias salariais e condições de trabalho foram constantes nos anos 70 e início dos 80. Os eleitores valiam-se das próprias eleições para manifestar sua oposição ao regime. Nas eleições de 1970, houve 60% de votos nulos e em branco; nas de 1974, os partidos de oposição foram vitoriosos; em 1978, o governo obteve a maioria graças aos “senadores biônicos” (senadores nomeados) e foi obrigado a manter as eleições indiretas para governador para não perder em muitos estados; nas eleições para governador, em 1982, o governo foi o grande derrotado, com a vitória dos partidos de oposição.

1. João Figueiredo e a abertura política

João Figueiredo

Durante o último presidente militar, João Baptista Figueiredo (1918-1999), foi consolidada a abertura política do país através da Lei da Anistia, a Lei 6683, de 1979, que das eleições diretas para o Congresso e os governos dos estados.

Passeata pela anistia no Rio de Janeiro

Com a abertura política, o processo de democratização passava, ainda, pela garantia da pluralidade partidária. Até então, o Brasil vivia o bipartidarismo e somente existiam dois partidos: a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Mas Figueiredo permitiu a criação de vários partidos. Assim surgiram:

  • PDS (Partido Democrático Social), onde se concentraram os ex-integrantes da Arena;
  • PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), integrado por aqueles que formaram o MDB e liderado pelo deputado Ulysses Guimarães;
  • PP (Partido Popular), fundado pelo deputado Tancredo Neves;
  • PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), fundado por Getúlio Vargas;
  • PDT (Partido Democrático Trabalhista) de orientação à esquerda e liderado por Leonel Brizola
  • PT (Partido dos Trabalhadores), fundado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

E também na gestão de João Baptista Figueiredo, foi aprovado o projeto que garantia o voto direto para governadores e prefeitos, deputados e senadores, mas não para presidente.

2. Campanha das “diretas já!”

A oposição estava suficientemente fortalecida a ponto de lançar um movimento pelo retorno das eleições diretas para presidente. Como é sabido, desde 1964 esse processo era controlado, por intermédio do Congresso Nacional, pelas forças armadas. A campanha pelas “Diretas Já!” consegue grande adesão popular, sendo registrados comícios com até um milhão de pessoas. Em 1984, a emenda Dante de Oliveira – que restabelece a eleição direta para presidente – é proposta ao Congresso. No entanto, por falta de quórum, não é votada. Embora não tenha atingido seu objetivo principal, a mobilização popular influencia os meios de comunicação de massa, gerando divisões nas elites e fazendo recuar setores radicais do Exército. Pela primeira vez em vinte anos, os militares não controlam mais a sucessão presidencial. O PDS divide-se, então, entre três candidatos: Aureliano Chaves, Mário Andreazza e Paulo Maluf. O primeiro, percebendo a pouca chance que tinha, retira a candidatura. Paulo Maluf vence com facilidade a convenção, habilitando-se à sucessão presidencial. Tal vitória, porém, leva a uma fragmentação do PDS, dando origem ao Partido da Frente Liberal (PFL). Formado por grupos derrotados na convenção que elegeu Maluf, tal partido se aproxima da candidatura oposicionista de Tancredo Neves, do PMDB. A aliança implica ceder a vice-presidência a um membro do PFL, no caso José Sarney, ex-arenista e pedessista, que acompanha a dissidência liderada por Aureliano Chaves, vice-presidente na gestão do general Figueiredo.

Em 15 de janeiro de 1985, a oposição chega ao poder. A campanha, porém, é exaustiva para o candidato vitorioso. Com mais de 70 anos e saúde debilitada, Tancredo Neves morre antes de tomar posse, em 21 de abril de 1985. Apesar da decepção política da maioria dos brasileiros, a determinação legal que garantia a posse do vice-presidente foi acatada e José Sarney tomou posse interinamente em 15 de março de 1985 e em abril de 1985, com a morte de Tancredo, de forma definitiva a presidência da república, tendo que lidar com a hiperinflação e a recessão econômica instalada no Brasil.

Portanto, a chamada ditadura militar terminou em 1985, com a eleição de Tancredo Neves, ainda de forma indireta, mas com a Presidência da República nas mãos de um civil depois de 21 anos.

A seguir, veja o vídeo abaixo Redemocratização do Brasil: revelando os 4 fatos que marcaram o fim da ditadura militar.

Referências bibliográficas:

BEZERRA, Juliana. João Baptista Figueiredo. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/joao-baptista-figueiredo/>. Acesso em:

31/12/2024.

_______________. José Sarney. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/jose-sarney/. Acesso em: 31/12/2024.

DEL PRIORI, Mary e VENANCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

TODA MATÉRIA. Redemocratização do Brasil: revelando os 4 fatos que marcaram o fim da ditadura militar. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DAxqtxYnqU0. Acesso em: 31/12/2024.

23 dezembro 2024

Bispos e Papas (13): Vítor

 Por: Alcides Amorim 


Bispo Vítor I [1]


Continuando a lista dos bispos e papas, destacando inicialmente os listados por Eusébio de Cesareia, ele descreve a ordem dos bispos até o número 12 de seu livro História Eclesiástica (HE) [2], que foi Eleutero. Este aparece no final do seu livro 5, capítulo VI: “O décimo segundo desde os apóstolos no episcopado agora é Eleutero, na mesma ordem e na mesma doutrina...”.  Os demais bispos citados por ele, não aparecem na ordem numérica.

O próximo bispo, o número 13 na ordem dos bispos romanos, é Vítor. “No décimo ano do reinado de Cômodo, Eleutero, que tinha mantido o episcopado por treze anos, foi sucedido por Vítor...” (EC, 5, XXII). Na lista de todos os papas da Igreja Católica (p.ex., aqui), o nome Vítor é acrescido do número I (Vítor I) e corresponde ao 14º papa da lista, considerando que o Apóstolo Pedro também foi papa, juntamente com os demais bispos de Roma. Na Lista, há também o Vítor II (1055-1057), que ocupa a 153ª posição. 

As informações que transcrevemos sobre Vítor I são de fontes católicas, por exemplo, nesta [3] e nesta outra [4].

Vítor I:

  • Nasceu na atual Tunísia, norte da África. Portanto, o primeiro “papa” africano
  • Seu pontificado [ou bispado] foi marcado por definições importantes na liturgia da igreja, referentes a (o):

- Idioma: uso do latim na celebração da missa, ao invés do grego; 

- Batismo: uso de qualquer água no rito batismal;

- Páscoa: celebração no domingo, dia da ressurreição de Cristo;

- Domingo: dia mais importante da semana, em lugar do sábado judaico;

  • As definições litúrgicas acima foram institucionalizadas no primeiro Concílio de Niceia (325).
  • Vítor I também combateu heresias como o adocionismo [5], que ”... pregava que Jesus Cristo não era filho de Deus, mas um homem puríssimo e superior aos outros, adotado por Ele como seu filho...” (Nota 4).

Eusébio (5, XXIV) afirma que o bispo Vítor recebeu de Polícrates, líder dos bispos da Ásia, uma carta na qual afirma: “... assim observamos o dia genuíno, sem pôr nem tirar. Pois na Asia grandes luzes já dormem, as quais ressuscitarão no dia da manifestação do Senhor, em que Ele virá do céu com glória e levantará todos os santos... Todos eles [Filipe e João (apóstolos), Policarpo e outros] eles observam o décimo quarto dia da páscoa de acordo com o evangelho, não se desviando em nada, antes, seguindo a regra da fé...”. Eusébio afirma que Vítor tentou excomungar Polícrates e outros por terem tido essa opinião, mas depois reverteu sua decisão após Irineu e outros terem intercedido. Observe que aqui percebemos divergências doutrinárias entre as igrejas da Ásia e as de Roma...

Bem, segundo esta fonte , Vítor I foi papa entre 189 a 199. E no vídeo, a seguir, veja mais sobre o Bispo ou papa Vítor I.


Notas / Referências bibliográficas:

15 novembro 2024

Tempo e tempos (5): Dia do Senhor (Domingo) - Apocalipse 1.10

 Por: Alcides Amorim

Já vimos aqui que a palavra hebraica para dia é yom (יוֹם) no seu sentido literal e de tempo ou período percorrido como entendemos: dia de 24 horas. Aqui, destaquei o dia de descanso ou de adoração utilizado pelos cristãos: “Hemera ou Iméra tou Kyríou” (Dia do Senhor ou o Domingo), baseados nos comentários de Wood. [1] e de BEASLEY-MURRAY (Nota 4 abaixo).

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Essa expressão [Dia do Senhor] é encontrada apenas uma vez nas Escrituras como indicação do primeiro dia da semana. Em Ap 1:10, João desvenda que a visão do Apocalipse lhe foi dada quando foi arrebatado 'no espirito, no dia do Senhor’. Essa é a primeira ocorrência que temos, na literatura cristã, da expressão “hê kyriaké hemera”. A construção adjetival sugere que se tratava de uma designação formal sobre o dia de adoração da Igreja. Como tal certamente aparece no início do segundo século (Inácio, Epístola aos Magnesianos, i. 67) [2].

Pouco apolo pode ser aduzido em favor da teoria que diz que esse termo se refere ao dia da Páscoa, exceto, naturalmente, no sentido que cada dia do Senhor é uma recaptulação pascal. Porém, deve ser observado que eruditos de tanta reputação como Wettstein, Deissmann, e Hort, entre outros, preferem interpretar o versículo como indicação que João foi transportado, em seu êxtase espiritual, até o grande dia do próprio juízo (cf Ap 6:17; 16:14). Lightfoot acredita que existem ‘razões muito boas, não até mesmo conclusivas’ em favor dessa posição (The Apostolic Fathers, II, secção I, parte II, pág. 129. A opinião da maioria, entretanto, se inclina a sentir, juntamente com Swete, que tal interpretação ao contexto imediato e contrário ao uso linguístico (a Septuaginta sempre emprega a expressão he hemera tou kyriou para o profético ‘dia do Senhor’: kyriakos não aparece nunca). Seria razoavelmente seguro, portanto, concluir que, assim como a localização real da visão de João é registrada no versículo, semelhantemente a ocasião real também é registrada no versículo 10.

Mesmo que pudéssemos aceitar uma data tardia para o livro de Apocalipse (c. de de 96 D. C.), não seria necessário supor, juntamente com Harnack, que a expressão he kyriake hemera não estava em uso antes do término do primeiro século de nossa era. É possível que essa expressão tenha surgido tão cedo quanto 57 D. C., quando Paulo escreveu a epístola de 1 Coríntios. Em 11:20 desse livro o apóstolo fala em kyriakon deipnon ('ceia do Senhor'). É interessante que a versão pesita diz 'dia do Senhor' nesse versículo. Porém dificilmente parece que o termo estivesse então em uso corrente, pois, mais adiante naquela mesma epístola, Paulo diz kata mian sabbatou, (no primeiro dia da semana' (16:2).

Deissmann lançou mais alguma luz sobre o título ao mostrar que na Ásia Menor e no Egito, até mesmo antes da era Cristã, o primeiro dia de cada mês era chamado de dia do Imperador ou Sebastē. Isso, eventualmente, pode ter sido transferido para um dia qualquer da semana, provavelmente a quinta-feira (dies Iovis). 'Se essas conclusões são válidas', comenta R. H. Charles, 'então poderemos entender quão naturalmente o termo "Dia do Senhor" teve início; pois assim como o primeiro dia de cada mês, ou como certo dia de cada semana era chamado de "Dia do Imperador", semelhantemente seria natural que os crentes dessem nome ao primeiro dia de cada semana, associado como estava à ressurreição do Senhor e ao costume dos crentes de se reunirem para adorar, chamando-o de "Dia do Senhor". Talvez tenha surgido primeiramente em círculos apocalípticos, quando uma atitude hostil para com o império foi adotada pelo Cristianismo' (R. H. Charles, The Revelation of St. John, 1920, I, pág. 23; cf BS, págs. 218 e segs.).

'Senhor, nessa passagem, claramente significa Cristo, e não Deus Pai. Trata-se do dia de Cristo. Pertence-Lhe por causa de Sua ressurreição, quando foi 'poderosamente demonstrado filho de Deus' (Rm 1:4). Mc Arthur certamente tem razão ao afirmar que esse título, afinal de contas, se deriva da Soberania de Jesus Cristo, Soberania essa que se tornou manifesta na ressurreição do 'primeiro dia da semana' (Mc 16:2; vd A. A. Mc Arthur, The Evolution of the Christian Year, 1953, pág. 21). A adoração cristã é essencialmente uma anamnesis (lembrança) do acontecimento da Páscoa, que revelou o triunfo do propósito redentor de Deus. Isso explica o tom prevalente de alegria e louvor. O primeiro dia era igualmente apropriado, visto que relembrava o dia inicial da criação, quando Deus criou a luz, bem assim o fato que o Pentecoste Cristão caiu no domingo. Além disso, é bem possível que a expectativa dos crentes primitivos fosse que o retorno do Senhor se verificasse em Seu próprio dia.

A mais antiga evidência relacionada com a observância do primeiro dia da semana, por parte dos cristãos, aparece em 1 Co 16:1,2, ainda que não haja ali referência explícita a alguma reunião realmente levada a efeito. At 20:7 [3] é passagem mais específica e provavelmente reflete o uso continuado do calendário judaico por parte dos crentes, conforme o qual o dia do Senhor teria início ao pôr do sol do dia de sábado. Alford vê na prontidão dos gentios em aceitar este cálculo judaico 'a maior prova de todas que o dia foi assim observada' (H. Alford, The New Testament for English Readers, p. 788). Por outro lado, não há no Novo Testamento qualquer indicação duma controvérsia sabatista. O dia do Senhor, que de fato cumpriu todos os propósitos beneficentes de Deus na instituição do sábado para a humanidade, era observado 'em novidade de espírito e não na caducidade da letra' (Rm 7:6).

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Resumindo, conforme diz Murray [4], o Dia do Senhor não deve ser entendido no sentido escatológico, como pensam alguns, “… como se João tivesse sido transportado para viver naquele dia, mas ‘no dia consagrado ao Senhor’, uma frase que se usava já no segundo século referindo-se ao domingo. O termo ‘o dia do Senhor’, como Deissmann [5] tem mostrado, é provavelmente a substituição desafiadora dos cristãos ao ‘dia do Imperador’, que era celebrado ao menos mensalmente na Ásia Menor, se não semanalmente. Indicava originalmente o dia da elevação de Faraó ao trono do Egito, ou seu dia natalício; a ideia foi apropriada pelos imperadores romanos. Como memorial do dia da ressurreição de Cristo, e assim, da sua exaltação à soberania, o título ‘o dia do Senhor’ é especialmente apropriado” (destaques meus).

Veja também o vídeo do Portal CACP, a seguir, sob o título “O que significa a expressão ‘O Dia do Senhor’?”, do Pr. Natanael Rinaldi:


Notas / Referências bibliográficas:

  • [1] WOOD, A. S. Dia do Senhor (Domingo). Apud: DOUGLAS, J. D. (Editor Organizador). O Novo Dicionário da Bíblia, Volume I. São Paulo: Vida Nova, 1979, Pág. 417/8.

  • [2“… Portanto, não precisamos mais manter o sábado, como fazem os judeus, ou alegrar-se pelos dias de ociosidade, pois “aquele que não trabalha, não deve comer”. Também foi dito pelos [santos] oráculos: ‘É pelo suor da tua face que comerás o teu pão’. Mas deixe todo aquele entre vós que ainda mantém o sábado por motivo espiritual, alegrando-se na meditação da Lei e não no descanso do corpo, admirando a obra de Deus e não comendo coisas preparadas no dia anterior, não fazendo uso de bebidas mornas ou andando um certo limite prescrito, não deleitando-se por dançar e aplaudir, e outras coisas sem sentido. Porém, após a observância do sábado, deve todo amigo de Cristo observar o Dia do Senhor como festa, o dia da ressurreição, a rainha e comandante de todos os dias [da semana]. Foi sobre isto que o profeta declarou: 'Para encerrar, o oitavo dia' [Foi nesse dia] que a nossa vida renasceu e a vitória sobre a morte foi obtida em Cristo…” (“Epístola aos Magnésios”.(Inácio, Bispo de Antioquia, 67 – 110 d.C., Parte IV, 9). Disponível em: <Inácio de Antioquia / Epístola aos magnesios>. Acesso em 13/11/2024.

  • [3E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite” (Versão A.C.F.).

  • [4BEASLEY-MURRAY, George Raymond. Apocalipse. In: O Novo Comentário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1983, Comentário sobre Apocalipse 1.10.

  • [5Gustav Adolf Deissmann (1866-1937): “teólogo protestante alemão, melhor conhecido por sua pioneira obra sobre a língua grega utilizada no Novo Testamento, que ele demonstrou ser o koiné, ou a língua comum utilizada no mundo helênico daquele tempo…”. Mais em: <Wikipedia – Deissmann>. Acesso em: 14/11/2024.

24 outubro 2024

Tempo e tempos (3): Hora na Bíblia

Por: Alcides Amorim

Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo” (Jo 11.9) [1].

Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora”  (1Jo 2.18).


No intuito de estudar textos bíblicos que tratam de escatologia – estudo das últimas coisas –, achei por bem ver um pouco sobre unidades de tempo (hora, dia, mês, ano etc.), desta feita iniciando pela palavra HORA. Isto é, os vários sentidos da palavra e, especialmente, a hora, no sentido escatológico.

Destaco abaixo, primeiramente a palavra hora como tempo definido (preciso) entendida nos tempos bíblicos no sentido hebraico e romano. Em seguida, a mesma palavra com o sentido escatológico.

1. Hora como divisão de tempo

Em seu sentido mais preciso, uma hora é um doze-avo (1/12) do período em que o sol aparece. Na referência acima, João 11.9, Jesus fala de um dia com luz de 12 horas, computadas do nascer até o pôr do sol. A noite, no entanto, era composta de três vigílias (judaicas) ou quatro vigílias (romanas), computadas desde o pôr do sol até o nascer do mesmo. “Visto que o nascer e o pôr do sol variavam conforme o período do ano, as horas bíblicas não podem ser traduzidas exatamente conforme as modernas horas cronométricas; e, seja como for, a ausência de cronômetros exatos significa que o tempo do dia era indicado em termos mais gerais do que entre nós”[2]. Os romanos computavam seu dia civil como período que se iniciava à meia-noite, enquanto que os judeus reputavam-no como tendo início ao pôr do sol. Considerando os dois modelos de contagem [3], temos:

a) Dia claro das 6 às 18 horas:

  • Primeira hora = 6 a 7 da manhã;
  • Segunda hora = 7 a 8 da manhã;
  • Terceira hora = 8 a 9 da manhã;
  • Quarta hora = 9 a 10 da manhã;
  • Quinta hora = 10 a 11 da manhã;
  • Sexta hora = 11 a 12 Meio dia;
  • Sétima hora = 12 (meio dia) a 1 da tarde;
  • Oitava hora = 1 a 2 da tarde;
  • Nona hora = 2 a 3 da tarde;
  • Décima hora = 3 a 4 da tarde;
  • Décima primeira hora = 4 a 5 da tarde;
  • Décima segunda hora = 5 a 6 da tarde, ou 18 horas.


a) Dia escuro (noite) das 18 ou 6 da tarde, às 6 horas (manhã do outro dia):

Em Mateus 14.25 encontramos: “Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar”.

Segundo Russell Champlin: “… os romanos dividiam a noite em quatro vigílias, de três horas cada uma, costume esse que evidentemente foi adotado pelos judeus desde os tempos de Pompeu, e que se reflete nas Escrituras do N.T. Essas vigílias começavam, respectivamente, às 18:00 horas, às 21:00 horas, às 24:00 horas e às 3:00 horas” [4]. Considerando o critério romano, portanto, como sendo a noite dividida em quatro vigílias, temos:

  • Primeira vigília = das 18 às 21 horas;
  • Segunda vigília = das 21 às 24 horas;
  • Terceira vigília = das 24 (0 hora) às 3 horas;
  • Quarta vigília = das 3 às 6 horas.

Então, podemos dizer que Jesus dirigiu-se para seus discípulos, andando por cima do mar, à noite, entre três e seis horas da manhã. E para exemplificar também o dia segundo o critério romano, citando o texto de Mateus 20.1-10, encontramos ali a parábola dos obreiros da vinha ou parábola dos trabalhadores. Considerando apenas o sentido literal da parábola temos os termos: “madrugada” (v. 1), equivalente a algum momento antes das seis horas; “hora terceira” (v. 3), equivalente às nove horas; “hora sexta e nona” (v. 5), equivalentes, respectivamente, às doze e quinze horas; e, finalmente, “hora undécima” (v. 6), equivalente às dezessete horas.

Neste e em outros exemplos, podemos perceber a palavra hora com o sentido de o momento (a hora) de algum acontecimento. Outros exemplos: “… Pai, salva-me desta hora…” (Jo 12.27); “… Simão, dormes? não podes vigiar uma hora?” (Mc 14.37); “E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona” (At 3.1); “… E naquela mesma hora o seu criado sarou” (Mt 8.13) etc.


2. Hora no sentido profético/escatológico 

Nas Escrituras vemos também a palavra hora com o sentido profético, ou seja, de algum acontecimento a ser revelado no futuro. Sobre isto, queria destacar alguns versículos e buscar entender seus significados escatológicos.

a) Hora da volta de Jesus:

Sobre a hora da vinda de Jesus, encontramo-na em várias passagens dos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e também em João. Exemplo: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor(Mt 24.42); “… daquele dia e hora ninguém sabe...”(Mc 13.32); “… porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais…(Lc 12.4). Também relacionada à ressurreição dos mortos encontramos em João: “… vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz…” (Jo 5.28).

b) Hora da recompensa dos que servem a Jesus:

As várias etapas (da chamada de trabalhadores para a vinha do “Pai de família”) de Mateus 20, se assemelham ao “reino dos céus”, disse Jesus. Isto significa que há trabalhadores que trabalham mais tempo no Reino, outros menos e outros, ainda, muito menos. Mas todos receberão os seus galardões do “Dono da vinha”, tantos os que foram chamados de “madrugada” (v. 1), quantos os que foram chamados na “hora terceira” (v. 3), “hora sexta e nona” (v. 5) e ainda na “hora undécima” (v. 6), todos serão recompensados. Observe que “horas”, descritas na parábola, tem o sentido literal (tempo de trabalho) e pagamento pelo mesmo, e também profético, podendo referir-se, no sentido espiritual, aos servos de Deus que serão recompensados pela sua atividade no Reino de Deus, o Senhor da Vinha. Portanto, para Deus, uns servem desde criança, outros começam à meia idade e, outros ainda, na velhice ou final da vida. Mas todos são alcançados pela graça de Deus. “Assim é a graça de Deus. A sua graça se adapta à necessidade, juntamente com o seu desígnio de transformar o trabalhador, mas não de acordo com os méritos do mesmo. Não obstante, Deus não ignora totalmente o mérito, porque a recompensa dos galardões será distribuída segundo o trabalho feito… O ‘dono’ não fizera qualquer promessa a estes últimos trabalhadores, nem mesmo um salário segundo fosse ‘justo’. Não obstante, receberam o galardão da promessa feito àqueles que haviam trabalhado longa e arduamente... Ficamos certos, por ensinos como estes, que o Todo-poderoso usa de benevolência, o que basta para dar à existência humana uma grande significação...” [5].

Quando (a que hora?) será a recompensa dos galardões? Será após a volta de Jesus: “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22.12).

c) Última hora e hora da tentação

Quero destacar aqui três referências que falam da palavra hora no sentido de fim dos tempos e de juízo:

  • Porque já é tempo [hora] que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (1Pe 4.17). A expressão kairós” (o kairos tou) é traduzida na versão que estou usando (ACF), por tempo (o tempo é chegado) e em outras versões (como a NVI), por “hora” (é chegada a hora). Kairós (do qual falaremos em outro momento) tem o sentido de tempo certo ou oportuno. Percebe-se pelo texto que hora ou tempo ali expresso ou ainda não chegou apesar da expressão “já é tempo/hora”, ou o final desta hora (julgamento) ainda também não chegou. Mas o certo é que o julgamento começa pelo povo de Deus. Não era ainda o fim… [e] se o julgamento é tão rigoroso para o povo de Deus, sua severidade para os incrédulos é indescritível (17b, 18; cfr. Luc .23.31). Mas o cristão tem um segredo que o incrédulo não tem. Pode entregar-se às mãos de Deus em inteira confiança, ciente de que Ele não pode falhar” [6].

  • Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora(1Jo 2.18). Alguns termos são importantes ser destacados neste verso: “última hora”, “anticristo” e “anticristos” (no plural). Primeiramente, a “última hora” já chegou? João diz que sim, mas ainda não terminou. Como sabemos disto? Porque Jesus ainda não voltou! Muitos “anticristos” se referem aos inimigos de Cristo, que representa um grupo (ou parte da sociedade) com índole anticristã, isto é, que vive contrária à vontade e modo de pensar de Cristo. Como eu disse aqui “… João reconhece que era esperado um único anticristo, [mas nesta sua Carta] ele dirige a sua atenção aos muitos anticristos que já apareceram negando que Jesus é o Cristo, contrariando, assim, a verdadeira natureza do Pai e do Filho... Os docetistas contemporâneos [de João] não davam crédito à humanidade de Cristo (2Jo 7), alegando que Ele parecia ter a forma humana. Para João, eles eram a concretização do espírito do anticristo”. Anticristo, neste caso, é alguém que “… assalta a Cristo propondo-se fazer ou preservar o que Ele fez, ao passo que O nega” (Westcott) [7]. Mas, há também o anticristo, um personagem maligno especial que recebe vários nomes da Bíblia, como "filho da perdição" (2 Ts 2.3; cf. Jo 17.12); “o iníquo" (2 Ts 2.8); a “besta” (Ap 13) e outros.

  • Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Ap 3.10). Esta palavra de promessa dita por Jesus a respeito da Igreja de Filadélfia, é muitas vezes interpretada pelos dispensacionalistas/pré-tribulacionistas como um livramento dos cristãos fiéis da Grande Tribulação que virá ao mundo. A Igreja de Filadélfia, que representa o último estágio da Igreja Cristã, segundo a interpretação dispensacionalista, é também um exemplo dos cristãos fiéis que serão arrebatados da terra antes deste momento. Este é um assunto que merece um artigo à parte. Por ora, pensando na hora a que se refere o texto, quero apenas dizer que embora se trate de um momento de um determinado acontecimento, a hora, no sentido expresso aqui ainda não chegou. Chegará de forma singular com muita provação para o mundo. Paulo fala deste momento como sendo “… a ira futura” (1Ts 1.10). A ira de Deus virá, mas o povo de Deus será livrado da (ou na?) mesma. Bem, livrado através do Arrebatamento? Veremos sobre isto em outro momento…

Concluindo, até aqui, tentei destacar neste artigo, a palavra hora em dois sentidos: como um momento mais preciso, uma divisão ou parte do dia de doze horas (dia claro) ou parte de uma vigília (dia escuro/noite). Mas também no sentido profético, futurístico, que aponta para a última hora ou a hora em que virão: a grande tribulação; o surgimento de muitos anticristos – além dos que já existiram ou existem – e o Anticristo (principal); a volta do Senhor; a ressurreição dos mortos; o fim do mundo…

Veja também o vídeo de André Sanchez a seguir, sobre a primeira parte do assunto, “como as horas eram contadas na Bíblia”.


Notas / Referências bibliográficas:

  • [1] As referências bíblicas utilizadas em todo o artigo são da versão A.C.F. - Almeida Corrigida Fiel. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/acf>.
  • [2] BRUCE, Frederick Fyvie. Hora. Apud: SHEDD, R. P. (Editor). O Novo Dicionário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1979 (3ª ed.), pág. 723.
  • [3] Veja também o cronograma feito por Jesse de Barros, aqui.

  • [4] CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Hagnos. 2002, Vol. I, pág. 425 (comentário sobre Mt 14.25).

  • [5] CHAMPLIN (Nota 4): Comentário de Mateus 20.9, pág. 498. 
  • [6] MCNAB, Andrew. In: SHEDD, Russel P. (Editor). O Novo Comentário da Bíblia, Vol. II. São Paulo: Vida Nova, 1963 (1ª ed.). Comentário sobre IPe 4.17. 
  • [7] In: SHEDD (Nota 7). Comentário sobre 1João 2.18.