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26 junho 2024

Bispos e Papas: (7) Telésforo

Por  Alcides Amorim

Bispo Telésforo [1]


Até aqui, nesta série de estudos sobre os bispos romanos listados por Eusébio de Cesareia, no seu livro História Eclesiástica, já vimos, os bispos Lino, Anacleto, Clemente de Roma, Evaristo, Alexandre I e Sixto. Agora, veremos resumidamente sobre o 7º bispo: Telésforo.

Depois do sexto bispo de Roma, Sixto, na lista de Eusébio (5, VI), aparece como seu sucessor o bispo “Telésforo, que também sofreu glorioso martírio”. E foi o “sétimo em sucessão desde os apóstolos”.

Quando Telésforo iniciou seu bispado? Segundo Eusébio (4, V), foi no décimo segundo ano do reinado de Adriano e quando Sixto havia cumprido seu décimo ano no seu episcopado de Roma.

Telésforo é chamado, além de Bispo, por Eusébio, também de Papa e Santo Telésforo nos escritos católicos. O que destacaremos a seguir, é um breve compilado extraído destas fontes: Ucatholic [2] e Portal São Francisco [3].

O Bispo Telésforo ou Papa Teléforo ou ainda Santo Telésforo:

  • Viveu entre 125 e 138 (site Ucatholic) ou entre 125 a 136 (site Portal São Francisco).

  • Foi, originalmente, um anacoreta (monge) grego.

  • Como bispo, enfrentou conflitos com as comunidades não cristãs.

  • Deve-se a ele as contribuições nas missas sobre:

- observância da Quaresma; 

- celebração da Missa de Natal (durante a noite): celebrações natalinas; 

- instituição de um jejum de sete semanas antes da Páscoa. 

- decreto de que o hino “Glória in Excelsis” fosse cantado exclusivamente durante a Missa de Natal.

  • Sofreu o martírio.

  • Foi substituído, após seu martírio, por São Higino (136-140), conforme afirma o Portal São Francisco.

Quero, para finalizar, destacar uma doutrina cristã, a Quaresma, que foi inicialmente instituída pelo Bispo Telésforo, em forma de pergunta: um evangélico pode participar da quaresma [4]?, respondida no vídeo, cujo link vai a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=DSU6HuzIEAk.



Notas / Referências bibliográficas:

  • [1] Na versão publicada pela CPAD em 1995, nas páginas 409/410, a editora fez uma lista de 29 bispos de Roma citados por Eusébio, e Telésforo é o número 7 da lista...

18 junho 2024

Marxismo e Fé cristã: dialética

Por: Alcides Amorim



A palavra dialética, conforme costuma-se definir no campo da Filosofia, significa o "caminho entre as ideias" e “… consiste em um método de busca pelo conhecimento baseado na arte do diálogo. É desenvolvida a partir de ideias e conceitos distintos e que tendem a convergir para um conhecimento seguro” [1]. Este “conhecimento seguro” só será possível após diversos diálogos, incluindo os prós e os contras, discussões gerais e finalmente, a chegada a um consenso ou essência do saber do objeto ou ideia em questão. Mas longe de dar um veredito final ao resultado do objeto estudado, a dialética propõe “... um modo de pensar que, ao privilegiar as contradições da realidade, permite que o sujeito se compreenda como agente e colaborador do processo de transformação constante através do qual todas as coisas existem…” (KONDER: 1998)[2].

A dialética, que teve sua origem na Grécia Antiga, ou com Zenão de Eleia (c. 490-430 a.C.) ou com Sócrates (469-399 a.C.), tem estado a serviço da Filosofia na Antiguidade, Idade Média, Moderna e Contemporânea. Para os objetivos deste post, fixamos apenas nos pensamentos de Hegel e Marx. Com Hegel (1770-1831), segundo o qual, a filosofia veio a ser um tipo de teologia, a sua dialética também seguia por este caminho. Hegel percebe que a realidade restringe as possibilidades dos seres humanos, que se realizam como uma força da natureza capaz de transformá-la a partir do trabalho do espírito. Sua dialética compunha de três elementos: a tese, a antítese e a síntese. A tese é a afirmação inicial, a proposição que se apresenta; a antítese é a refutação ou negação da tese, considerando a contraditoriedade daquilo que foi negado; e a síntese é composta a partir da convergência lógica (lógica dialética) entre a tese e sua antítese. Essa síntese, entretanto, não assume um papel de conclusão, mas sim como uma nova tese capaz de ser refutada dando continuidade ao processo dialético…

A dialética hegeliana enquanto teoria do conhecimento é aprofundada pelo marxismo. Aqui o conhecimento é totalizante. Karl Marx (1818-1883) concorda com Hegel no aspecto do trabalho como força humanizadora. Entretanto, para ele o trabalho dentro da perspectiva capitalista, pós-revolução industrial assume um caráter alienante.

Marx defendeu que vivemos em um mundo onde tudo é material, não havendo o sobrenatural. Assim, são abolidas as noções espirituais e o transcendente. A sociedade passa a ser explicada apenas em um ciclo de classes opressoras e oprimidas. Defendendo a materialidade de tudo, os valores morais também são reduzidos à materialidade, importando apenas os bens econômicos. Não há respeito à dignidade única de cada pessoa, sua liberdade, vida e escolhas.
O comunismo seria um paraíso terrestre, uma sociedade idealizada. Em prol de um futuro idealizado, sacrifica-se o presente[3].

O marxismo procura ser científico, tentando não depender de uma filosofia. Acontece que não consegue escapar de uma escolha filosófica prévia que por sua vez informa todo seu desenvolvimento científico posterior. E esta escolha é um ato de fé que corresponde ao ato de fé daquele que se vira para Cristo, mas o dogmatismo marxista não permite outra solução a não ser aquela aventurada por Marx. Os marxistas fazem uma crítica cerrada àqueles que aceitam a Bíblia (ou a tradição eclesiástica) como ponto de partida para sua fé. No entanto, os ideólogos marxistas citam os escritos de Marx e Engels como se fossem uma revelação divina.

A critica de Marx à religião como “começo de toda crítica”, e expressa na conhecida frase “A Religião é o Ópio do Povo”, é uma orientação antirreligiosa que o torna, sim, segundo Fulton J. Sheen, o Comunismo no “ópio do povo”. Marxistas esperam que o povo troque a religião pelo marxismo através da revolução cultural.

O Comunismo engana o pobre com a esperança falaz de um paraíso terrestre…
O Comunismo é o ópio do povo porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que nunca lhes pode dar, ou seja um paraíso terrestre. Mudando apenas uma palavra numa sentença de Lenine: ‘O Comunismo ensina aqueles que labutam toda a sua vida em pobreza a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os pelo pensamento de um paraíso terrestre’. Singular espécie de paraíso esse, que é inaugurado pelo morticínio, pelo exílio e pelo confisco; estranha espécie de paraíso esse, que espera estabelecer a fraternidade pregando a luta de classes, e estabelecer a paz praticando a violência. Estranha espécie de paraíso esse que tem de recorrer ao temor e à tirania para impedir que alguém ‘escape’ dele[4].

Portanto, como vimos aqui, a ideologia e a dialética marxistas estão intimamente interligadas ao saber numa autorreflexão hegeliana, embora encaixadas dentro do esquema materialista.

Infelizmente, há uma grande quantidade de “cristãos” achando que é possível ser cristão e comunista ao mesmo tempo. Como abrimos o post acima, pode ser que o comunismo esteja neste mundo hoje porque os cristãos não foram suficientemente cristãos e as democracias não foram suficientemente democráticas”, já dizia Martin Luther King.

E para concluir, veja o vídeo a seguir:


Veja também:


Notas / Referências bibliográficas:

  • [4] dem.