Por: Alcides Amorim
Bispo Cornélio e Cipriano de Cartago [1]
Depois do bispo Fabiano, martirizado em 250, o próximo bispo de nossa lista (bispos e papas romanos), é Cornélio, que exerceu seu episcopado entre 251 e 253. Na lista dos papas católicos ele é 21º, considerando que Pedro, o apóstolo tenha sido o primeiro papa. Eusébio de Cesareia, em História Eclesiástica (HE, 6, XXXIX) [2], diz que durante a violenta perseguição do imperador Décio aos cristãos, o bispo Fabiano foi martirizado “... e foi sucedido por Cornélio como bispo de Roma”. E no livro 7, II, ele afirma que “... Cornélio exerceu o episcopado em torno de três anos...” sendo sucedido por Lúcio.
Acho importante destacar aqui o contexto histórico da época do pontificado de Cornélio e sua relação com a perseguição sob o imperador Décio e o Novacionismo.
No ano 249, Décio cingiu-se com a púrpura imperial. Embora os historiadores cristãos tenham caracterizado como personagem cruel, Décio era simplesmente um romano de feitio antigo e um homem disposto a restaurar a velha glória de Roma. Por diversas razões, essa glória parecia estar perdendo o seu brilho. Os bárbaros além das fronteiras se mostravam cada vez mais inquietos e mais atrevidos em suas incursões dentro dos domínios do Império. A economia do império estava em crise. E as velhas tradições caíam cada vez mais em desuso.Para um romano tradicional, era claro que uma das razões pelas quais tudo isto sucedia, era que o povo havia abandonado o culto de seus deuses. Quando todos adoravam os deuses, as coisas pareciam caminhar muito melhor e a glória e o poder de Roma eram cada vez maiores. Em consequência, era possível pensar que o que estava sucedendo era que, desde que Roma estava retirando o seu culto, os deuses por sua vez estavam retirando seu favor ao velho Império. Nesse caso, uma das medidas que se impunha no intento de restaurar a velha glória de Roma era a restauração dos velhos cultos. Se todos os súditos do Império voltassem a adorar os deuses, possivelmente os deuses voltariam a favorecer o Império.Esta foi a principal razão da política religiosa de Décio. Não se tratava já dos velhos rumores acerca das práticas nefandas dos cristãos, nem da necessidade de castigar sua obstinação, mas se tratava, antes, de uma campanha religiosa que buscava a restauração dos velhos cultos. Em última análise, o que estava em jogo era a sobrevivência da velha Roma dos Césares, com suas glórias e seus deuses. Tudo o que se opunha a isto era falta de patriotismo e alta traição [3].
Em 250 [4], o
imperador romano Décio emitiu um edito exigindo que todos os cidadãos do
Império realizassem sacrifícios aos deuses tradicionais. O objetivo político do
imperador era restaurar a unidade religiosa romana, forçando os cristãos a
abdicarem de sua fé sob pena de severa punição.
Como consequência dessa intensa perseguição, muitos
cristãos cederam à pressão e sacrificaram aos deuses para salvar suas vidas ou
subornaram autoridades para obter certificados de que o haviam feito. Esses
cristãos que renegaram a fé sob coerção ficaram conhecidos historicamente como lapsi
(os "caídos").
Quando a perseguição diminuiu e a Igreja voltou a ter
relativa paz, surgiu um grande dilema: o que fazer com os lapsi que
desejavam retornar à comunhão e ao seio da Igreja? Essa questão gerou um
acalorado debate entre os líderes cristãos da época.
Enquanto o clero debatia o perdão, o presbítero romano Novaciano
assumiu uma postura extremista e rigorosa. Ele defendia que os apóstatas haviam
cometido um pecado imperdoável perante os homens e que a Igreja não tinha o
poder nem a autoridade para readmitir os lapsi de volta.
Em 251 d.C., Cornélio foi eleito e consagrado Bispo de Roma,
adotando uma posição pastoral muito mais próxima à misericórdia. Ele liderou um
sínodo que excomungou Novaciano e reafirmou que a Igreja possuía autoridade
divina para perdoar e reconciliar os cristãos arrependidos, estabelecendo
penitências adequadas.
A eleição de Cornélio e suas diretrizes misericordiosas
levaram Novaciano a ordenar-se bispo rival, criando o primeiro
cisma da história da Igreja. Assim, o episcopado de Cornélio ficou marcado pelo
combate ao novacionismo e pela afirmação da Igreja como uma instituição
universal, aberta a pecadores arrependidos.
Importante também ver a importância de Cipriano de Cartago
para o episcopado de Cornélio em relação a solução da crise dos lapsi.
Juntos, formularam uma via pastoral intermediária, estabelecendo que os
pecadores arrependidos poderiam retornar à comunhão eclesial após cumprirem
penitências proporcionais à gravidade de suas faltas.
O laço entre os dois líderes fortaleceu-se ainda mais por
meio de cartas de encorajamento mútuo durante a nova onda de repressão sob o
imperador Treboniano Galo. Quando Cornélio foi preso e enviado ao
exílio, onde viria a falecer em 253 d.C., Cipriano o enalteceu
publicamente, celebrando sua firmeza e declarando-o mártir da fé. Essa
cooperação histórica não apenas superou as heresias da época, mas também
consolidou os conceitos de colegialidade episcopal e de solidariedade entre as
grandes sedes apostólicas.
- [1] Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa, feita através do chatgpt, em: 30/06/2026.
- [2] CESAREIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
- [3] GONZÁLEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. I: A era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 138-140.
- [4] Texto fundamentada em fontes filtradas por I. A. do Google (Modo IA), em 28/06/2026.
- [5] O bispo Cornélio foi martirizado? In: chatgpt.com. Acesso em: 30/06/2026.
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