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20 de abril de 2026

Por que Deus permitiu o Holocausto?

Por: Gotquestions.

Imagem ilustrativa do Holocausto [1]

Ao lidarmos com o problema do mal no mundo, nos deparamos com muitos problemas como este. Deus poderia ter evitado o Holocausto? Sim, poderia. Ele também poderia ter evitado os massacres de Stalin na URSS, a tortura de dissidentes pela Inquisição Espanhola e o reinado de terror de Nero. Em todos os casos, Deus permitiu que homens maus exercessem certa quantidade de poder por um curto período de tempo.

Em última análise, não sabemos as razões para o que Deus permite. Seus caminhos e pensamentos são infinitamente mais elevados do que os nossos (Isaías 55:8-9). Seu plano soberano abrange todo o escopo da história, passado, presente e futuro, englobando todos os cursos de ação possíveis, todas as causas e efeitos, todas as potencialidades e todas as contingências. Não há como compreendermos as complexidades de Seu projeto. Pela fé, confiamos que Seu plano é o melhor plano possível para restaurar a humanidade caída e um mundo amaldiçoado à retidão e à bênção.

Mas podemos entender isso: A permissão de Deus não é o mesmo que a Sua aprovação. Deus permitiu que Adão comesse da árvore proibida, mas não aprovou a ação. Da mesma forma, o fato de Deus permitir o Holocausto não sugere de forma alguma Sua aprovação. Deus se entristece com a pecaminosidade do homem e a dureza de seu coração (Gênesis 6:6; Marcos 3:5)[2].

Também sabemos que Deus fez todo o possível para nos redimir do pecado que nos destruiria. Ele deu o Seu único Filho, que sacrificou a Sua vida por nosso pecado e assumiu a nossa penalidade. Todos os que se voltam para Jesus Cristo com fé são salvos. O pecado neste mundo e horrores como o Holocausto são o resultado direto da contínua rebelião da humanidade contra Deus.

Embora nada possa justificar a maldade do Holocausto, ele trouxe indiretamente um avanço na profecia bíblica. O Holocausto foi o principal motivo pelo qual o Livro Branco de 1939 foi revogado, liberando os judeus europeus para imigrarem para Israel. Independentemente da posição política de cada um, o fato é que a restauração de 1948 de um estado judeu independente ajuda a cumprir profecias bíblicas como Ezequiel 37 e Mateus 24.

Em todos os Seus atos, Deus é justo (Salmo 145:17). A culpa pelo Holocausto recai diretamente sobre os ombros da humanidade pecadora. O Holocausto foi o produto de escolhas pecaminosas feitas por homens pecadores em rebelião contra um Deus santo. Se o Holocausto prova alguma coisa, é a total depravação do homem. Apenas quatorze anos após "a guerra para acabar com todas as guerras" (Primeira Guerra Mundial), Hitler subiu ao poder. O que é ainda mais chocante é que milhões de pessoas o seguiram, permitindo suas políticas horríveis e seguindo um caminho para a destruição nacional.

E enquanto o nazismo tomava conta da Alemanha, onde estavam as igrejas europeias? Algumas, é verdade, se mantiveram firmes contra o mal em seu meio, e alguns membros da igreja, como Dietrich Bonhoeffer, pagaram o preço mais alto por serem dissidentes. Mas eles eram a minoria. A maioria das igrejas da época concordou com as regras do Partido Nazista e permaneceu em silêncio enquanto os judeus eram massacrados. Onde estavam os líderes mundiais? Com exceção do inglês Winston Churchill, os políticos do mundo seguiram o caminho do isolamento ou do apaziguamento. Nenhuma delas funcionou. Onde estavam as pessoas boas e decentes? Edmund Burke é frequentemente citado como tendo dito: "Tudo o que é necessário para que o mal triunfe no mundo é que um número suficiente de homens bons não faça nada". Embora houvesse alguns alemães e outros europeus, como Oscar Schindler e Corrie ten Boom e sua família, que arriscaram suas vidas para salvar milhares de judeus da aniquilação, a maioria permaneceu em silêncio e o Holocausto se seguiu. A questão não é tanto "Por que Deus permitiu o Holocausto?", mas "Por que nós permitimos?"

Deus dá liberdade de escolha à humanidade. Podemos escolher segui-Lo e defender a justiça, ou podemos nos rebelar contra Ele e buscar o mal. O problema está no coração do homem. "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá entendê-lo?" (Jeremias 17:9). Até que o coração do homem se volte para Deus, o mundo continuará a testemunhar "limpezas étnicas", genocídios e atrocidades como o Holocausto [2].


Notas:

  • [1 Holocausto: Imagem ilustrativa, disponível em: <https://guiame.com.br/gospel/videos/e-importante-lembrar-para-nunca-mais-acontecer-diz-sobrevivente-do-holocausto.html >. Acesso em: 19/04/2026.

30 de novembro de 2025

Bispos e Papas (19): Fabiano

Bispo Fabiano [1]

O próximo bispo de nossa lista (bispos e papas romanos), que queremos destacar aqui é o Bispo Fabiano ou Fabião. Na lista de Eusébio de Cesareia, em História Eclesiástica (HE, 6, XXIX) [2] encontramos: “Gordiano  sucedeu Maximino  na soberania de Roma, quando Ponciano, que havia ocupado o episcopado por seis anos, foi sucedido por Antero na igreja de Roma, o qual é também sucedido por Fabiano depois de se empenhar no serviço por cerca de um mês. Diz-se que Fabiano chegara a Roma com alguns outros do país e, ali permanecendo de modo notabilíssimo, pela graça divina e celestial, foi apresentado como um dos candidatos para o ofício... Relatam, ainda, que uma pomba de súbito, desceu do alto, pousou sobre sua cabeça, exibindo uma cena como aquela sobre nosso Salvador. Com isso todo o corpo exclamou com toda veemência e a uma só voz, como que movido pelo Espírito de Deus, que ele era digno; e, sem demora tomaram-no e o colocaram no episcopal.”

Na nossa lista, Ponciano foi o 17º bispo, Antero, o 18º. Portanto, o Bispo Fabiano, que sucedeu a Antero, corresponde ao 19º que ocupou o episcopado em Roma, entre 236 a 250, um longo período papal (14 anos) segundo a Igreja Católica.

Além das informações de Eusebio (acima), outras, especificadas aqui [3], por exemplo, afirmam sobre o Bispo ou Papa Fabiano:

§  Era um fazendeiro e homem simples do campo, mas um excelente administrador;

§  Dividiu a cidade de Roma em sete distritos eclesiásticos, cada um sob a responsabilidade de um diácono com auxílio de um subdiácono e assistentes, visando atender à crescente comunidade cristã: cuidados sociais, assistência aos pobres, a gestão das catacumbas (cemitérios cristãos).

§  Cada distrito tinha seu clero, responsável por abrigar doentes, conservar ou construir capelas para cultos e manter contato próximo com o presbítero encarregado pelo papa para o serviço litúrgico. Essa reforma marcou a criação de uma organização muito unida e adaptada ao crescimento do cristianismo na cidade...

Segundo o site católico Paulinas [4], Fabiano, um quase desconhecido antes da eleição, foi muito apreciado também por suas intervenções doutrinais, especialmente nas controvérsias da Igreja da África. O site diz que Fabiano, durante o seu pontificado de catorze anos, houve paz e desenvolvimento interno e externo da Igreja. Mas que também enfrentou problemas com o imperador Décio, que ao enfrentar problemas no seu governo, desencadeou uma ferrenha perseguição contra toda a Igreja. “Ocorreu um grande êxodo de cristãos de Roma, que se deslocaram para o Oriente à procura das comunidades religiosas dos desertos, um pouco mais protegidas das perseguições. Este foi o início para a vida eremita, com os 'anacoretas', mais conhecidos como os padres do deserto. Entretanto, o papa Fabiano permaneceu no seu posto e não renegou a fé, sendo decapitado no dia 20 de janeiro de 250” (Idem).

Eusébio (HE, 6, XXXIX), cita: “Agora pois, a Felipe [5], que havia imperado por sete anos, sucede Décio [6], que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado”.

Antes do reinado de Décio, a perseguição aos cristãos no império era esporádica e localizada, mas por volta do início de janeiro de 250 ele emitiu um édito ordenando que todos os cidadãos realizassem um sacrifício religioso na presença de comissários. Um grande número de cristãos desafiou o governo, o que resultou na morte dos bispos de Roma, Jerusalém [Alexandre] e Antioquia [Babilas], e na prisão de muitos outros.

A repressão fortaleceu, em vez de enfraquecer, o movimento cristão, pois a opinião pública condenou a violência do governo e aplaudiu a resistência passiva dos mártires. Décio forneceu o modelo para uma perseguição mais rigorosa aos cristãos, que começou em 303, durante o reinado de Diocleciano. No início de 251, poucos meses antes da morte de Décio, a perseguição aos cristãos cessou [7].

Eusébio (HE, 6, XXXIX), cita: “Agora pois, a Felipe, que havia imperado por sete anos, sucede Décio, que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado”.

Portanto, no mesmo ano, 250, além do martírio de Fabiano, houve também os martírios de Alexandre, bispo de Jerusalém, e de Babilas, bispo de Antioquia.


Notas / Referências bibliográficas:

  • [1] Bispo ou Papa Fabiano. Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Fabiano. Acesso em: 05/11/2025.
  • [2] CESAREIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
  • [5] Felipe (244-249) e sucessor de Giordano III (238-244). “O reinado de Filipe testemunhou o verdadeiro início da crise do século III, marcada por uma série de invasões bárbaras através do Danúbio e por uma guerra civil interna liderada por generais dissidentes. O sucesso inicial de Décio, enviado por Filipe para enfrentar a invasão gótica de 248, levou o exército de Décio a proclamá-lo imperador” (In: https://www.britannica.com/biography/Philip-Roman-emperor).
  • [6] Décio (249-251) foi imperador romano e sucessor de Felipe.

  • [7] Décio: Imperador romano. Disponível em: < https://www.britannica.com/biography/Decius>. Acesso em: 06/11/2025.

25 de fevereiro de 2020

As igreja dissidentes


Por

GONZÁLEZ, Justo L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo: a era das trevas – Vol. 3: São Paulo: Vida Nova, 1995, páginas 115 a 130.

Igreja Copta em AmãJordânia
(Fonte: Wikipedia)


Artigo que escrevi em 2017 e re-publicado aqui, com anexo em PDF. Veja o link abaixo:



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As igrejas dissidentes


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