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30 de junho de 2026

Bispos e Papas (20): Cornélio

 Por: Alcides Amorim 

Bispo Cornélio e Cipriano de Cartago [1]

Depois do bispo Fabiano, martirizado em 250, o próximo bispo de nossa lista (bispos e papas romanos), é Cornélio, que exerceu seu episcopado entre 251 e 253. Na lista dos papas católicos ele é 21º, considerando que Pedro, o apóstolo tenha sido o primeiro papa.   Eusébio de Cesareia, em História Eclesiástica (HE, 6, XXXIX) [2], diz que durante a violenta perseguição do imperador Décio aos cristãos, o bispo Fabiano foi martirizado “... e foi sucedido por Cornélio como bispo de Roma”. E no livro 7, II, ele afirma que “... Cornélio exerceu o episcopado em torno de três anos...” sendo sucedido por Lúcio.

Acho importante destacar aqui o contexto histórico da época do pontificado de Cornélio e sua relação com a perseguição sob o imperador Décio e o Novacionismo.

No ano 249, Décio cingiu-se com a púrpura imperial. Embora os historiadores cristãos tenham caracterizado como personagem cruel, Décio era simplesmente um romano de feitio antigo e um homem disposto a restaurar a velha glória de Roma. Por diversas razões, essa glória parecia estar perdendo o seu brilho. Os bárbaros além das fronteiras se mostravam cada vez mais inquietos e mais atrevidos em suas incursões dentro dos domínios do Império. A economia do império estava em crise. E as velhas tradições caíam cada vez mais em desuso.
Para um romano tradicional, era claro que uma das razões pelas quais tudo isto sucedia, era que o povo havia abandonado o culto de seus deuses. Quando todos adoravam os deuses, as coisas pareciam caminhar muito melhor e a glória e o poder de Roma eram cada vez maiores. Em consequência, era possível pensar que o que estava sucedendo era que, desde que Roma estava retirando o seu culto, os deuses por sua vez estavam retirando seu favor ao velho Império. Nesse caso, uma das medidas que se impunha no intento de restaurar a velha glória de Roma era a restauração dos velhos cultos. Se todos os súditos do Império voltassem a adorar os deuses, possivelmente os deuses voltariam a favorecer o Império.
Esta foi a principal razão da política religiosa de Décio. Não se tratava já dos velhos rumores acerca das práticas nefandas dos cristãos, nem da necessidade de castigar sua obstinação, mas se tratava, antes, de uma campanha religiosa que buscava a restauração dos velhos cultos. Em última análise, o que estava em jogo era a sobrevivência da velha Roma dos Césares, com suas glórias e seus deuses. Tudo o que se opunha a isto era falta de patriotismo e alta traição [3].

Em 250 [4], o imperador romano Décio emitiu um edito exigindo que todos os cidadãos do Império realizassem sacrifícios aos deuses tradicionais. O objetivo político do imperador era restaurar a unidade religiosa romana, forçando os cristãos a abdicarem de sua fé sob pena de severa punição.

Como consequência dessa intensa perseguição, muitos cristãos cederam à pressão e sacrificaram aos deuses para salvar suas vidas ou subornaram autoridades para obter certificados de que o haviam feito. Esses cristãos que renegaram a fé sob coerção ficaram conhecidos historicamente como lapsi (os "caídos").

Quando a perseguição diminuiu e a Igreja voltou a ter relativa paz, surgiu um grande dilema: o que fazer com os lapsi que desejavam retornar à comunhão e ao seio da Igreja? Essa questão gerou um acalorado debate entre os líderes cristãos da época.

Enquanto o clero debatia o perdão, o presbítero romano Novaciano assumiu uma postura extremista e rigorosa. Ele defendia que os apóstatas haviam cometido um pecado imperdoável perante os homens e que a Igreja não tinha o poder nem a autoridade para readmitir os lapsi de volta.

Em 251 d.C., Cornélio foi eleito e consagrado Bispo de Roma, adotando uma posição pastoral muito mais próxima à misericórdia. Ele liderou um sínodo que excomungou Novaciano e reafirmou que a Igreja possuía autoridade divina para perdoar e reconciliar os cristãos arrependidos, estabelecendo penitências adequadas.

A eleição de Cornélio e suas diretrizes misericordiosas levaram Novaciano a ordenar-se bispo rival, criando o primeiro cisma da história da Igreja. Assim, o episcopado de Cornélio ficou marcado pelo combate ao novacionismo e pela afirmação da Igreja como uma instituição universal, aberta a pecadores arrependidos.

Importante também ver a importância de Cipriano de Cartago para o episcopado de Cornélio em relação a solução da crise dos lapsi. Juntos, formularam uma via pastoral intermediária, estabelecendo que os pecadores arrependidos poderiam retornar à comunhão eclesial após cumprirem penitências proporcionais à gravidade de suas faltas.

O laço entre os dois líderes fortaleceu-se ainda mais por meio de cartas de encorajamento mútuo durante a nova onda de repressão sob o imperador Treboniano Galo. Quando Cornélio foi preso e enviado ao exílio, onde viria a falecer em 253 d.C., Cipriano o enalteceu publicamente, celebrando sua firmeza e declarando-o mártir da fé. Essa cooperação histórica não apenas superou as heresias da época, mas também consolidou os conceitos de colegialidade episcopal e de solidariedade entre as grandes sedes apostólicas.

O Bispo Cornélio foi martirizado? A resposta a esta pergunta, dada pelo Chatgpt [5] diz que a tradição cristã afirma que Cornélio, bispo de Roma (251–253), morreu durante a perseguição do imperador Galo, razão pela qual passou a ser venerado como mártir. Entretanto, há uma pequena nuance histórica.
Os testemunhos mais antigos indicam que Cornélio foi exilado para Centumcellae (atual Civitavecchia), onde faleceu em 253. Durante muito tempo, acreditou-se que ele tivesse sido executado. Hoje, muitos historiadores entendem que sua morte pode ter ocorrido em consequência dos sofrimentos do exílio, e não necessariamente por decapitação ou outro método de execução. Ainda assim, a Igreja antiga o reconheceu como mártir, porque sua morte foi considerada consequência direta da perseguição que sofreu por causa da fé.
Seu grande correspondente e amigo, Cipriano de Cartago, escreveu diversas cartas em sua defesa durante a controvérsia envolvendo os lapsi (os cristãos que haviam renegado a fé durante a perseguição). Cipriano elogia repetidamente a firmeza de Cornélio e o apresenta como um pastor fiel que sofreu por Cristo.
Há um detalhe interessante: diferentemente de Cipriano, cujo martírio por decapitação em 258 está amplamente documentado, o modo exato da morte de Cornélio permanece menos claro. Isso explica por que alguns livros antigos o descrevem como "executado", enquanto estudos históricos mais recentes preferem dizer que ele morreu no exílio, sendo venerado como mártir em razão da perseguição...
Esse episódio é especialmente significativo para quem estuda a história da Igreja, pois Cornélio e Cipriano tornaram-se símbolos da unidade e da disciplina eclesiástica, enfrentando juntos o cisma de Novaciano e defendendo que a Igreja podia conceder reconciliação aos pecadores verdadeiramente arrependidos, sem abrir mão da santidade nem da autoridade pastoral.


Notas:

  •  [1Imagem (adaptada) e meramente ilustrativa, feita através do chatgpt, em: 30/06/2026.
  •  [2]  CESAREIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro anos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
  •  [3GONZÁLEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. I: A era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 138-140. 
  •  [4Texto fundamentada em fontes filtradas por I. A. do Google (Modo IA), em 28/06/2026.
  •  [5O bispo Cornélio foi martirizado? In: chatgpt.com. Acesso em: 30/06/2026.

11 de junho de 2026

Nossa cidadania está nos céus

 Por: Gotquestions  

Um cidadão é uma pessoa que pertence legalmente a um país e tem os direitos e a proteção desse país. Os cidadãos adotam a cultura e as práticas da nação ou reino ao qual pertencem. Todo ser humano nasce no reino deste mundo, no qual Satanás governa (2 Coríntios 4.4). Consequentemente, crescemos adotando a cultura, as práticas e os valores que ele instiga (Gênesis 3.1; 1João 2.16).

O reino de Satanás escraviza seus cidadãos (Romanos 6.16). Com corações e mentes obscurecidos, seguimos cegamente nosso líder nos pecados que nos levam cada vez mais à escravidão. Permanecemos cativos nesse reino do pecado, rumo à destruição, até que Jesus nos liberte (Efésios 2.1-4). Filipenses 3.18-19 destaca as diferenças entre aqueles que desejam ter comunhão com Jesus Cristo e aqueles que se concentram em objetivos terrenos: "Pois muitos andam entre nós, dos quais repetidas vezes eu lhes dizia e agora digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só pensam nas coisas terrenas." Aqueles que não conhecem a Cristo vivem apenas para este mundo e para o prazer que podem encontrar para si mesmos. Eles são "cidadãos" deste mundo e vivem de acordo com suas regras e sistema de valores.

Quando nascemos de novo pela fé em Jesus Cristo (João 3.3), nascemos no Reino dos Céus (Mateus 3.2; 7.21; Romanos 14.17). Falando sobre aqueles que tiveram esse renascimento espiritual, Filipenses 3.20 diz: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". Jesus passou grande parte de Seu ministério terreno explicando o Reino dos Céus (Mateus 4.17). Ele o comparou a muitas coisas, inclusive a um campo de trigo no qual as ervas daninhas cresciam junto com o trigo. As plantas pareciam idênticas no início, mas foram separadas na colheita. A verdade é que, muitas vezes, os cidadãos do céu e os deste mundo parecem idênticos, e ninguém além de Deus sabe a diferença (Romanos 8.19). Muitas pessoas podem parecer cidadãos do céu, quando, na verdade, nunca houve renascimento em seus corações (Mateus 7.21).

Quando Deus nos concede a cidadania no Reino dos Céus, nos tornamos "novas criaturas" (2Coríntios 5.17). Ele envia Seu Espírito Santo para habitar em nosso espírito, e nosso corpo se torna Seu templo (1Coríntios 3.16; 6.19-20). O Espírito Santo começa a transformar nossos desejos pecaminosos e mundanos naqueles que glorificam a Deus (Romanos 12.1-2). Seu objetivo é nos tornar o mais parecido possível com Jesus nesta vida (Romanos 8.29). Recebemos o poder e o privilégio de sair do sistema de valores falho do mundo e viver para a eternidade (1João 2.15-17). Ser adotado na família de Deus significa que nos tornamos cidadãos de um reino eterno onde nosso Pai é o Rei. Nosso foco se volta para as coisas eternas e para o acúmulo de tesouros no céu (Mateus 6.19-20). Consideramo-nos embaixadores nesta Terra até que nosso Pai nos mande buscar e voltemos para casa (Efésios 2.18-19; 6.20).

Vivemos por um curto período de tempo nesses corpos físicos, antecipando o futuro brilhante em nosso verdadeiro lar. Enquanto estamos aqui, compartilhamos a experiência de Abraão, vivendo "como em terra alheia... Porque Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor" (Hebreus 11.9-10).


Fonte:

  • GOT Questions. O que significa o fato de nossa cidadania estar no céu?. Disponível em:  <https://www.gotquestions.org/Portugues/cidadania-no-ceu.html>. Acesso em: 10/06/2026 - Texto adaptado.